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	<title>Rio de Janeiro Metblogs &#187; rio_elton</title>
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	<pubDate>Sun, 30 Nov 2008 07:56:25 +0000</pubDate>
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		<title>tropa de elite</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Sep 2007 03:16:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_elton</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Um amigo de um primo comprou o &#8220;Tropa de Elite&#8221; em um camelô, e narrou pra mim o que acontece via mímica. Você não perguntou mas, azar seu, vou te dizer o que achei assim mesmo.
Me pareceu um filme não só acima da mera barrinha de competência técnica (coisa que Cidade de Deus, um filme [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um amigo de um primo comprou o &#8220;Tropa de Elite&#8221; em um camelô, e narrou pra mim o que acontece via mímica. Você não perguntou mas, azar seu, vou te dizer o que achei assim mesmo.</p>
<p>Me pareceu um filme não só acima da mera barrinha de competência técnica (coisa que Cidade de Deus, um filme apenas bobo, macumba de butique <i>for export</i>, já era), mas feito com senso de diversão, a diversão basal, macha, antiintelectual que a vertente <i>verité</i> do filme ou livro policial oferece, que consiste basicamente na  possibilidade de acompanhar um oficial da lei ou detetive numa diligência perigosa, com chances de resolução violenta e risco de vida. </p>
<p>Não vi muitos filmes policiais (não vi muitos filmes) - os companheiros de portal com certeza conhecem mais, têm listas mesmo de favoritos (HINT aí, né turma). Destes policiais com uma aproximação mas realista, gosto de &#8220;Operação França&#8221;, com Gene Hackman fazendo um policial nervosinho (mas ainda não vi &#8220;Get Carter&#8221;, ou &#8220;Bullit&#8221;, ou, ou). E agora, pelo jeito, gosto de &#8220;Tropa de Elite&#8221;, em que Wagner Moura faz um policial mais nervoso ainda.</p>
<p>A idéia original do filme era ser um documentário; segundo nossa tradição de fazê-los bem, o resultado não desaponta. Suponho que seja impossível falar de um filme como este sem tratar de suas bases ou pretensões sociológicas. O filme policial <i>vérité</i> é necessariamente um documento muito próximo da sociologia - um instantâneo de costumes e expressões circunscritas a determinado local e época, mas focando especialmente a área de atrito entre extratos sociais diferentes (a sociedade estabelecida é representada pelas forças de repressão, por exemplo - aliás, desculpem o sotaque ligeiramente francês, é só meio inevitável, dado o assunto. Há mesmo uma cena numa sala de faculdade de Direito em que o careca submisso (refiro-me, é claro, a Foucault) não sai da boca das aluninhas (o livro citado é &#8220;Vigiar e Punir&#8221;, <i>quelle surprise</i>). E, aliás, cosa mui linda, o filme dá uma caneladinha em certa atmosfera que quem já fez faculdade pública (não me refiro à área de Exatas, claro) reconhecerá de cara. O papagear narcotizado, pré-mastigando a papinha ideológica de um menu com validade vencida de décadas, as respostas já esperadas, senhas para o equivalente da estrelinha dourada na testa dos tempos de jardim de infância (é a &#8220;melhor faculdade de Direito do Rio&#8221;, no filme - o que não impede que os alunos a frequentem de bermuda e camisa praiana, tá ligado? A cena é <i>clueless</i> como na vida real - e trouxe lembranças a este velho).</p>
<p>Ah, spoilers, é.</p>
<p>Noutra cena, um personagem invade uma passeata pela paz e desce o braço num dos participantes. Ulalá. Talvez seja isto que meus amgos esclarecidos politicamente querem dizer com debate: O playboyzinho maconheiro sacudia muito no chão, é verdade, ao ser chutado de um canto pro outro.</p>
<p>Obviamente o filme dará motivo para todo tipo de discussão sobre esse ramerrame de sempre. Você sabe&#8230; aqueles temas do Fantástico lá. Mas o filme apenas documenta a realidade das zonas de conflito no Rio. Não me venham falar de distorções; claro que há distorções, mas elas não tocam no ponto principal, são acessórias (como por exemplo: Se a probidade a toda provas do BOPE é factual; ou se a PM é mesmo tão corrupta assim).Digo que o troço é meramente documental porque a discussão sobre o problema não sobe para esferas mais delicadas, onde as respostas começam a ficar interessantes de verdade:</p>
