Archive for October, 2007

Colaborando com a lista da Ilka

Achei a lista da Ilka tão inspiradora que resolvi colaborar, ampliando-a. Seguem então mais 19 dicas de coisas para se fazer durante um engarrafamento de trânsito, além daquelas que a nossa recifense do Blog já publicou.

1) Vista um pijama, escove os dentes e durma.
2) Se você tem corrupião em casa, leve a gaiola e ensine-o a assobiar o Hino Nacional.
3) Masturbe-se!
4) Aproveite a roda do estepe e prepare um churrasco com os ‘colega’.
5) Calcule mentalmente a raiz quadrada de todas as placas de carro que avistar.
6) Conclua, afinal, qual é o sentido da vida.
7) Promova campeonato de cuspe no parabrisa à distância.
8) Escreva uma carta para o Papa Bento XVI.
9) Desmonte todo o carro peça a peça, faça uma montanha com elas e diga que é arte moderna.
10) Bote fogo no que restou dele e diga que é arte contemporânea.
11) Com o celular ligue a cobrar para números ao acaso. Quando atenderem pergunte “com quem quer falar?” ou “quem gostaria?”.
12) Quebre os limpadores de parabrisa de todos os carros cinzas ou prateados, arranhe com chave os brancos e mije no pneu dos pretos.
13) Troque a posição das poltronas do carro: coloque a da direita no lugar da esquerda e vice-versa.
14) Entre em algum ônibus por perto, finja que é delegado de polícia e dê voz de prisão a todos os passageiros.
15) Imaginando que seu avião caiu numa geleira, bole diversas receitas para se preparar com os cadáveres.
16) Ligue para a mulher do seu chefe e diga que a ama.
17) Descubra quantos biscoitos Globo cabem dentro do seu carro.
18) Descole uma grana fazendo malabarismo com o celular, os óculos escuros e a chave do carro.
19) Brinque de ‘ola’ sozinho dentro do carro.

Dicas para não enlouquecer no trânsito do Rio

Em tempo de caos, se você precisa percorrer looooongos trajetos diários na solidão do seu carango, use a criatividade antes de começar a buzinar e xingar todo mundo. Principalmente se já roubaram o som do seu veículo e nem com esse entretenimento você pode contar. Vamos lá, aproveite:

– Tenha o seu momento da beleza – retoque a sobrancelha (o retrovisor é ótimo para isso), tire as cutículas, lixe as unhas, passe cremes faciais etc.

– Faça ginástica laboral – na correria do trabalho, a gente acaba esquecendo. Alongue mãos, braços, pescoço. Evite a LER (Lesão por Esforço Repetitivo).

– Leia – se estiver num lugar claro ou bem iluminado, e seguro, além do jornal, dá até para adiantar aquele livro ou estudar o capítulo da pós (juro que já fiz isso).

– Exercite a observação – quando o trajeto diário vira paisagem, é sempre útil tentar enxergar coisas novas. O que tem na rua? O que você vê no horizonte? E as pessoas que passam?

– Atualize a agenda – aproveite para passar a limpo todos os afazeres da semana e organizar a vida.

– Cante – quem canta…

– Exercite a teatralidade – vale mímica, encenar uma conversa, treinar um esquete. Não se importe com o carro do lado. Solte sua expressão. Mais doido é quem fica buzinando.

– Experimente o cubo mágico – tome desafios como esse. Você terá tempo suficiente para descobrir a lógica da coisa.

– Faça origamis – compre folhas coloridas e bote seu talento manual pra fora.

– Telefone para os amigos – essa dica é ótima para quem tem bons planos de celular. Ligue para aqueles queridos que você não fala há tempos por causa da correria. Além de surpreender, vai ser ótimo botar o papo em dia.

– Faça terapia telepática – adiante o que você vai discutir com o terapeuta. Pense nos problemas que te afligem, mergulhe no “seu eu interior”.

– Filosofe – ótimo momento para isso. Questione sobre todos aqueles assuntos pessoais, transcendentais e fenomenais que não temos resposta. Ninguém vai se importar.

