Archive for October, 2007

Malandragem universal ou turista é uma merda.

No Brasil o carioca é conhecido, entre outras, pela malandragem, o cara “exxxxperto”. Isso irrita muita gente de outros estados que chega para visitar a cidade maravilhosa.

Longe de ser uma especificidade local, vemos que até em países ditos desenvolvidos, de “primeiro mundo”, como Grécia, Itália e Espanha, a malícia e vontade de tirar vantagem em cima dos outros também é constante.

Circular pelas ruas mais visitadas de Atenas e Barcelona é um exercício de atenção. Seja a pé, de metrô, bondinho ou carro, tem que ficar ligado o tempo inteiro se não quiser ter seus pertences surripiados solenemente, com classe e discrição européia.

Na hora de pegar um táxi por lá, só para citar outro exemplo, prepare-se que você também pode pagar mais caro e ser enrolado, ainda mais se o idioma é grego. Difícil discutir.

Na verdade, onde tem turista, tem um bando de besta em potencial e alguém querendo se aproveitar, pouco importa o lugar do mapa.

Aí você pensa, “poxa, sou do Brasil, moro no Rio, tenho curso avançado nisso”. A malandragem é universal, mas os artifícios para exercê-la são diferentes.

Você pode até sair com cara de otário ou ser feito de idiota nessas viagens ao velho mundo. Pelo menos o europeu é mais pacífico na hora do roubo, ou melhor, furto. E muito provavelmente não vai apontar uma arma na sua cabeça. O que já é alguma coisa.

“HEY GIRL” - Rio Cena Contemporânea.

Quinta-feira, 11 de outubro, teatro Caixa-Cultural Nelson Rodrigues.
Diretor: Romeo Castellucci
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Vamos marcar? Claro, vamos! Mas vamos mesmo…

“O indireto afetivo na linguagem do carioca”, excelente ensaio do poeta, compositor e ensaista Francisco Bosco, está contido no livro Banalogias, seu útlimo lançamento.

O texto discute o famoso “vamos marcar…” carioca, e consegue realmente lançar luz sobre seu significado e origem, uma bela exposição sobre a essência afetiva dos habitantes desta cidade.

O ensaio pode ser lido na íntegra no blog do Antônio Cícero:

http://antoniocicero.blogspot.com/2007/10/francisco-bosco-o-indireto-afetivo-na.html

Referência:
BOSCO, Francisco. Banalogias. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

Metropolitan Museum na Barra

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Projeto para implantação do Metropolitan Museum na Barra da Tijuca

Etapa 1: Demolição do Barra Shopping e do New York City Center.
Etapa 2: Remoção do Metropolitan Museum de Nova Iorque e translado para o Rio.
Etapa 3: Colocação do prédio do Museu no local onde funcionavam os centros comerciais (como mostra a imagem acima).
Etapa 4: Envio dos entulhos dos shoppings para o terreno vazio, em Nova Iorque.
Etapa 5: Segue a vida normal na Barra e em Manhattan.

Nota: O Museu vem com tudo que está dentro dele, inclusive os funcionários.

Justificativa: Já que é pra americanizar a Barra, vamos americanizar direito.

Le Metro c’est très chic

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Mas ainda faltam algumas modernizações. Depois de separar o curral dos machos do curral da fêmeas e de introduzir o inglês nas mensagens que anunciam a chegada das estações — mas apenas o nome delas sobrevindo ao next stop, porque o resto das informações em inglês daria muito trabalho para traduzir — enfim, restam ainda algumas inovações.

Primeiramente poderiam criar o carro GLS porque, segundo me dizem, o carro das mulheres — respeito é bom e elas merecem — virou território para a prática de outras taras. Então, para evitar novos constrangimentos, criaríamos essa terceira viatura. Os bissexuais, por exemplo, poderiam andar nas três modalidades carrossexuais: a dos homens, a das mullheres e a dos GLS, desde que tragam sempre consigo a sua CNP — Carteira Nacional de Polissexualidade — e que se comportem direito, ora essa!

Poderíamos ter também a separação de carros por afinidades clubísticas — eu voltei outro dia junto com a raçaflá e não sendo raçaflassense sentí-me um pouco coagido — e outras diferenças econômicas, étnicas e culturais. Resta a questão das categorias híbridas… Em que carro vai um homem, 73 anos, nissei, necrófilo, kardecista, vascaíno, classe média, anarquista e obeso? Bom, nesse caso ele vai de táxi mesmo.

E porque não evoluir também nas informações poliglofônicas? Apenas como exemplo, a gravação diria o seguinte: Próxima estação Largo do Machado… estação de integração para Laranjeiras, Cosme Velho, blá-blá-blá, blá-blá-blá… e aí emendava: next stop Largo do Machado, prochain arrêt Largo do Machado, folgender Anschlag Largo do Machado, etc, etc, assim progressivamente.