<p>O tráfico de drogas é um negócio de US$400 bi por ano, então&#8230; não vai parar. Não vai parar nem se Jesus Cristo descesse do céu e pedisse de joelhos. Você precisaria de um argumento muito bom para conseguir isso. Tente aí. Pense *de com força* num argumento para convencer alguém de que investir US$13 bi e ter retorno de US$400 bi livre de impostos não é algo que se deva continuar a fazer enquanto for possível (o que me lembra: Ninguém vai parar de se drogar. <i>Ninguém vai parar de se drogar</i>. Neguinho sempre se drogou, as mumiazinhas do Museu lá <i>todas</i> se drogavam, tudo junkie. Ninguém vai parar de se drogar, malz ae.)</p>
<p><b>the war on some drugs</b></p>
<p>Um negócio de US$400 bi por ano não vai parar porque isso geraria um vácuo econômico, e seria estúpido pensar em algo assim. E, se mesmo empresas que valem lá seus digamos 100 milhões já terão seu magote de lobistas, políticos, que dirá um sistema que dispõe de tanta grana. O tráfico de drogas não vai acabar porque está bom do jeito que está. Está <i>ótimo</i> do jeito que está.</p>
<p>A discussão sobre se o filme &#8220;se posiciona de maneira correta frente ao problema das drogas&#8221; perde o sentido; Se o filme não toca o ponto principal, a raiz a partir do qual o problema floresce e se desdobra, então o que sobra é a documentação do corte (e imediato renascimento) das cabeças da Hidra: Que os caras do BOPE são animais mesmo, quando têm que ser, fazendo coisas que você deve dar muitas graças por não fazerem parte da descrição do seu trabalho. Que os policiais põem a culpa na &#8220;burguesia-zona-sul&#8221; do Rio, nos consumidores de drogas que financiam o tráfico; Que a tendência é a escalada da violência à medida que a população aumenta e as armas vão subindo de calibre (sabemos  de lança-foguetes, carros blindados que são filhotinhos de tanque etc); que os playboys&#8230; sei lá, são babacas mesmo, e por aí vai. No final, foi a aproximação mais adequada para o material, que pode se concentrar apenas em mostrar de maneira realista e excitante as incursões dos Caveiras.</p>
<p>Me parece que o protagonista do &#8220;Tropa&#8230;&#8221; é o mesmo ex-integrante do BOPE que deu uma entrevista à Trip há alguns anos. O cara entrou pra polícia por opção livre e própria, por querer fazer algo, chegando a tirar grana do próprio bolso em cursos de aprimoramento etc. Aparentemente ele se desiludiu lá dentro por ver como a banda toca de verdade (o filme mostra isso em vários níveis). Parece que ele optou por sair e trabalhar com segurança privada&#8230; e hoje é a favor da descriminação das drogas. O filme não toca nestes pontos e nem precisa. Apresenta a visão da polícia mesmo e pronto - se o sujeito está portando um fuzil todo pimpão na favela, <i>acabou pra ele</i>.</p>
<p>Claro que faço uma distinção entre a fria resolução profissional de executar uma ação para atingir um fim objetivo com o mínimo possível de dano colateral e demonstrações de crueldade e sadismo. Por uma simples noção de elegância, mesmo. E não duvido de que haja profissionais que podem se orgulhar de executar sua profissão dentro dos parâmetros estipulados pela máxima bélica inglesa no séc. XIX: Oferecer violência (<i>&#8220;offer violence&#8221;</i>, no original - expressão que acho linda) no nível mínimo necessário para atingir determinado fim. Mais do que isso não se pode pedir numa guerra - e é uma guerra. No caso do Rio, todos os clichês se realizam. O negócio de US$400 bi globais não pode ter suas disputas resolvidas legalmente, então todas as queixas se conciliam em violência, frequentemente extrema e imaginativa. É o tipo de métier para lobos, não para assistentes sociais: Só lobos podem caçar lobos.</p>
<p>(O Rio de Janeiro faz a gente pensar nestas merdas. A cidade tem o clima mais boa-gente e relaxado que se pode conceber - e no entanto, pode ficar surreal-do-mal  <i>muito rápido</i>, dependendo de onde você estiver (o filme mostra isso numa cena - que achei desnecessária e de mau-gosto. Não concebo assisti-la na tela grande, deve dar uma onda errada fudida). Eu sei que há casos em que a única resolução possível é a violenta. Não vivemos num mundo perfeito apesar de vivermos no melhor dos mundos.)</p>
<p>Enfim, é isso. Bem legal o filme. &#8220;Tropa de Elite&#8221; passa longe da histrionice carioca exagerada de &#8220;Cidade de Deus&#8221;. Há talvez uma caricaturização da proverbial boca-suja nativa (só ocasionalmente: Quase todos os palavrões e sujidades proferidas no filme estão impecáveis, eu fiz uma tabelinha). E é bem citável, coisa rara em filme nacional (vá em frente, lembre aí de mais que meia dúzia de linhas de diálogos de filmes nacionais - e variações de &#8220;filha-da-puta&#8221; ou &#8220;puta-que-pariu&#8221; não valem). As pessoas lembram dos nomes de vários personagens de &#8220;Tropa&#8230;&#8221;, e professam preferência mesmo por personagens terciários. Lembra como os americanos dominavam a arte do filme de diálogos memoráveis, que os geeks de cinema repetiam depois entre si? Você sabe, um dos sinais de que determinada peça de ficção está funcionando bem, está em sintonia com o público. A comunidade do filme no Orkut já conta com 33.000 jenhos (entre os quais me incluo) que sabem de cor longos trechos de diálogo do filme, <i>exempli gratia</i>:</p>
