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	<title>Rio de Janeiro Metblogs &#187; rio_lucas</title>
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	<pubDate>Sun, 30 Nov 2008 07:56:25 +0000</pubDate>
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		<title>O Outro Lado</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Oct 2007 18:03:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_lucas</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Lugares]]></category>

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		<description><![CDATA[São famosas diversas peculiaridades dos habitantes daquelas bandas, seja a elipse dos artigos entre a preposição e o nome próprio ou a incorrigível desorientação entre as ruas da capital. Certamente há motivos de sobra que inspiraram a criação politicamente incorreta do termo para designá-los - niteroíbas -, quimera lingüística capaz de reunir toda uma gama [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São famosas diversas peculiaridades dos habitantes daquelas bandas, seja a elipse dos artigos entre a preposição e o nome próprio ou a incorrigível desorientação entre as ruas da capital. Certamente há motivos de sobra que inspiraram a criação politicamente incorreta do termo para designá-los - <em>niteroíbas</em> -, quimera lingüística capaz de reunir toda uma gama de preconceitos.</p>
<p>Mas não perderei meu tempo enumerando curiosidades sobre os habitantes dessa cidade. Antes, apresento ao leitor esse subgrupo do qual faço - ou fiz - parte, essa geração, filha daqueles que, temerosos da então incipiente escalada de violência do Rio de Janeiro e da constante ameaça às suas crianças, cruzaram pela primeira vez a Baía de Guanabara rumo a uma terra prometida de paz. Baía que nossos pais atravessaram ainda embalados pela lembrança dos botos brincalhões que já haviam morrido, e que nós aprenderíamos a chamar de poça. Poça de água suja, poluída, fedida. Poça de esgoto, que goteja dos canos estourados e das juntas mal-feitas dos gatos de água. Poça de merda, que atravessaríamos todo os dias, para trabalhar, tantos anos depois. Poça de sangue, que escorre dos morros e se acumula no centro deste inferno metropolitano. Poça de lágrimas.</p>
<p>Não é de se espantar que tenhamos crescido temendo a cidade louca, tumultuada, gigantesca, e não é difícil de entender a desorientação que toma muitos de nós ao penetrar em suas ruelas escuras. Enquanto os cariocas aprendiam que o morro pertence ao diabo e a passar longe das ladeiras, um outro tipo de fissão social se operava - a divisão ilusória entre a cidadezinha pequena e pacata e <em>o outro lado</em>. Acreditávamos ingenuamente que poucos quilômetros de água poderiam ser uma barreira mágica contra todos os problemas. Até hoje, tantos anos depois do fim das ilusões, ouço pais resmungando - por que meu filho tinha que arranjar emprego naquele rio?</p>
<p>O medo, no entanto, não impediu um certo fascínio apavorado, e nem aquele sentimento que sempre impele os jovens provincianos a buscarem a metrópole. Vieram os anos 00 e as incursões à Lapa, de início tímidas, acabariam por se tornarem rotina, mas nunca sem um certo nervosismo. Nossa geração acabou retomando suas origens, a partir da Praça XV - o posto avançado dos niteroienses - passando pelo CCBB e rumo ao emprego, à universidade e, enfim, em alguns casos, novos lares.</p>
<p>Ainda assim, mesmo agora, já tendo trilhado de volta o caminho de meus pais, já tendo emprego fixo no centro e posto um pé no bairro das laranjeiras, a cisão entro o mundo de cá e o outro lado da poça persiste como um fantasma. Ainda hoje sinto como que uma paz vinda do nada, toda vez que entro na barca e, após o cochilo da travessia, repito os passos da geração anterior, deslizando sobre a Baía de Guanabara - poça de sonhos -, e avisto o letreiro brilhante do Plaza. Sinto-me inexplicavelmente tranqüilo quando transito entre a sujeira e a pobreza do centro de Niterói, chego à velha casa, e, finalmente, durmo mais uma vez ao som dos pipocos dos fuzis da Grota. </p>
<p>Bala perdida que não dá na TV não mata.</p>
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		<title>Vamos marcar? Claro, vamos! Mas vamos mesmo&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Oct 2007 15:08:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_lucas</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;O indireto afetivo na linguagem do carioca&#8221;, excelente ensaio do poeta, compositor e ensaista Francisco Bosco, está contido no livro Banalogias, seu útlimo lançamento.
