Tem coisas que só acontecem em Botafogo

bib.jpgSão Clemente pré-natalina, hora do rush, garantia de trânsito engarrafado. A menina sentada ao meu lado saca um livreto da bolsa e começa a leitura. Olho curioso e vejo o acabamento dourado nas bordas das páginas. É claro que é mas, entediado, pergunto o óbvio: é a Bíblia o que você está lendo? Sim! Ah… legal. Prossigo com a carioquice e entabulo uma conversa de doido. Pois é… a despeito das questões religiosas é uma ótima leitura… personagens interessantes… passagens insólitas, essas histórias dos milagres… Sim, responde ela. Arrisco dizer que é bom pra se ler como se fosse um livro normal, mesmo. Mas não, discorda a moça, tem que ler aos poucos… eu leio um ou dois capítulos e paro para refletir… Certo, eu entendo, mas é que eu não sou religioso então vejo mais a parte da literatura, sabe? Você sabia que os livros nasceram da necessidade de se popularizar os ensinamentos religiosos? A famosa Bíblia de Gutenberg foi o primeiro livro da humanidade, a primeira obra impressa, isso há mais de 500 anos… Não, não sabia, mas tem que ler acreditando… e quem lê se salva mas quem não lê vai queimar no fogo do inferno! He-he! Há controvérsias… Emendo com outra pergunta idiota: você frequenta alguma igreja? Sim! Ahã… Ela explica que mais de três quartos da Bíblia correspondem ao Velho Testamento, depois separa e mostra as páginas respectivas ao Velho e ao Novo Testamento. Entendi. Tem aí o Livro de Jó? Perguntei. Tem sim, aqui ó… vai lá e me aponta a parte de Jó. É bom pra ler nesses engarrafamentos! Arremato com uma risadinha. Ela sorri e diz que Jó era um homem bom que foi testado por Deus. Um homem que perdeu em um dia tudo o que tinha! Todos os filhos, todas as posses… Ficou gravemente doente e até a própria mulher o abandonou… Caraca, que merda! murmurei. Mais à vontade, ela contou que além disso os amigos de Jó o abandonaram e ele ficou à mercê do diabo… que assim o tentava para que ele abandonasse a sua fé em Deus. Considerando o trânsito e o ônibus lotado, àquela altura da narrativa eu já estava bem desanimado… Mas ele perseverou e conseguiu vencer o demônio! Ah, muito bom, não é? Sorri pra ela, agora mais contente, sobretudo porque avistei o Largo dos Leões à frente. Resolvi saltar naquela praça onde começou a história do Glorioso alvinegro, bem perto do antigo terreno onde meu avô jogou, participando ainda menino da primeira vitória na história do Botafogo, contra o Petropolitano. Boa sorte, desejei à ela. Vai com Deus, retribuiu a simpática e crente morena. Desci do ônibus pensando que se Jó resistiu a tanto porque nós, botafoguenses, não poderemos resistir a essa desgraceira de 2007?

1 Comment so far

  1. letícia (unregistered) on December 7th, 2007 @ 12:32 pm

    curiosidade em ler a bílbia.
    mas a preguiça vence.

    botafogo(time) me lembra meu tio cláudio, FANÁÁÁÁÁTICO, ensinando pra filha dele, luiza, minha prima de 2 anos, a cantar o hino. a garota não sabia nem dizer que queria ir ao banheiro direito e já sabia cantar:

    “botafooo.. botafoo.. cammmmião, desdmi…e dééíz”

    fofa



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