<p><b>01</b> (Wagner Moura, o Cap. Nascimento, confirmando minha tese de que baiano com raiva é o diabo): Caralho que vontade de meter tiro nesses filha da puta&#8230;<br />
<b>14</b> (um sniper): Qual deles, meu capitão, só falar.<br />
<b>01</b>: Nesses filha da puta da PM (A PM carioca não é mostrada muito favoravelmente. Eles são o Sistema estabelecido, subsistindo dos próprios problemas da cidade).<br />
(&#8230;)<br />
<b>14</b>: 01, &#8216;cho que dá pra derrubar dois coelhos com uma porrada só aqui hein&#8230;<br />
<b>01</b> É 100%, 14?<br />
<b>14</b>: Caveira, meu capitão.<br />
<b>01</b>: Então senta o dedo nessa porra.</p>
<p>Miolos. Etc.</p>
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		<title>tem programa pro dia 30?</title>
		<link>http://rio.metblogs.com/2007/06/21/tem-programa-pro-dia-30/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Jun 2007 17:31:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_elton</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode promover essas coisa? Não deixa de ser um evento, ahm, muitas aspas cultural no Rio, hein. Sem falar que Letícia Novaes, a mulher grande que também escreve aqui, também estará lá. E é isso:

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode promover essas coisa? Não deixa de ser um evento, ahm, muitas aspas cultural no Rio, hein. Sem falar que Letícia Novaes, a mulher grande que também escreve aqui, também estará lá. E é isso:</p>
<p><img src="http://xy7htk.wunderblogs.com/flyer-emily-30-06-final.jpg" border="1"></p>
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		<title>e dico di sì</title>
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		<pubDate>Tue, 15 May 2007 18:18:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_elton</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[E Sexta retrasada, ópera.
Não sei se ainda estão levando (notem o tom plebeu) &#8220;As Bodas de Fígaro&#8221; no Municipal, mas recomendo o programa. Nem que seja só pela beleza do lugar (ou pelo kitsch do restaurante, que poderia ter saído de um parque temático do Indiana Jones. Se você nunca foi lá, basta imaginar como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E Sexta retrasada, ópera.</p>
<p>Não sei se ainda estão levando (notem o tom plebeu) &#8220;As Bodas de Fígaro&#8221; no Municipal, mas recomendo o programa. Nem que seja só pela beleza do lugar (ou pelo kitsch do restaurante, que poderia ter saído de um parque temático do Indiana Jones. Se você nunca foi lá, basta imaginar como é estar encerrado numa tumba de faraó gay.), que justificaria uma visita mesmo sem nenhum espetáculo acontecendo.</p>
<p>No meu caso, a visita de um amigo de Brasília acabou causando tipo uma invasão jóveim ao Municipal, tipo umas dez cabeças em 2 frisas contíguas, do lado esquerdo do palco. Perto o suficiente pra se apaixonar umas três vezes pelas mezzo sopranos e se quedar com expressão bocó no escuro pensando &#8220;Elas existem de verdade, então, não é só no cinema&#8221;.</p>
<p>Foi a primeira vez que fui à ópera, ou ao Theatro Municipal. Infelizmente, por termos entrado em cima da hora (esperávamos um amigo que teve um encontro pouco amigável com um espécime da fauna local e acabou perdendo o celular), não pude andar direito pelo lugar, erro que espero consertar em breve.</p>
<p><img alt="Interior_do_Theatro_Municipal.jpg" src="http://rio.metblogs.com/archives/images/2007/05/Interior_do_Theatro_Municipal.jpg" width="600" height="450" border="1" /></p>
<p>Quanto à ópera, bem, eu não sou um conhecedor, embora já tivesse algumas árias das &#8220;Bodas..&#8221; decoradas dos Youtubes da vida, e das cenas do filme &#8220;Amadeus&#8221; (&#8221;Amadeus&#8221;,  aliás, acaba sendo uma maneira ruim de entrar em contato com as obras do Mozart, porque as versões que aparecem no filme são <i>tão mas tão</i> boas, Sir Neville Marriner meteu <i>tanto mas tanto</i> a mão, que torna difícil encontrar gravações feitas com tanto <i>gusto</i> e brilho (basta comparar a ária &#8220;Martern allen Arten&#8221; do &#8220;Rapto do Serralho&#8221; com outras versões - é páreo bem duro - ou pelo menos assim pareceu para este par de ouvidos de madeira aqui). Mas se dizem que no sexo brasileiro goza quando conta, na arte o bom mesmo deve ser dar pitaco:</p>