O texto discute o famoso &#8220;vamos marcar&#8230;&#8221; carioca, e consegue realmente lançar luz sobre seu significado e origem, uma bela exposição sobre a essência afetiva dos habitantes desta cidade.
O ensaio pode ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;O indireto afetivo na linguagem do carioca&#8221;, excelente ensaio do poeta, compositor e ensaista Francisco Bosco, está contido no livro Banalogias, seu útlimo lançamento.</p>
<p>O texto discute o famoso &#8220;vamos marcar&#8230;&#8221; carioca, e consegue realmente lançar luz sobre seu significado e origem, uma bela exposição sobre a essência afetiva dos habitantes desta cidade.</p>
<p>O ensaio pode ser lido na íntegra no blog do Antônio Cícero:</p>
<p>http://antoniocicero.blogspot.com/2007/10/francisco-bosco-o-indireto-afetivo-na.html</p>
<p>Referência:<br />
BOSCO, Francisco. Banalogias. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.</p>
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		<title>P O P</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Oct 2007 16:47:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_lucas</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[O POP - Polo de Pensamento Contemporâneo é um espaço fundado no início do ano, coordenado pela Ana Lúcia Magalhães Pinto (ex-preside da Fundação Casa França Brasil) e conta com Eucanaã Ferraz e Antônio Cícero, entre outros, em seu conselho gestor.
A casa localizada no Jardim Botânico, tem uma intensa programação de cursos culturais sobre assuntos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O POP - Polo de Pensamento Contemporâneo é um espaço fundado no início do ano, coordenado pela Ana Lúcia Magalhães Pinto (ex-preside da Fundação Casa França Brasil) e conta com Eucanaã Ferraz e Antônio Cícero, entre outros, em seu conselho gestor.<br />
A casa localizada no Jardim Botânico, tem uma intensa programação de cursos culturais sobre assuntos diversos, de oficinas de cinema e música a economia, passando por filosofia e psicanálise.<br />
Já fiz dois cursos lá (Oficina de Letas de Música e Economia Ambiental) e recomendo.<br />
A programação para os próximos meses pode ser encontra no site:<br />
http://www.polodepensamento.com.br<br />
O preço pode ser um pouco salgado para alguns - os cursos costumam sair por 2&#215;120 -, mas costumam valer a pena.</p>
<p>Pólo de Pensamento Contemporâneo: Rua Conde Afonso Celso, 103 - Jardim Botânico - CEP 22461-060 Tel. (21) 2286-3299 e 2286-3682</p>
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		<title>O Segredo do Sol</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Sep 2007 16:33:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_lucas</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Às oito horas, em ponto, a Rádio Saara toca o Hino Nacional. Qual o endereço das Casas Pedro? Atrasado. A cabeça ainda carrega os copos largados pela metade. Cada cantinho macio ou não parece uma cama. O sapato apressado: Tec-toc. Cadê o crachá? 
Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Às oito horas, em ponto, a Rádio Saara toca o Hino Nacional. Qual o endereço das Casas Pedro? Atrasado. A cabeça ainda carrega os copos largados pela metade. Cada cantinho macio ou não parece uma cama. O sapato apressado: Tec-toc. Cadê o crachá? </p>
<p>Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Faz isso para salvar o mundo.</p>
<p>Vinte e quatro anos. Mês que vem. Tão cedo. Nessa idade as pessoas ainda deviam sonhar. Boa parte das que amava está morta. Os outros vão morrer mais cedo ou mais tarde. Mais cedo. Ele também. O fígado já reclama aposentadoria. Mais trinta anos? Profissão errada. Úlcera certa. </p>
<p>Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Faz isso para expulsar os demônios.</p>
<p>Vinte e quatro anos. Ele já sabe que não será presidente da república, artista famoso, jogador de futebol. A coluna já dói. O fôlego diminui. Talvez tenha sido. O quê? Só talvez mesmo. Mas continua. Até que.</p>
<p>Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Faz isso por que não pode parar.</p>
<p>Vinte e quatro anos. Vinte e quatro horas para o fim-de-semana. Fds. Foda-se a folha de ponto. O Estado deveria garantir uma vida sexual decente a todos os cidadãos. Praça Tiradentes? É privada. O trabalho é público. Mas no sebo da praça há línguas estranhas. </p>
<p>Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Faz isso para vender chapéus.</p>
<p>Vinte e quatro anos. Trezentos e sessenta graus: o cara do chapéu em cima do viaduto. A catedral. O sol se pondo. O retorno. A cabeça querendo cair do pescoço. Queria perguntar por que ele sempre faz aquilo.</p>
<p>Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Faz isso para pedir perdão.</p>
<p>Vinte e quatro anos. Tanto desejo. E ele só precisava de um chapéu. Ali se vende de tudo. Talvez ainda encontre o que perdeu. Talvez ainda haja esperança entre as canetas chinesas. Um chapéu. Atrasado?</p>
<p>Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Só revelará a verdade no dia do último eclipse.</p>
<p> Às oito horas, em ponto, a Rádio Saara toca o Hino Nacional.</p>
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		<title>Nome Próprio</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Sep 2007 20:40:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_lucas</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Pra quem ainda não se deu conta, estamos em pleno Festival de Cinema do Rio. Comecei minha incursão no evento pela pré-estréia do filme &#8220;Nome Próprio&#8221;, de diretor Murilo Salles. Seguindo o exemplo do Elton, direi o que achei do filme, mesmo sem ninguém perguntar.
