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	<title>Rio de Janeiro Metblogs &#187; rio_sergio</title>
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	<pubDate>Wed, 01 Oct 2008 21:44:48 +0000</pubDate>
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		<title>Flanando pelas ruas da cidade</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Aug 2006 06:12:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_sergio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

		<category><![CDATA[Na rua]]></category>

		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Trecho do livro A alma encantadora das ruas de João do Rio
A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Trecho do livro <em>A alma encantadora das ruas</em> de João do Rio</p>
<p>A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopéia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas. A rua criou todas as blagues todos os lugares-comuns. Foi ela que fez a majestade dos rifões, dos brocardos, dos anexins, e foi também ela que batizou o imortal Calino. Sem o consentimento da rua não passam os sábios, e os charlatães, que a lisonjeiam lhe resumem a banalidade, são da primeira ocasião desfeitos e soprados como bolas de sabão. A rua é a eterna imagem da ingenuidade. Comete crimes, desvaria à noite, treme com a febre dos delírios, para ela como para as crianças a aurora é sempre formosa, para ela não há o despertar triste, quando o sol desponta e ela abre os olhos esquecida das próprias ações, é, no encanto da vida renovada, no chilrear do passaredo, no embalo nostálgico dos pregões - tão modesta, tão lavada, tão risonha, que parece papaguear com o céu e com os anjos&#8230;<br />
<span id="more-287"></span><br />
A rua faz as celebridades e as revoltas, a rua criou um tipo universal, tipo que vive em cada aspecto urbano, em cada detalhe, em cada praça, tipo diabólico que tem dos gnomos e dos silfos das florestas, tipo proteiforme, feito de risos e de lágrimas, de patifarias e de crimes irresponsáveis, de abandono e de inédita filosofia, tipo esquisito e ambíguo com saltos de felino e risos de navalha, o prodígio de uma criança mais sabida e cética que os velhos de setenta invernos, mas cuja ingenuidade é perpétua, voz que dá o apelido fatal aos potentados e nunca teve preocupações, criatura que pede como se fosse natural pedir, aclama sem interesse, e pode rir, francamente, depois de ter conhecido todos os males da cidade, poeira d&#8217;ouro que se faz lama e torna a ser poeira - a rua criou o garoto! </p>
<p>Essas qualidades nós as conhecemos vagamente. Para compreender a psicologia da rua não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes - a arte de flanar. É fatigante o exercício? </p>
<p>Para os iniciados sempre foi grande regalo. A musa de Horácio, a pé, não fez outra coisa nos quarteirões de Roma. Sterne e Hoffmann proclamavam-lhe a profunda virtude, e Balzac fez todos os seus preciosos achados flanando. Flanar! Aí está um verbo universal sem entrada nos dicionários, que não pertence a nenhuma língua! Que significa flanar? Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite, meter-se nas rodas da populaça, admirar o menino da gaitinha ali à esquina, seguir com os garotos o lutador do Cassino vestido de turco, gozar nas praças os ajuntamentos defronte das lanternas mágicas, conversar com os cantores de modinha das alfurjas da Saúde, depois de ter ouvido dilettanti de casaca aplaudirem o maior tenor do Lírico numa ópera velha e má; é ver os bonecos pintados a giz nos muros das casas, após ter acompanhado um pintor afamado até a sua grande tela paga pelo Estado; é estar sem fazer nada e achar absolutamente necessário ir até um sítio lôbrego, para deixar de lá ir, levado pela primeira impressão, por um dito que faz sorrir, um perfil que interessa, um par jovem cujo riso de amor causa inveja. </p>
<p>É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. Do alto de uma janela como Paul Adam, admira o caleidoscópio da vida no epítome delirante que é a rua; à porta do café, como Poe no Homem da Multidões, dedica-se ao exercício de adivinhar as profissões, as preocupações e até os crimes dos transeuntes. É uma espécie de secreta à maneira de Sherlock Holmes, sem os inconvenientes dos secretas nacionais. Haveis de encontrá-lo numa bela noite numa noite muito feia. Não vos saberá dizer donde vem, que está a fazer, para onde vai. Pensareis decerto estar diante de um sujeito fatal? Coitado! O flâneur é o bonhomme possuidor de uma alma igualitária e risonha, falando aos notáveis e aos humildes com doçura, porque de ambos conhece a face misteriosa e cada vez mais se convence da inutilidade da cólera e da necessidade do perdão. </p>