<p><img alt="moses.jpg" src="http://rio.metblogs.com/archives/images/2007/05/moses.jpg" width="188" height="280" border="1" /><br />
<font size="1"><i>&#8220;Essas orelhas de coelhinha da Playboy tão foda, hein, Michelangelo&#8230;&#8221;</i></font></p>
<p>Esta versão é por sorte mais próxima ao molde clássico, como se podia notar no figurino, historicamente fidedigno, e luxuoso sem causar distração, embora com pouca variação de cor. A figurinista (pode ter sido um homem também, não sei, o libreto estava cinco paus) privilegiou tons claros, pastéis e neutros, tornando a apresentação visual dos personagens um tanto indistinta. A cenografia era minimalista talvez um pouco demais pro meu gosto, mas pelo menos não havia acenos anacrônicos ou &#8220;intervenções&#8221; desnecessárias, remetendo adequadamente ao período em que a história se passa). Alguns toques pessoais da direção foram:</p>
<p>- Um personagem extra no palco: Mozart aparece na peça mas não fala um &#8220;a&#8221;. Fica apenas de lado no palco, tocando cravo - e uma vez ele sussurra instruções de canto para Marcellina;</p>
<p>- Uma &#8220;ola&#8221; que o corpo de de balé executou num determinado momento. É sério;</p>
<p>- Uns caras musculosos seminus representando sabe lá Deus o quê fazendo dancinhas desnecessárias no fundo do palco em certos momentos. É sério;</p>
<p>- Na cena em que Cherubino descobre que terá que se alistar, a indumentária militar dos dançarinos é ostensivamente minada de qualquer pretensão a seriedade: Os capacetes são chapéus de jornal dos que as crianças fazem, as armas são mosquetes cenográficos de boca exagerada e cômica.</p>
<p>Não posso oferecer comentários quanto à execução da música por ainda não ter comparado com outras versões - e também por ter sido a primeira vez que ouvi música erudita ao vivo, rs. Um amigo reclamou que o início do primeiro ato pareceu meio apressado, por exemplo. Mas achei os recitativos algo cansativos pro meu gosto, e nesse caso admito uma preferência pelo <i>Singspiel</i> (como no &#8220;Rapto&#8230;&#8221;), com os trechos de diálogo falados como no teatro normal, e não o meio termo entre canto e fala. Outro amigo diz que ópera é artificialismo mesmo, e que trechos falados entremeados à música aproximariam o espetáculo de musicais da Broadway. Ambos os amigos entendem mais de ópera que eu, então não me escutem.</p>
<p>Luiza Francesconi, no papel de Cherubino, foi a mais aplaudida, em parte por causa dos aspectos de &#8220;clown&#8221; do personagem, em parte pela vivacidade, graça e beleza da atriz (seria esperar demais da minha fé que eu dissesse que suas qualidades técnicas foram devidamente apreciadas por um público que fazia questão de rir por qualquer motivo, interrompendo o fluxo da história). Para uma crítica técnica mais detalhada no que concerne à performance vocal dos atores, recomendo <a href="http://www.geocities.com/rmlibonati/">este post</a>, em Inglês. Procure pelo tópico <b>&#8220;Problems in the Almaviva household&#8221;</b>.</p>
<p>Quanto à música, com certeza Mozart não precisa das <i>minhas</i> palavras de louvor. Me lembro que no &#8220;Rapto&#8230;&#8221;, quando, durante a já citada <i>&#8220;Martern allen Arten&#8221;</i>, Constance diz ao paxá <i>&#8220;E minha morte me libertará no final&#8221;</i>, a música que acompanha o trecho é a tradução aural mais perfeita da letra, duas erupções súbitas, agudas, que ascendem como uma alma subitamente liberta do peso da vida, como se lastros invisíveis fossem cortados, se <i>abrindo e subindo</i> com tons alegres como poucas coisas são alegres, de uma leveza e despreocupação do tipo que só a liberdade absoluta concede, como se a morte fosse mesmo uma <i>&#8220;awfully big adventure&#8221;</i>, como dizia Peter Pan. Os <i>arpeggios</i> que se seguem, desafiantes e imponentes, são a expressão confiante e orgulhosa da irredutibilidade final de quem encontra provisões de coragem para enfrentar a morte dentro de si mesmo - no Amor. Essa é a música inalcançável ao mero talento, inventiva, <i>eloquente</i>, sublime. No final das &#8220;Bodas&#8230;&#8221; eu se arrupiei todo, quando começou o <a href="http://www.4shared.com/file/16002108/5b909d5f/Le_Nozze_Di_Figaro-Act_IV-Ah_Tutti_Contenti.html"><i>&#8220;Ah tutti contenti&#8221;</i></a> (que diabos, baixe, ouça e se arrupeie também). E pra terminar com outra coisa que público carioca curte, segue a letra pra cantar junto no banheiro:</p>
<pre>BASILIO, CURZIO, ALMAVIVA,
BARTOLO &amp; ANTONIO:
(Oh cielo, che veggio!
