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Chove…

Chuva no Rio de Janeiro - Do blog Rio que mora no marEsta manhã de primavera está linda e muitas fotos podem ser encontradas na Internet de dias como este, em que o Rio de Janeiro mostra seu lado mais bonito.

No entanto, o post que me chamou a atenção foi este, do belo blog Rio que mora no mar, inspirado na chuvarada de ontem (e que pode se repetir hoje e nos próximos dias).

A poesia de Manuel Bandeira é, como o post, tão bela quanto singela, como tudo o que este mestre fazia.

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É sal, é céu, (é psiu!), é sol, é sul

Antigamente se dizia que Londres era uma cidade que nunca se via. Por causa do fog. Um desavisado poderia perguntar se nunca havia sol na região. É claro que havia, mas aí não seria Londres.
O caso do Rio de Janeiro é contrário. Se você não vê, pode ser qualquer coisa, menos o Rio.
Após alguns dias cinzentos, muita chuva e até uma neblina forte pela manhã, o Rio de Janeiro ressurge, esplendoroso e belo.
Sol e poucas nuvens”, dizem as previsões.
Rio de Janeiro, dizemos nós.

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yurrul

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Visão do Forte de Copacabana, outubro de 2007

Sempre confundi montanha russa com roda gigante, vai entender a dislexia que me habita desde os 7.
Domingo agora começa a funcionar a roda, não tão gigante, no forte de Copa. Ingressos baratinhos, alguns belos minutos pra olhar essa cidade, que cada vez mais, fica mais bonita de longe.
Um vinho, amigos, uma subidinha. Clichezão, mas é uma boa pedida pra essa janeiro com cheiro de chuva que agora me acalma. 8 e infinito de pé. Adoro.
Uma volta na roda com emoção russa de uma montanha.

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Ho-Ho-Ho!

O moleque experimenta o boné e a mãe diz que está lindo mas que vai estragar o topete. Ele tem aquele cabelo liso esticado para cima, com laquê. Vou ao banheiro e vejo um senhor esticando o cabelo enrolado para baixo, com água. Quem reclama de calor não pode reclamar de chuva… Ele concorda comigo e fala que não reclama de nada. Tem 60 anos, saúde boa, é motorista de caminhão e já dirigiu por quatro países na América do Sul. A vendedora da loja de camisetas, caríssimas, é linda e me chama de querido. Eu pensei que ela estava ali porque vai viajar pro Nordeste, no Carnaval. O vendedor na outra loja usa terno, caminha muito rápido e dá umas freadas súbitas com seus sapatos finos, provocando umas derrapadinhas, sonoras, espetaculosas e meio viadas. Em outro canto, duas meninas conversam sobre as maravilhas do Lexotan. Dois negões com sotaque africano me perguntam onde fica a Lacoste. Descubro a calça Coca-Cola. Um jovem cego entra no ônibus e esbarra em mim. Pra onde você vai? Lineu de Paula Machado. Eu te aviso quando saltar. Fala ao celular e eu fico sabendo que o cego vai para um amigo oculto. O passageiro à frente mete a cara na janela e grita pruns caras no bar ao lado da Botafoguense Malas. Ô Jair! Ô Jair! Ô Mendonça! Ô Mendonça! Vai trabalhar! Jair não olha e Mendonça caga. Tá chovendo pra caralho. O cara vira pra mim e diz que vai zoar o Mendonça amanhã. Vira outra vez e fala mais baixo agora: tem um ceguinho sacana que frequenta aquele bar ali, ha-ha-ha!