– Pratique meditação.

Ah, para quem conta com o luxo de ter som no carro, também pode aproveitar para fazer um intensivão de um curso de línguas. Leve um CD estilo Speak up e vá treinando o listening e o “repeating”. Com dedicação e ajuda do Rebouças fechado, em poucos dias você terá pulado do intermediário para o avançado.

Se depois de tudo isso você ainda não tiver chegado ao seu destino, abra as janelas e grite! Não adianta, mas alivia.

Os cretinos vêm de Marte*

Mas agora eu também resolvi dar uma queixadinha porque eu sou um rapaz latino-americano que também sabe se lamentar. Raul Seixas

Eu já disse isso aqui uma vez e repito: o Rio é uma mulher linda nas mãos do King-Kong. E realmente é preciso ser psicanalista ou crítico de cinema para compreender as contraditórias relações de amor e ódio entre a cidade e seus habitantes. O fato, meus amigos, é que a natureza maravilhosa da cidade também traz com ela, assim como a Naomi Watts, os seus probleminhas. O Rio é uma Naomi incompreendida, neurótica e mal-amada.
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A cidade que não escorre

Chove, chove e não escorre. Inunda mas não lava. Daí a terra desliza; na próxima o teto desaba. Para muitos isso já acontece!
Pipocas de metal são consumidas durante os filmes de ação ao vivo; cenas de violência explícita.

Foram descobertos canos clandestinos… Clandestinos canos ou engenharias?

Sabe-se lá se o teto do Rebouças é checado temporariamente?! Sabe-se lá da segurança das estruturas da Ponte Rio- Niterói? Pagamos pedágio, mas pagamos impostos e de nada se sabe.

Nem a pista do aerporto de SP era checada! Vão dar atenção ao segundo maior centro urbano do Brasil? Hunf.

Prefeito? Governador? Estamos carentes de pai! Por favor nos acuda; de braços abertos. Falta um pai para o Rio; a figura de autoridade foi transformada em pedra, colocada nas alturas, onde ninguém possa alcançar. Só este pai ausente sobreviverá ao desastre das inundações. O Rio não tem mãe; não sabem as ruas como fluir ao tráfego, os morros como fluir ao tráfico e as pessoas como fluir ao caos.

Somos um povo carente. Que tipo de gente somos??

Entretenimento

Não vou forçar a ler; quem quiser, clica.
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Tim Festival: do preço ao caos

O Tim Festival esse ano no Rio de Janeiro vai ser cheio de fúria. E não estou falando de guitarras ou atrações da pesada, e sim do preço abusivo dos ingressos e do caos em que ele agora está inserido.

Vários amigos que vinham de outros estados para assistir aos shows no Rio, mudaram sua passagem para a Paulicéia e demais cidades que o evento acontece. Lá, diferente daqui, com um único ingresso (R$ 200,00), você confere às principais atrações: Hot Chip, Björk, Killers, Arctic Monkeys, Juliette and the Licks e várias outras. Na cidade maravilhosa você tem que desenbolsar até R$180,00, para apenas duas delas. Um abuso.

Ok, apesar disso, vários palcos estão com ingressos esgotados. Confesso que mesmo revoltada não resisti e adquiri minha entrada para ver a cantora islandesa estilosa, até porque, pago meia, mas deixei de comprar outros palcos, como fiz nos anos anteriores.

Outro problema. O horário de alguns shows de hoje está impossível, ainda mais agora que o Rebouças fechou para balanço. Sexta-feira já se costuma ter trânsito complicado. Se chover, piorou. E sem o túnel, socorro! Como chegar ao show do Antony and the Johnson marcado para às 20h da noite na Marina da Glória se você trabalha e tem Botafogo no meio do caminho? Ficou mais caro ainda, hein? É torcer para que as performances compensem tanto dispêndio.