Deliro! Vaneggio!
Che creder non so?)

IL CONTE:
Contessa, perdono!

LA CONTESSA:
Più docile io sono,
e dico di sì.

TUTTI:
Ah, tutti contenti
saremo così.</pre>
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		<title></title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2007 16:29:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_elton</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Se um dia bater vontade de você baixar *tudo* do Mozart&#8230;
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://duggmirror.com/music/Download_ALL_Mozart_works_in_mp3_legally/">Se um dia bater vontade de você baixar *tudo* do Mozart&#8230;</a></p>
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		<title>domingo, 1º de Abril</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Apr 2007 18:57:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_elton</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Domingo por volta das nove da manhã começamos a subir. O dia está claro e ainda não muito quente, e subimos sem dificuldade a primeira parte do trajeto: basicamente uma inclinação suave num caminho de pedra, que aos poucos, quase imperceptivelmente, vai ficando mais íngreme.
Falamos pouco para poupar oxigênio, nos concentrando em negociar o melhor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Domingo por volta das nove da manhã começamos a subir. O dia está claro e ainda não muito quente, e subimos sem dificuldade a primeira parte do trajeto: basicamente uma inclinação suave num caminho de pedra, que aos poucos, quase imperceptivelmente, vai ficando mais íngreme.</p>
<p>Falamos pouco para poupar oxigênio, nos concentrando em negociar o melhor possível o peso das mochilas com a inclinação da subida, troncos inclinados para a frente, e bastante energia ainda para fazer piadas. O caminho agora é formado por degraus sucessivos apoiados ou sobre as raízes da árvores ou sobre tabiques de madeira colocados para esse fim. De um lado e de outro do caminho, mata fechada, cipós e barrancos inclinados que a vegetação encobre - e embora estejamos protegidos do Sol e do calor pela humidade da floresta, já dá pra perceber que o dia vai ficando mais quente.</p>
<p>Logo o terreno começa a ficar acidentado de verdade: grandes pedras que têm que ser vencidas num ensaio da escalada de verdade que nos aguarda. E continuamos a subir, usando cipós e troncos finos de árvores para nos içar, e olhando de vez em quando para trás já podemos ver pedaços da Barra da Tijuca ao longe, bem embaixo, a praia apenas uma faixa branca e o mar imenso, verde esmeralda e azul. Aglomerações de casas e vilas no meio do mato e uma ou outra mansão solitária.</p>
<p>Finalmente saímos da proteção da floresta para o Sol que já queimava - do chão úmido de terra batida para o solo seco e amarelo de onde sobe uma poeira fina e sufocante em que temos que pisar com cuidado para não escorregar, passando por um breve trecho de queimada - chão e vegetação negra, torrada, cheiro de chaminé de fábrica, cheiro de tijolo queimado. Hora de tirar a camiseta e amarrar na cabeça, que não tá fácil, hora de beber mais água e olhar para o alto, para o topo do pico da Gávea, que ainda está longe.</p>
<p>Após continuarmos subindo e tostando, escorregando na poeira, finalmente chegamos à base de pedra onde a escalada pra valer começa - escalada improvisada, usando apenas mãos e pés, bom-senso em certos trechos e absoluta falta de em outros (é saber reconhecer quando é hora de um e a hora do outro). O trecho ganhou nome próprio, o que deve significar algo: A Carrasqueira, um ponto da subida em que o sujeito tem que ser muito malandro, pois um deslize e é queda livre sem ter onde se agarrar - às nossas costas, o Rio de Janeiro inteiro, pequeno, lá embaixo, e nada mais.</p>