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Entretenimento

Não vou forçar a ler; quem quiser, clica.
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Malditas festas iguais

Não sei quando foi, mas em algum momento, perceberam que as festas de 15 anos e casamentos estavam se tornando chatas. Perceberam com atraso, rá! Então, se deu início à uma algazarra meio carnavalesca, para trazer mais emoção às tais festas chatiiiinhas. Compram broches de luz, orelhas de coração, pulseiras de néon, gravatas de paetês, e distribuem no salão. Os mais ortodoxos olham desconfiados, refletindo um “onde estão os valores? tsc tsc, mas que bagunça”. Os mais jovens, que amam uma balbúrida, fazem do baile de debutantes um verdadeiro carnaval. Só que, meus amores, é tudo igual. Se ainda fosse um baile de carnaval com mil fantasias diferentes, ahhhh, que maravilha de miscelânia a ser observada. Mas não. A maioria das mulheres usa vestido preto (”não engorda“) e quando recebem os “acessórios da festa” não querem exagerar muito, para não embarangar. Então, colocam com cuidado, o arco de corações que piscam, no cabelo escovado e com reflexos. O que dizer das músicas? QUAL É O SENTIDO - e aqui grito em caps lock, DE SE OUVIR “NEW YORK NEW YORK” numa festa de casamento em pleno Rio de Janeiro? Quantas vezes você já ouviu “Cidade Maravilhosa” numa festa de formatura de formandos em Comunicação Social? E não venham com o papo de que “ahhh, tendo álcool de graça, vale tudo”. Passei da fase do vale-tudo-com-bebida-de-graça. Sentada num canto, com um vestido que não me acompanha, um sapato que me deixa fantasiada, observo de longe a mesmice insuportável dos casamentos, 15 anos e formaturas dos dias de hoje. E em todas as sociais: ricos, classe média e pobres. Tudo a mesma merda. Daqui a pouco, os sucessos do axé, que até eu sei cantar por osmose vital. Discotecas, Bee-Gees, meu pai se levanta, vai dançar. Estou ficando chata. O uísque descendo, mas não ajudando. Agora, claro, funk. O funk ruim. O funk tosco. Porque funk é bom, mas essas pessoas não sabem disso. No banheiro, uma menina comenta: “eu adoro música rave”. Quase vomito o jantar do casamento. Como é que é? Música rave? IH, tô velha. Tô velha e sou tão nova. Todas e todos, com vestidos carérrimos (ou não, rá!) e paletós parecidos, e adereços que brilham, piscam, em cores fluorescentes. Laboratório do comum. Aviso aos navegantes que meu casamento vai ser na praia. E que ninguém gaste dinheiro com uma roupa que só vai usar uma vez na vida. E nada de sapatos. Sempre tiram mesmo, ora bolas. E nada de enfeites moderninhos, made in Japan. Se tudo vira carnaval, confetes e serpentinas serão distribuídas. E quero discursos! Nada de um padre, pastor ou juiz falando texto arcaico com lenga lenga. Quero amigos contando causos e marido declamando poesia. Eu tô delirando? Culpa de outubro.

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ai, que lindo, né?
pffffff

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Post de extraordinária utilidade pública

Escrevo a propósito de informar que agora são 14:50 h e faz um sol de rachar, a despeito de umas poucas cirrus stratus no firmamento, de modo que o sujeito que anteontem ora consertava e ora não consertava o telhado do Ritchie, uma vez que fazia chuva e fazia sol, concomitantemente, voltou ao trabalho hoje, desta vez trajando uma bermuda azul claro, uma camisa de tecido cinza claro e um boné azul e, que agora conta com um auxiliar que traja bermudão azul e vistosa camisa amarela. Aparentemente estão fazendo alguma impermeabilização na laje do prédio, bem em cima do apartamento do Ritchie, como já expliquei antes, considerando aquele latão de metal amarelado ali no alto das telhas e sobretudo levando em conta aqueles movimentos deles, não de todo identificáveis, mas que são executados com uma espécie de vassoura ou o que seja, com cabo, como se estivessem espalhando algo naquela área. Veja o que trinta ou quarenta dias de sol ininterruptos podem provocar. A julgar pela ação dos telhadeiros algum morador ali está bem preocupado com as chuvas.