City of Splendour

O filme, realizado em 1936, faz parte da série de documentários ‘Traveltalk’ de Ruth e James Fitzpatrick. Quem conseguir assistí-lo sem cair na tentação e fazer comentário lamentando a deterioração da cidade, etc e tal, entra na minha lista dos não-previsíveis do blog e, mais importante, usufrui de 7 minutos e 54 segundos de esplendorosa youtubespecção.

Os albopictus estão chegando

aedes_albopictus.jpgTemos a arte para que a verdade não nos destrua mas a verdade é que fiquei assustado ao saber que o aedes albopictus, o mosquito-tigre, originário da Ásia mas já adaptado ao país, também está transmitindo o vírus da dengue. Os três leitores que nos lêem sabem muito bem da minha pinimba com mosquitos, de modo que essa novidade me deixou bastante bolado. Esses insetos dos infernos além não deixarem ninguém em paz agora potencializam a chatice das picadas com a ameaça de trazer com elas os vírus da febre amarela, febre do Nilo, encefalite e, agora sabemos, da dengue. Ou seja, além do aedes aegypti temos também seu priminho albopictus espalhando dengue por aqui. O Ministro Temporão disse a pouco que o Brasil já vive uma epidemia de dengue. Tenho certeza absoluta que você não faz a menor idéia de quem seja o Ministro Temporão, mas não importa. Se você, assim como eu, acha mosquito um ser insuportável e inútil — sim, inútil, não me venham com ecologices! — pode dar uma olhadinha em qualquer um dos meus quatorze posts que trataram desse mesmo assunto e onde há dicas de repelentes e outras artimanhas para se livrar de mosquitos, dentre elas a inigualável armadilha CMT20 ZUMBA.

Malditas festas iguais

Não sei quando foi, mas em algum momento, perceberam que as festas de 15 anos e casamentos estavam se tornando chatas. Perceberam com atraso, rá! Então, se deu início à uma algazarra meio carnavalesca, para trazer mais emoção às tais festas chatiiiinhas. Compram broches de luz, orelhas de coração, pulseiras de néon, gravatas de paetês, e distribuem no salão. Os mais ortodoxos olham desconfiados, refletindo um “onde estão os valores? tsc tsc, mas que bagunça”. Os mais jovens, que amam uma balbúrida, fazem do baile de debutantes um verdadeiro carnaval. Só que, meus amores, é tudo igual. Se ainda fosse um baile de carnaval com mil fantasias diferentes, ahhhh, que maravilha de miscelânia a ser observada. Mas não. A maioria das mulheres usa vestido preto (“não engorda“) e quando recebem os “acessórios da festa” não querem exagerar muito, para não embarangar. Então, colocam com cuidado, o arco de corações que piscam, no cabelo escovado e com reflexos. O que dizer das músicas? QUAL É O SENTIDO – e aqui grito em caps lock, DE SE OUVIR “NEW YORK NEW YORK” numa festa de casamento em pleno Rio de Janeiro? Quantas vezes você já ouviu “Cidade Maravilhosa” numa festa de formatura de formandos em Comunicação Social? E não venham com o papo de que “ahhh, tendo álcool de graça, vale tudo”. Passei da fase do vale-tudo-com-bebida-de-graça. Sentada num canto, com um vestido que não me acompanha, um sapato que me deixa fantasiada, observo de longe a mesmice insuportável dos casamentos, 15 anos e formaturas dos dias de hoje. E em todas as sociais: ricos, classe média e pobres. Tudo a mesma merda. Daqui a pouco, os sucessos do axé, que até eu sei cantar por osmose vital. Discotecas, Bee-Gees, meu pai se levanta, vai dançar. Estou ficando chata. O uísque descendo, mas não ajudando. Agora, claro, funk. O funk ruim. O funk tosco. Porque funk é bom, mas essas pessoas não sabem disso. No banheiro, uma menina comenta: “eu adoro música rave”. Quase vomito o jantar do casamento. Como é que é? Música rave? IH, tô velha. Tô velha e sou tão nova. Todas e todos, com vestidos carérrimos (ou não, rá!) e paletós parecidos, e adereços que brilham, piscam, em cores fluorescentes. Laboratório do comum. Aviso aos navegantes que meu casamento vai ser na praia. E que ninguém gaste dinheiro com uma roupa que só vai usar uma vez na vida. E nada de sapatos. Sempre tiram mesmo, ora bolas. E nada de enfeites moderninhos, made in Japan. Se tudo vira carnaval, confetes e serpentinas serão distribuídas. E quero discursos! Nada de um padre, pastor ou juiz falando texto arcaico com lenga lenga. Quero amigos contando causos e marido declamando poesia. Eu tô delirando? Culpa de outubro.