<p>O flâneur é ingênuo quase sempre. Pára diante dos rolos, é o eterno &#8220;convidado do sereno&#8221; de todos os bailes, quer saber a história dos boleiros, admira-se simplesmente, e conhecendo cada rua, cada beco, cada viela, sabendo-lhe um pedaço da história, como se sabe a história dos amigos (quase sempre mal), acaba com a vaga idéia de que todo o espetáculo da cidade foi feito especialmente para seu gozo próprio. O balão que sobe ao meio-dia no Castelo, sobe para seu prazer; as bandas de música tocam nas praças para alegrá-lo; se num beco perdido há uma serenata com violões chorosos, a serenata e os violões estão ali para diverti-lo. E de tanto ver que os outros quase não podem entrever, o flâneur reflete. As observações foram guardadas na placa sensível do cérebro; as frases, os ditos, as cenas vibram-lhe no cortical. Quando o flâneur deduz, ei-lo a concluir uma lei magnífica por ser para seu uso exclusivo, ei-lo a psicologar, ei-lo a pintar os pensamentos, a fisionomia, a alma das ruas. E é então que haveis de pasmar da futilidade do mundo e da inconcebível futilidade dos pedestres da poesia de observação&#8230; </p>
<p>Eu fui um pouco esse tipo complexo, e, talvez por isso, cada rua é para mim um ser vivo e imóvel. </p>
<p>Balzac dizia que as ruas de Paris nos dão impressões humanas. São assim as ruas de todas as cidades, com vida e destinos iguais aos do homem. </p>
<p>Por que nascem elas? Da necessidade de alargamento das grandes colmeias sociais, de interesses comerciais, dizem. Mas ninguém o sabe. Um belo dia, alinha-se um tarrascal, corta-se um trecho de chácara, aterra-se lameiro, e aí está: nasceu mais uma rua. Nasceu para evoluir, para ensaiar primeiros passos, para balbuciar, crescer, criar uma individualidade. Os homens têm no cérebro a sensação dessa semelhança, e assim como dizem de um rapagão: </p>
<p>- Quem há de pensar que vi este menino a engatinhar! </p>
<p>Murmuram: </p>
<p>- Quem há de dizer que esta rua há dez anos só tinha uma casa! </p>
<p>Um cavalheiro notável, ao entrar comigo certa vez na Rua Senador Dantas, não se conteve: </p>
<p>- É impossível passar por aqui sem lembrar que a velhice começa a chegar. Quando vim da província esta rua tinha apenas duas casas no antigo jardim do Convento, e eu tomava chopps no Guarda Velha a três vinténs! </p>
<p>Eu sorria, mas o pobre sujeito importante dizia isso como se recordasse os dois primeiros dentes de um homenzarrão, com uma dentadura capaz atualmente de morder as algibeiras de uma sociedade inteira. Era a recordação, a saudade do passado começo. Há nada mais enternecedor que o princípio de uma rua? É ir vê-lo nos arrabaldes. A princípio capim, um braço a ligar duas artérias. Percorre-o sem pensar meia dúzia de criaturas. Um dia cercam à beira um lote de terreno. Surgem em seguida os alicerces de uma casa. Depois de outra e mais outra. Um combustor tremeluz indicando que ela já se não deita com as primeiras sombras. Três ou quatro habitantes proclamam a sua salubridade ou o seu sossego. Os vendedores ambulantes entram por ali como por terreno novo a conquistar. Aparece a primeira reclamação nos jornais contra a lama ou o capim. É o batismo. As notas policiais contam que os gatunos deram num dos seus quintais. É a estréia na celebridade, que exige o calçamento ou o prolongamento da linha de bondes. E insensivelmente, há na memória da produção, bem nítida, bem pessoal, uma individualidade topográfica a mais, uma individualidade que tem fisionomia e alma. </p>
<p>Algumas dão para malandras, outras para austeras; umas são pretensiosas, outras riem aos transeuntes e o destino as conduz como conduz o homem, misteriosamente, fazendo-as nascer sob uma boa estrela ou sob um signo mau, dando-lhes glórias e sofrimentos, matando-as ao cabo de um certo tempo. </p>
<p>Oh! sim, as ruas têm alma! Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, spleenéticas, snobs, ruas aristocráticas, ruas amorosas, ruas covardes, que ficam sem pinga de sangue&#8230;</p>
<p>Vede a Rua do Ouvidor. É a fanfarronada em pessoa, exagerando, mentindo, tomando parte em tudo, mas desertando, correndo os taipais das montras à mais leve sombra de perigo. Esse beco inferno de pose, de vaidade, de inveja, tem a especialidade da bravata. E fatalmente oposicionista, criou o boato, o &#8220;diz-se&#8230;&#8221; aterrador e o &#8220;fecha-fecha&#8221; prudente. Começou por chamar-se Desvio do Mar. Por ela continua a passar para todos os desvios muita gente boa. No tempo em que os seus melhores prédios se alugavam modestamente por dez mil réis, era a Rua do Gadelha. Podia ser ainda hoje a Rua dos Gadelhas, atendendo ao número prodigioso de poetas nefelibatas que a infestam de cabelos e de versos. Um dia resolveu chamar-se do Ouvidor sem que o senado da câmara fosse ouvido. Chamou-se como calunia, e elogia, como insulta e aplaude, porque era preciso denominar o lugar em que todos falam de lugar do que ouve; e parece que cada nome usado foi como a antecipação moral de um dos aspectos atuais dessa irresponsável artéria da futilidade. </p>