Rio Cena Contemporânea

O lugar do teatro no país do monopólio televisivo é questionado pela atriz da apresentação de (BOD)-Y-STERIA, de grupo com mesmo nome, que traz ao palco Freud, Camille Paglia, Bush entre outros na sua apresentação.
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A massagista

É, todos os dias, em horas variadas, vou até a janela do meu escritório na Praça Saens Pena olhar se a massagista está trabalhando. Ela trabalha em casa e atende todas as clientes na sua sala, clientes de todos os tipos, na mesinha especial de massagem e sempre espero ter a sorte de poder presenciar a massagem de uma gatinha. Quem me dera poder ganhar a vida massageando mulheres o dia inteiro… Mas que mulher pagaria para um homem safado esfregá-las durante uma hora? Hum… Pode ser que haja um público, mas certamente não o das gatinhas! Então foi isso. Estava eu hoje de volta a minha rotina. Escritório fechado, ar-condicionado ligado, trabalho entediante. Volta e meia, ia até a janela. Bingo! Olhei no relógio e marcava três da tarde. O barulho da praça parecia irrelevante, já que de janela fechada, tudo o que se escuta são as vozes do escritório e os dedos digitando. Mas ela chegou, tirou a roupa e se deitou na maca. Não pude ficar uma hora inteira parado na janela, nem queria que outros colegas descobrissem meu segredo… Mas volta e meia ia até lá, observar, como se estivesse pensando na próxima grande idéia que precisávamos no escritório. Será que elas não sabem que daqui dá pra ver? E que provavelmente outros tarados de outros andares também observam? Quantos homens abaixo e acima de mim estão, exatamente, nesta mesma posição que eu, sonhando com esse momento?

Não demorou muito, após quinze minutos de massagem nas duas coxas da moça, uma pausa para o banheiro. Depois fui pegar um café, mexi em uns papéis só para disfarçar e voltei à janela. Ainda estavam lá… Agora ela estava de bruços! Ao mesmo tempo em que lamentei já ter ido ao banheiro, dei graças a deus. Mas acho que vou ter que voltar… Uma mulher esfregando as costas da outra é demais para a cabeça de qualquer homem da minha idade, com a vida medíocre que eu carrego nas costas. Qualquer janela indiscreta dessas é diversão garantida; fantasia que vai me movimentar durante semanas! Ai, meu deus, como sou patético, eu me causo nojo, mas fazer o que… Preciso conviver comigo mesmo… Alguém me chamou… Merda. Logo agora!

Não me dei por satisfeito. Amanhã continuarei espiando, quero saber quem são as clientes. Elas estão ficando cada vez mais atraentes.

O Rio na visão de seus fotógrafos

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A Arfoc, Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio de Janeiro — êta nome grande! — tem em seu site uma série de 20 ótimas exposições virtuais, tendo a cidade e os habitantes do Rio como temática principal. Excelentes fotos de mestres como Evandro Teixeira, Monique Cabral e Salvador Scofano. A associação é a criadora do jornal Paparazzi, até hoje referência para os profissionais da área. Muitíssimas coisas belas e um sem número de imagens intensas e trágicas. É o Rio, sem as palavras. A fotografia acima, “Centro”, é de Estefan Radovicz.

Essas vacas

vaca.jpgSão quase engraçadinhas, essas vacas. A cidade está cheia delas. As pessoas passam, olham, passam a mão no rabo delas, comentam seus adereços. A parada começou em 1999, em Chicago, e de lá seguiu para centenas de outras cidades do mundo. Em toda a parte, depois da exposição, as peças vão a leilão e a grana arrecadada é doada para alguma instituição pública. No Rio vai para a Obra Social da Cidade. O site cowparade diz porém que elas têm um valor médio de US$ 25.000… Os trocadilhos são inevitáveis e talvez, para comprá-las, só fazendo uma vaquinha… Algumas são muito ruins, é verdade, e em geral não passam de piadinhas estéticas sem maiores pretenções. Conjugam-se as tribos, integram-se as cidades por onde elas passam. Tudo bem relaxa-e-goza. Mas têm lá o mérito de levantar essa graninha, sem dúvida. Na verdade elas pretendem retratar os próprios habitantes da cidade, bem ou mal, com suas peculiaridades bairristas, regionais. Por aqui temos vaca dondoca, de grandes óculos escuros e bolsa de grife (em frente ao Forum de Ipanema), vaca de biquini bebendo água de côco (na Praia do Leblon) vaca com os cascos sobre molas (em frente à Câmara dos Veradores), entre outras mais. Não espere encontrar vaca cheirando cola ou morrendo na fila de hospital público. Nem teremos vacas esquartejadas, em frente às churrascarias. Também não veja nelas nenhuma alusão a nossa condição de povo bovino, manso e passivo. Essas vacas vem apenas para nos entreter: fazem o seu showzinho e depois ruminam em outros pastos. No caso do Rio ficam até 26 de novembro.

Aqui você encontra fotos dessas vacas

eu vou estar cagando para tudo isso:

putaria:

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL140022-5601,00.html

golpe:

http://noticias.terra.com.br/popular/interna/0,,OI1955399-EI1141,00.html

nonsense:

http://jbonline.terra.com.br/extra/2007/10/03/e031013642.html

patético:

http://odia.terra.com.br/rio/htm/geral_126718.asp

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