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Da série: recomendações da semana - o retorno

Perdi a conta de quantos aniversários fui na Champanharia Ovelha Negra - rua Bambina, 120, Botafogo. Foram tantos, que a minha facção até enjoou. Deu um tempo. A Ovelha Negra é a quarta Champanheria que o carioca Marco Cordeiro e os gaúchos Daniel Giacoboni e Marcelo Paes inauguraram no país. As outras três são em Porto Alegre, Brasília e duas em Curitiba. Só rola espumante. O que é um bom descanso dos bares com suas cervejas e caipirinhas de sempre. Garrafas a preços humanos de 27 reais. O lance, eu descobri, é pagar uma garrafa e oferecer para todo mundo. Que aí TODO mundo paga uma garrafa e te oferece também. Mas se você está acostumado a beber 4 choppes, 4 caipirinhas e só ficar um pouco feliz, prepare-se para beber 4 taças e sentir um sério estado alterado da mente. A casa (um casarão velho bonito) possui uma mesa coletiva e outras mesinhas espalhadas. A primeira vez que fui, percebi que eu precisava aprender a beber champagne. Porque o troço sobe. E sobe muito. Muitos parabéns foram gritados ali para espanto dos freqüentadores comportados. Sim, rolam umas tiazinhas & tiozinhos mais finos e comportados. Mas zuzu bem, porque todo mundo sai dali com sorriso colgate. O estabelecimento só abre de segunda à sexta. E fecha à meia-noite quando um simpático sino é tocado pelo gerente. Gerente, garçom, funcionário. Meia noite já não sei quem é quem, quem sou eu, em que bairro estou. Ah sim, Bostafogo. Vale contar que é vendido um sanduíche - salvador da pátria - num pão cacetinho. Achei graça do nome e cliquei. Pela banalização do champa, apareça lá sem motivo algum. Não vá comemorar aniversário, nem meses de namoro, nem nada. Vá pelo delírio champagnesco. Mas vá em doses homeopáticas. Não faça como eu e meus amigos que gastamos o lugar. Se bem que agora já faz um ano que não apareço lá. Deu vontade.

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Um pão com esse nome dá até fome, né? Ou tira? Well, well…

No final, as coisas podem ficar meio tortas. Cuidado. Mas aproveite.

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O dia em que eu fui ao baile do Copacabana Palace

Amigo meu com mais de 50 anos, fotógrafo conhecido, me liga e diz:
“Letícia, quer ir ao baile do Copa comigo?”
Eu, com 20 e poucos, atriz desconhecida, penso em roupas, mas digo:
“Porra, claro!”
Minha mãe, com quase 50, professora de francês, pensa-mas-não-diz:
“Esse velho quer te comer”

Eu mostro a minha mãe que não-é-bem-assim. Frederico e eu somos amigos. Ele me conta das coroas (ou não coroas), fala do filho, dos amigos dos filhos, e eu ouço e aprendo e babo nas suas fotos com o Bob Marley na parede do estúdio.

Com que roupa eu vou? Com que roupa eu vou? Ao baile que você me convidou?
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