<p>É um dia movimentado no pico da Gávea, e um monte de gente faz fila para subir, grupos de jovens mochileiros, um tiozão esportista, <i>small talk</i> entre um gole de água e outro, grupos tirando fotos com a paisagem belíssima ao fundo. Há um clima agradável de apoio mútuo e encorajamento, as pessoas oferecem as mãos como suporte para quem tem dificuldade, dão conselhos sobre a melhor maneira de subir, tranquilizam algumas das garotas mais nervosas. Não parece um lugar em que caiba uma tragédia, com tantos sorrisos e histórias sendo compartilhadas, e no entanto, enquanto subo tateando à procura de pontos de apoio para as mãos e os pés, não posso deixar de olhar para trás, para baixo, e, sentindo a vertigem inevitável, imaginar o quanto agora depende de alguns segundos de indecisão, de talvez alguns gramas a mais de peso numa pedra não-confiável. É tudo amadorístico, não há ganchos ou cordas, nenhum dispositivo de segurança, e a Carrasqueira, embora não seja muito íngreme, é traiçoeira por não ter muitos reentrâncias óbvias por onde progredir, o que requer um ato de fé em muitos pontos: confiar que a inclinação e a força dos seus dedos serão suficientes para que não se escorregue. A rocha é quente tocando meu peito e barriga, e ainda assim eu me aperto mais contra a montanha, tentando não me distrair com os pensamentos insistentes sobre se a sola dos meus tênis é aderente o suficiente, sobre o que exatamente vai acontecer quando eu tiver que depositar todo o peso do corpo em alguns centímetros quadrados de área. De alguma forma eu consigo me içar até o pico da pedra, e a partir daí fica mais fácil: É só seguir com cuidado a trilha estreita de barro seco - com cuidado mesmo, porque de um lado é pedra e do outro é absolutamente nada - até o ponto em que o terreno se estabiliza.</p>
<p>Em pouco tempo estamos no topo, e o Rio de Janeiro agora cabe todo num olhar: Zona Norte e Zona Sul, a Lagoa, os Dois Irmãos, a floresta; de um ponto oposto ao nosso, descem suavemente asas-delta e parapentes coloridos, no mar podemos ver barquinhos brancos fazendo evoluções entre as ilhotas.</p>
<p>Hora de descansar e apreciar a vista, tentando esquecer que a Carrasqueira é ainda pior de descer que de subir.<br />
<img alt="elton-gavea1.jpg" src="http://rio.metblogs.com/archives/images/2007/04/elton-gavea1.jpg" width="500" height="802"></p>
]]></content:encoded>
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		<title>um olhar crítico sobre a indústria cultural baiana</title>
		<link>http://rio.metblogs.com/2007/03/26/um-olhar-critico-sobre-a-industria-cultural-baiana/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Mar 2007 20:14:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_elton</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Difícil lutar contra a impressão de que o mundo se encaminha para um espasmo final de boçalidade à medida que vamos envelhecendo. Isso sem dúvida explica a expressão nos rostos dos velhinhos menos senis, algo como uma resignação de quem sabe que pelo menos não terá que aturar os solavancos do vagão de gado por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Difícil lutar contra a impressão de que o mundo se encaminha para um espasmo final de boçalidade à medida que vamos envelhecendo. Isso sem dúvida explica a expressão nos rostos dos velhinhos menos senis, algo como uma resignação de quem sabe que pelo menos não terá que aturar os solavancos do vagão de gado por muito mais tempo.</p>
<p>Cinema me dá muito essa sensação. Nos anos 80 um filme do digamos Batman tinha piadas com obras do Francis Bacon e linhas memoráveis que se tornaram bóias salva-vidas para alguns (<i>&#8220;Essa cidade precisa de um purgante&#8221;</i> - quanta verdade há nessas palavras, palhaço do crime); a versão dos anos 00 é &#8220;relevante para o clima político atual&#8221;, com linhas como <i>&#8220;It&#8217;s not who I am underneath, but what I do that defines me&#8221;.</i></p>
<p>Mas tudo isso mesmo só pra dizer que ontem eu vi um spot num programa de auditório em que uma pobre coitada engajada lia num cartãozinho sobre um, ahm, filme cuja essência e propósito enquanto obra de arte era lançar &#8220;um olhar crítico sobre a indústria cultural baiana&#8221;.</p>
<p>Vamos saborear isso de novo:</p>
<p><i>&#8220;Este filme lança um olhar crítico sobre a indústria cultural baiana&#8221;.</i></p>