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ai, que lindo, né?
pffffff

O Outro Lado

São famosas diversas peculiaridades dos habitantes daquelas bandas, seja a elipse dos artigos entre a preposição e o nome próprio ou a incorrigível desorientação entre as ruas da capital. Certamente há motivos de sobra que inspiraram a criação politicamente incorreta do termo para designá-los – niteroíbas -, quimera lingüística capaz de reunir toda uma gama de preconceitos.

Mas não perderei meu tempo enumerando curiosidades sobre os habitantes dessa cidade. Antes, apresento ao leitor esse subgrupo do qual faço – ou fiz – parte, essa geração, filha daqueles que, temerosos da então incipiente escalada de violência do Rio de Janeiro e da constante ameaça às suas crianças, cruzaram pela primeira vez a Baía de Guanabara rumo a uma terra prometida de paz. Baía que nossos pais atravessaram ainda embalados pela lembrança dos botos brincalhões que já haviam morrido, e que nós aprenderíamos a chamar de poça. Poça de água suja, poluída, fedida. Poça de esgoto, que goteja dos canos estourados e das juntas mal-feitas dos gatos de água. Poça de merda, que atravessaríamos todo os dias, para trabalhar, tantos anos depois. Poça de sangue, que escorre dos morros e se acumula no centro deste inferno metropolitano. Poça de lágrimas.

Não é de se espantar que tenhamos crescido temendo a cidade louca, tumultuada, gigantesca, e não é difícil de entender a desorientação que toma muitos de nós ao penetrar em suas ruelas escuras. Enquanto os cariocas aprendiam que o morro pertence ao diabo e a passar longe das ladeiras, um outro tipo de fissão social se operava – a divisão ilusória entre a cidadezinha pequena e pacata e o outro lado. Acreditávamos ingenuamente que poucos quilômetros de água poderiam ser uma barreira mágica contra todos os problemas. Até hoje, tantos anos depois do fim das ilusões, ouço pais resmungando – por que meu filho tinha que arranjar emprego naquele rio?

O medo, no entanto, não impediu um certo fascínio apavorado, e nem aquele sentimento que sempre impele os jovens provincianos a buscarem a metrópole. Vieram os anos 00 e as incursões à Lapa, de início tímidas, acabariam por se tornarem rotina, mas nunca sem um certo nervosismo. Nossa geração acabou retomando suas origens, a partir da Praça XV – o posto avançado dos niteroienses – passando pelo CCBB e rumo ao emprego, à universidade e, enfim, em alguns casos, novos lares.

Ainda assim, mesmo agora, já tendo trilhado de volta o caminho de meus pais, já tendo emprego fixo no centro e posto um pé no bairro das laranjeiras, a cisão entro o mundo de cá e o outro lado da poça persiste como um fantasma. Ainda hoje sinto como que uma paz vinda do nada, toda vez que entro na barca e, após o cochilo da travessia, repito os passos da geração anterior, deslizando sobre a Baía de Guanabara – poça de sonhos -, e avisto o letreiro brilhante do Plaza. Sinto-me inexplicavelmente tranqüilo quando transito entre a sujeira e a pobreza do centro de Niterói, chego à velha casa, e, finalmente, durmo mais uma vez ao som dos pipocos dos fuzis da Grota.

Bala perdida que não dá na TV não mata.

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