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Sol e chuva, casamento de viúva

Mas também pode ser chuva e sol, casamento de espanhol. É o que acontece neste exato momento, pelo menos aqui na minha vizinhança, entre a Lagoa e o Humaitá. Agora está trovoando e noto um cheirinho de telha molhada. Pela janela da varanda dá pra ver o Cristo semi-encoberto em meio a água que cai forte. Mas o sol brilha no céu, a oeste, e faz grandes reflexos na água que escorre pelo granito escuro do Corcovado. A leste, em direção ao Centro, densas e cinzentas nuvens. A chuva passou… Não! começou de novo! Mas o sol continua a brilhar. Não tem mais sol agora. Momento confuso no céu da cidade. O homem que consertava as telhas do apartamento do Ritchie, - Menina veneno, o mundo é pequeno demais prá nós dois… - agora há pouco, se escondeu da chuva. Bom, na verdade ele voltou a trabalhar, porque a chuva já passou…

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Da arte de subir em telhados

Esses segundos antes da chuva. Essa TPM dos céus. Essa dança macabra das folhas. O vento dando um rasante na piscina e círculos pequenos procriando mais círculos, um dentro do outro. Esse cheiro que sobe do jardim e me deixa tonta com sete anos. Raízes e caules excitadas dançando silenciosamente, subindo pelas minhas pernas sem meias e picadas por pernilongos. Ainda não chove e percebo que amo a palavra “ainda”. Ainda não é outono, ainda não viajei para longe, ainda não vi um ser sair de dentro de mim, ainda não comprei carne sozinha, ainda não saltei de um avião, ainda não chove. Mas essa TPM do céu vai acabar. A gravidade é óbvia, e tudo desce. Água então. Como desce. Talvez arrisque olhar para cima e beber o que nos é dado. Talvez arrisque uns passos em poças, as onomatopéias que envolvem água me fascinam. Splash. Uma sereia em minha vida. Uns cantos que me levam, me hipnotizam. Hoje levei minha mãe nas Paineiras, ela não lembrava da queda d’água. Preciso tanto de água caindo, que apelei. A força daquilo na cabeça é para abrir um cérebro e retirar memórias ruins. E olha que não chove há tempos. A força nem estava tão assim. Ainda. Eu disse ainda. Grama molhada, céu menstruado. Tudo passou. Sorrimos como pinturas de Normal Rockwell. Guardas-chuvas absorventes impedem que eu me ensope. Hoje eu vou fazer uma prece pra Deus, nosso senhor, pra chuva molhar meu amor. Ainda não é outono, mas eu o celebro.

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Chove, chuva!

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Trinta ou quarenta dias, não importa, pra mim já faz aí uns dois anos que não chove no Rio. A situação é periclitante. Eu moro no último andar do prédio e o sol bate no meu telhado e em toda a lateral do apartamento — que está voltada para o norte, justamente a fachada de maior insolação. Para piorar não tenho ar condicionado, apenas ventiladores de teto e mais um “Arno” com disposivo para repelente de mosquitos… Meu sonho de consumo era um daqueles splits com 300.000 BTUs. O resultado desse calor e da secura do ar é espirro, tosse seca, olhos ardendo e uma prostração digna de Macunaíma.

Mas enquanto eu não ganho na Mega Sena — eu apostei em 02, 21, 27, 29, 37, 59 e deu 08, 09, 39, 44, 49, 58. Quase, não é? Mas ninguém acertou e a grana acumulou para cerca de R$ 11.000.000! — a solução é rezar para que chova. Tenho acompanhado as previsões do tempo — tão aleatórias e erráticas quanto um jogo lotérico — em sites especializados como o do CPTEC e o Windguru, que eu acho ser o mais legal de todos.

Pelas indicações deste último podemos concluir o seguinte: só vai chover no sábado próximo, mesmo assim um pouco, lá pelas seis da tarde; chove mais forte, no domingo, no fim da tarde; a partir do sábado teremos então vários dias de chuva, permanendo uma nebulosidade constante ao longo da semana. Rezemos, pois.

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