<p>Agora, somos todos homens do mundo aqui, temos estado por aí já há algum tempo, temos visto até bastante, e consideramos grosseiras manifestações ostensivas de qualquer coisa, inclusive de <i>world-weary cynicism</i>, de ironia descolada, mas eu estou falando basicamente de um ambiente mental em que um adulto pode ir na televisão zurrar um troço desse calibre com uma candura e um comprometimento que só se costuma encontrar nas expressões de santos mártires em folhinhas católicas, sem suscitar o mais brando franzir de sobrancelhas entre os presentes<sup>1</sup>. A mulher diz aquilo e olha pro apresentador de programa com <i>intensidade</i>. A indústria cultural baiana, rapaz.</p>
<p>O filme estréia dia 30 agora, e a maior preocupação dos realizadores é &#8220;300&#8243;, de Zack Snyder, que estréia no Brasil no mesmo dia.</p>
<p>Ou seja, de um lado você tem um filme que lança um olhar crítico sobe a indústria cultural baiana, e do outro você tem um filme sobre 300 espartanos que combateram durante três dias e até o último homem o vastamente superior exército Persa, numa das mais famosas passagens militares da História.</p>
<p><i>All together now: Mmmmm&#8230;</i><br />
&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><font size="1"><sup>1</sup> - Só me faz pensar que tem muita gente por aí com dinheiro (dos outros) na mão e sem a menor idéia do que fazer com ele (ou com muito espírito de porco). Só isso explica &#8220;Antônia&#8221;, o <a href="http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=5665&amp;language=pt">fracasso de bilheteria mais legal do ano</a>. Sério, façamos uma experiência aqui: Fechem os olhos e imaginem o tamanho do público-alvo potencial para um filme sobre garotas do subúrbio que viram estrelas superando obstáculos sociais e discutindo problemas femininos.</p>
<p>Vamos lá, de com força agora. Quantos dos seus conhecidos você consegue realisticamente imaginar dizendo &#8220;Putz, tou muito a fim de ver &#8216;Antônia&#8217;, parece que as meninas cantam pra caralho&#8221;. É, e elas dançam, também. Elas têm uns passos assim, tal.</p>
<p>Na boa, cineastinhas de esquerda (como se houvesse outro tipo) do meu Brasil: Vamos fazer cursinho por correspondência de eletrotécnico, chaveiro ou de mecânica de automóveis? Nunca é tarde para experimentar a sensação de realização de um trabalho bem-feito, de ser um cidadão que efetivamente colabora de alguma forma mensurável para o bem-estar da sociedade (E Deus sabe como é difícil achar um chaveiro de confiança quando a gente precisa&#8230;)</font></p>
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		<title>googlehack para mp3s (funciona que é uma coisa)</title>
		<link>http://rio.metblogs.com/2007/03/19/googlehack-para-mp3s-funciona-que-e-uma-coisa/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Mar 2007 15:33:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_elton</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[[[  -inurl:(htm&#124;html&#124;php) intitle:"index of" +"last modified" +"parent directory" +description +size +(wma&#124;mp3) "Nirvana" ]]
daí basta trocar &#8220;Nirvana&#8221; pelo artista que você quer e tchananas. de nada. &#62;)
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[[  -inurl:(htm|html|php) intitle:"index of" +"last modified" +"parent directory" +description +size +(wma|mp3) "Nirvana" ]]</p>
<p>daí basta trocar &#8220;Nirvana&#8221; pelo artista que você quer e tchananas. de nada. &gt;)</p>
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		<title>enquanto isso, na capa da revista de domingo do jornal concorrente&#8230;</title>
		<link>http://rio.metblogs.com/2007/03/05/enquanto-isso-na-capa-da-revista-de-domingo-do-jornal-concorrente/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Mar 2007 21:49:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_elton</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Banda Calypso nossa que estais no palco.
Gravado seja vosso cd e dvd,
Venha a nós tirar uma foto
Que seja feito esse favor,
Assim em show como em programa de tv.
O autógrafo de cada dia nos dai hoje.
Perdoai nosso tempo perdido com outro som,
Assim como nós perdoamos a quem odeia calypso.
Não deixeis desmaiar nos shows,
É livrai-nos da pirataria.
AMÉM!&#8221;
*Sigh*.