A sinopse do filme fala de uma jovem que sonha em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pra quem ainda não se deu conta, estamos em pleno Festival de Cinema do Rio. Comecei minha incursão no evento pela pré-estréia do filme &#8220;Nome Próprio&#8221;, de diretor Murilo Salles. Seguindo o exemplo do Elton, direi o que achei do filme, mesmo sem ninguém perguntar.</p>
<p>A sinopse do filme fala de uma jovem que sonha em ser escritora blah blah blah. O que não está na sinopse do site do festival é que o filme é baseado nos livros e blogs da escritora gaúcha Clarah Averbuck, uma das primeiras blogueiras  nacionais a ser reconhecida no &#8220;mainstream&#8221;. Então, se não me engano, é o primeiro longa nacional inspirado em blogs.</p>
<p>Justamente essa peculiaridade da linguagem dos blogs é que é o grande barato da coisa. Leandra Leal, numa puta interpretação, encarna totalmente o exibicionismo da personagem Camila, virando-se do avesso nos textos e na nudez física e moral. Por falar nisso, o texto talvez seja a maior virtude da obra. Os diálogos são incríveis.</p>
<p>Então &#8220;Nome Próprio&#8221; é um filme com uma linguagem inovadora, excelente texto, e uma grande atriz no papel principal. Mas, infelizmente, o restante do elenco não é lá essas coisas, o que causa um contraste bastante incômodo. Além disso, acho que mais de duas horas de crises de solidão, nudez, sexo e palavrões cansa um pouco, o que prejudica a intensidade das cenas mais importantes. Mas baixo orçamento é isso aí, né? De qualquer forma é incrível levar às telas a linguagem do &#8220;diário indiscreto&#8221;. </p>
<p>Só mais uma coisa: a cena de sexo com Camila e o rapaz de Ribeirão Preto já vale a ida ao cinema.</p>
<p>Existe um blog do filme, nomepropriofilme.blogspot.com, e os horários e salas de exibição podem ser encontrados no site do festival.</p>
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		<title>Pensei em começar com um poema</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Sep 2007 23:49:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_lucas</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[rio de
alegria e nervoso
e rio do maravilhoso
mar
que me recebe
de manhã cedo
(enquanto já rio de medo)
e sei que não há nada
que me impeça
de rir bem
longe (e rir à beça)
no ano que vem
mas, quando
o ano que vem (re)começa,
me reinvento inteiro:
rio mais do que aguento,
rio do sofrimento,
mas rio de janeiro
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>rio de<br />
alegria e nervoso<br />
e rio do maravilhoso<br />
mar<br />
que me recebe<br />
de manhã cedo<br />
(enquanto já rio de medo)<br />
e sei que não há nada<br />
que me impeça<br />
de rir bem<br />
longe (e rir à beça)<br />
no ano que vem<br />
mas, quando<br />
o ano que vem (re)começa,<br />
me reinvento inteiro:<br />
rio mais do que aguento,<br />
rio do sofrimento,<br />
mas rio de janeiro</p>
]]></content:encoded>
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