Archive for February, 2008

a terra é encantada

Montanha_Russa2.jpg

não, não fui na roda gigante, achei caro, deu preguiça, agora evito multidões, rapazes que chamam os amigos de “lék” e meninas com smirnoff ice na mão a noite toda.
uma tarde de sexta feira, senti um estalo de levar um semelhante à uma montanha russa, já que sabia que o tal nunca havia ido numa. partimos com vodka e suco de manga para a barra da tijuca.
a terra encantada, que era pra ser a disney (ui!) brasileira está mais para cidade fantasma. lojas abandonadas, cenários descascando, alguns brinquedos não funcionando. mas como sou xóvem e ávida por adrenalina além de gostosas do sportv saltando de pára quedas e urrando: “que adrenaliiiiiiiiina”, acabei me empolgando maximamente, mesmo com medo de um possível roubo, tamanho deserto era aquilo.
a montanha russa, para a minha felicidade, continua espancando suor, sangue, lágrimas e gargalhadas non-stop. coisa de maluco sentar na primeira cadeira e embarcar num troço que te gira, te sacode, te faz voar, correr. troço de louco. maravilha. bate-bate, kabum, túnel do amor… rolam uns outros bobinhos. mas o tesão mesmo é na montanha russa. achei barato. 25 reais, 2 passaportes. mas outro dia vi que essa promoção vai acabar. então, tipo voa. pode faltar muita coisa: água, banheiro limpo, gente (!), mas a montanha russa vale. vale tudo.

Dicas Culturais (1)

Nome do estabelecimento: Bar Roque I
Tipo: Pé-sujíssimo
Local: Dias Ferreira, esquina com Bartolomeu Mitre, Leblon
Frequência: A mais eclética e esdrúxula possível
Pontos fracos da casa: A cerveja morna e os saquinhos de azeitona cinza
Pontos altos da casa: Não tem

Tem entretanto um somzão pendurado que toca implacável e furioso funk carioca e tem um gerente português com a famosa camisa de pano azul de gerente português, sessenta anos, óculos pesados e ralos fios de cabelo tingidos, obviamente, de preto atravessando o topo da cabeça, de um lado ao outro, de modo a disfarçar a indisfarçável calvície. Ontem, entre um atendimento e outro, o pancadão rolando, o portuga dava uma dançadinha tipo assim: andava pra frente e ia arrastando os dois pés no chão, enquanto fazia ao mesmo tempo um movimento de vai e vem alternado com os dois braços. Gestos pequenos e contidos, lá vai ele arrastando os pés e cantando: Vou subir no palco ao som do tamborzão, sou cachorrona mesmo e late que eu vou passar.

Por que o Rio em separado?

Eu acho que ficamos meio isolados aqui… Onde estão os outros Estados do Brasil? Se só cariocas e fluminenses escrevem e só cariocas e fluminenses lêem, qual o espaço para a troca com quem está “de fora”? Com quem pode acrescentar?

Não há conversa.

Fico me sentindo isolada aqui.
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Gostaria de saber das outras pessoas como se sentem em ter o Rio como berço. Queria conversar com elas. Como está o Rio de Janeiro como terra-mãe? Como está para você? Quero ouvir de você. Não quero só falar, quero escutar. Meus irmãos de berçário… Somos todos um. Não estão se sentindo órfãos?

Vocês se sentem bem acomodados e nutridos com toda essa praia, sol, calor, futebol, carnaval, funk, samba, polícia militar vs tráfico e emoções a 40 graus?
E com essa multiplicidade de experiências que o Rio fornece, que vai desde uma vidinha em comunidade até uma vidinha na Sernambetiba?

Vocês se sentem confortáveis e amamentados? Estão satisfeitos com a vida que levam? Vêem perspectiva de felicidade e futuro nesta cidade a qual pertencemos? “Estou chorando e não estou mamando”, mas muita gente está…

Temos casa, comida e água para lavar a roupa?
Eu acho que a sujeira tem ficado na superfície. Estamos todos caminhando sobre ela.
Não tem purpurina e paetê que esconda, é por isso que estou perguntando. E a bateria tem que encobrir o som de estarmos pisando na lama, por isso é bem alta. Eu não gosto que mintam para mim… Mas acho que o Rio não se importa com as fantasias.

O Rio é muito bonito, mas quando eu penso nisso eu fico tão triste…

Acabou a folia

elephant.jpgNão sei quanto a vocês mas pra mim o carnaval é que nem churrascaria rodízio. A gente não dá conta de tanta fartura em tão pouco tempo. Depois, quando acaba, dá uma certa impressão de que devia ter comido mais um espetinho de coração e mais uma chuletinha ou outra. Eu sempre achei que o carnaval devia ser dividido em dois tempos, com um intervalo de dois dias no meio, para que todos possam trocar de roupa. Mas não, é pauleira assim mesmo.

Falando sério, estou achando bacana esse renascimento do carnaval de rua aqui na cidade. Cada ano que passa são dezenas de novos blocos. E a tendência é que continuem a se reproduzir. I know, it’s only sambinha, but I like it. Sobretudo porque a rapaziada está começando a reinventar a roda. Nem só de Lamartine Babo vive o folião e, a outros ritmos que já vinham se incorporando, este ano o funk deu às caras de vez.

Por isso, posso dizer que também colaborei humildemente — junto com uma tropa de lunáticos vestidos de mulheres feias — com a renovação da MPB. Com o auxílio de um iPod conectado a um megafone lançamos este ano os futuros hits do carnaval carioca, notadamente o som de um orgasmo feminino, os bramidos de uma manada de elefantes e a Canção da Academia de Bombeiro Militar do Distrito Federal, de autoria do Coronel Arnaldo Botelho Barbosa e do Major Evanildo Borges de Moura. É preciso dizer que encontramos uma demente, no Céu na Terra, que já a conhecia e cantou integralmente a letra dessa canção.

Considerando isso tudo, nosso objetivo é, já no carnaval de 2009, gravar uma demo e arrebentar com o som dos orgasmos de uma manada de elefantes do Distrito Federal.

fevereiro

Rio>>Niterói. nossa vida ficou esvaziada de realidade naquele espaço e a nossa visão estava estreitanto ao longo das horas. então pensei em Bavcar chamando a todos nós de cegos. lembro que na altura achei graça do tom. vivemos num mundo que perdeu a visão, ele dizia com muita seriedade, sentenciando talvez. meu acompanhante concordou com a cabeça. saímos daquele lugar antes do horário planejado porque precisávamos respirar coisas e enxergar outras tantas. cruzamos a ponte que nos levaria de volta para minha cidade. estamos sempre voltando para casa, ele disse enquanto mantinha uma mão sob minha perna e a outra no volante. eu fiz que sim num murmúrio. porque não havia o que discordar. e o dia estava tão cheio de imagens simbólicas que eu só pude lamentar por Bavcar nunca ter enxergado aquilo tudo.

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