Bom, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>&#8220;Banda Calypso nossa que estais no palco.<br />
Gravado seja vosso cd e dvd,<br />
Venha a nós tirar uma foto<br />
Que seja feito esse favor,<br />
Assim em show como em programa de tv.<br />
O autógrafo de cada dia nos dai hoje.<br />
Perdoai nosso tempo perdido com outro som,<br />
Assim como nós perdoamos a quem odeia calypso.<br />
Não deixeis desmaiar nos shows,<br />
É livrai-nos da pirataria.<br />
AMÉM!&#8221;</i></p>
<p>*Sigh*.</p>
<p>Bom, nunca é tarde pra mudar a assinatura do jornal, pelo menos.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>onde eu já vi essa cara antes?</title>
		<link>http://rio.metblogs.com/2007/03/05/onde-eu-ja-vi-essa-cara-antes/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Mar 2007 19:41:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_elton</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
Não achou que fosse passar em branco justo aqui, né? &#62;)
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ee.jornaldobrasil.com.br/reader/default.asp?cp=2"><img alt="stellar.jpg" src="http://rio.metblogs.com/archives/images/2007/03/stellar.jpg" width="325" height="429" /></a></p>
<p>Não achou que fosse passar em branco justo aqui, né? &gt;)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>coisas para se fazer no rio no carnaval com uma namorada súbita</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Feb 2007 19:25:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_elton</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Na sexta à tarde, enquanto a cidade parece prender a respiração pra gritar na sua cara antes do começo dos trabalhos, sair do seu trabalho três horas mais cedo e ir para a rodoviária; Esperar pelas próximas três horas pelo ônibus que simplesmente se recusa a aparecer no terminal; Negociar com o calor e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na sexta à tarde, enquanto a cidade parece prender a respiração pra gritar na sua cara antes do começo dos trabalhos, sair do <i>seu</i> trabalho três horas mais cedo e ir para a rodoviária; Esperar pelas próximas três horas pelo ônibus que simplesmente se recusa a aparecer no terminal; Negociar com o calor e o cansaço, apertar a vista e o coração a cada silhueta que poderia ser a dela; Ensaiar frases espirituosas que nunca serão ditas no nervosismo da hora; Abraçá-la quando ela chega, cansada de oito horas &#8220;fritando&#8221; no ônibus; olhar e olhar mais uma vez para confirmar, abraçar para fixá-la no Rio, seguir para casa</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Acordar tarde; perder todos os blocos matutinos e não dar a mínima. Aproveitar o café tranquilo, fumando, temer pelo calor que se anuncia feroz, imaginar como estarão as ruas, notar o quanto já se gosta do sotaque e das gírias estranhas (e meio palhas, mas adoráveis), usar as mãos quando não se souber o que dizer; ficar com vergonhinha do almoço bestão de shopping mas dar o braço a torcer que pelo menos o ar-condicionado é do caralho. Fumar mais. Tocar violão. Reclamar do calor. Pegar uma carona com conhecidos solícitos e ir para o <b>Jardim Botânico</b> ver um bloco. Observar como o Rio de Janeiro lentamente começa a tirar a namorada súbita do sério (ela vem de uma cidade séria e noiada) com tanto espaço (&#8221;aqui é sempre assim?&#8221;), verde (&#8221;aqui é sempre assim?&#8221;), preguiça (&#8221;mas aqui é sempre assim?&#8221;), e <i>general niceness</i> carioca. Ver muita gente bêbada tostando, fumando, bebendo e namorando na rua - mas um pouco à distância e com nojinho, ambos turistas (uma recém-chegada, o outro nem tanto); Tomar latinhas de cerveja conforme o calor. Fugir do bloco rápido, voltar pra casa de ônibus, reclamar do calor, agradecer por ainda ser Sábado apenas, fumar mais&#8230;</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Bed-ins e brigas com mangueira d&#8217;água no quintal; chinelice e sacanagem.; Dar um pulo no Arpoador porque ela toca uma música do Cazuza que menciona o lugar mas nunca havia ido lá. Ouvir sorrindo o quanto ela está achando o Rio inacreditável; ouvir termos como &#8220;idílio&#8221;, &#8220;trégua&#8221; e &#8220;acampamento de férias&#8221;; Achar graça da leve neura da namorada súbita em beijar na rua &#8220;porque em SP neguinho buzina&#8221;. Afirmar peremptoriamente, com toda a segurança de um citadino: &#8220;Fica tranquila, madame, aqui ninguém buzina&#8221;; Fugir pra casa&#8230;</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Ser expulsos da cama pelo telefone, partir pro Jardim Botânico, ficar de bowa&#8217;s na cobertura de amigos com Billie Holiday, clérbero, piscina, cerveja e uma vista do Rio (Jóquei, Corcovado, <i>the whole shebang</i>) que deu o nocaute na namorada súbita (foi pras cordas, daí pro chão, contagem até dez, não levantou mais). Eu, que não sou carioca, agradeço discretamente a ajuda da cidade e dos amigos: Foi um massacre, foi covardia; Daí comer no Varandão em Vila Isabel, que é barato e barulhento com a apuração de resultados das escolas e voltar pra casa sentindo um gosto de cinzas. À noite, combater um exército de bodes com vinho, violão, beque, massagem de pé. Ficar mal pra caralho e ainda assim feliz.</p>
<p>Na Quinta: Acabou.</p>
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