<p>A Rua da Misericórdia, ao contrário, com as suas hospedarias lôbregas, a miséria, a desgraça das casas velhas e a cair, os corredores bafientos, é perpetuamente lamentável. Foi a primeira rua do Rio. Dela partimos todos nós, nela passaram os vice-reis malandros, os gananciosos, os escravos nus, os senhores em redes; nela vicejou a imundície, nela desabotoou a flor da influência jesuítica. Índios batidos, negros presos a ferros, domínio ignorante e bestial, o primeiro balbucio da cidade foi um grito de misericórdia, foi um estertor, um ai! tremendo atirado aos céus. Dela brotou a cidade no antigo esplendor do Largo do Paço, dela decorreram, como de um corpo que sangra, os becos humildes e os coalhos de sangue, que são as praças, ribeirinhas do mar. Mas, soluço de espancado, primeiro esforço de uma porção de infelizes, ela continuou pelos séculos afora sempre lamentável, e tão augustiosa e franca e verdadeira na sua dor que os patriotas lisonjeiros e os governos, ninguém, ninguém se lembrou nunca de lhe tirar das esquinas aquela muda prece, aquele grito de mendiga velha: - Misericórdia! </p>
<p>Há ruas que mudam de lugar, cortam morros, vão acabar em certos pontos que ninguém dantes imaginara - a Rua dos Ourives; há ruas que, pouco honestas no passado, acabaram tomando vergonha - a da Quitanda. Essa tinha mesmo a mania de mudar de nome. Chamou-se do Açougue Velho, do lnácio Castanheira, do Sucusarrará, do Tomé da Silva, que sei eu? Até mesmo Canto do Tabaqueiro. Acabou Quitanda do Marisco, mas, como certos indivíduos que organizam o nome conforme a posição que ocupam, cortou o marisco e ficou só Quitanda. Há ruas, guardas tradicionais da fidalguia, que deslizam como matronas conservadoras - a das Laranjeiras; há ruas lúgubres, por onde passais com um arrepio, sentindo o perigo da morte - o Largo do Moura por exemplo. Foi sempre assim. Lá existiu o Necrotério e antes do Necrotério lá se erguia a Forca. Antes da autópsia, o enforcamento. O velho largo macabro, com a alma de Tropmann e de Jack, depois de matar, avaramente guardou anos e anos, para escalpelá-los, para chamá-los, para gozá-los, todos os corpos dos desgraçados que se suicidam ou morrem assassinados. Tresanda a crime, assusta. A Prainha também. Mesmo hoje, aberta, alargada com prédios novos e a trepidação contínua do comércio, há de vos dar uma impressão de vago horror. À noite são mais densas as sombras, as luzes mais vermelhas, as figuras maiores. Por que terá essa rua um aspecto assim? Oh! Porque foi sempre má, porque foi sempre ali o Aljube, ali padeceram os negros dos três primeiros trapiches do sal, porque também ali a forca espalhou a morte! </p>
<p>Há entretanto outras ruas, que nascem íntimas, familiares, incapazes de dar um passo sem que todas as vizinhas não saibam. As ruas de Santa Teresa estão nestas condições. Um cavalheiro salta no Curvelo, vai a pé até o França, e quando volta já todas as ruas perguntam que deseja ele, se as suas tenções são puras e outras impertinências íntimas. Em geral, procura-se o mistério da montanha para esconder um passeio mais ou menos amoroso. As ruas de Santa Teresa, é descobrir o par e é deitar a rir proclamando aos quatro ventos o acontecimento. Uma das ruas, mesmo, mais leviana e tagarela do que as outras, resolveu chamar-se logo Rua do Amor, e a Rua do Amor lá está na freguesia de S. José. Será exatamente um lugar escolhido pelo Amor, deus decadente? Talvez não. Há também na freguesia do Engenho Velho uma rua intitulada Feliz Lembrança e parece que não a teve, segundo a opinião respeitável da poesia anônima: </p>
<p>Na Rua Feliz Lembrança<br />
Eu escapei por um triz<br />
De ser mandado à tábua.<br />
Ai! que lembrança infeliz<br />
Tal nome pôr nesta rua! </p>
<p>Há ruas que têm as blandícias de Goriot e de Shylock para vos emprestar a juro, para esconder quem pede e paga o explorador com ar humilde. Não vos lembrais da Rua do Sacramento, da rua dos penhores? Uma aragem fina e suave encantava sempre o ar. Defronte à igreja, casas velhas guardavam pessoas tradicionais. No Tesouro, por entre as grades de ferro, uma ou outra cara desocupada. E era ali que se empenhavam as jóias, que pobres entes angustiados iam levar os derradeiros valores com a alma estrangulada de soluços; era ali que refluíam todas as paixões e todas as tristezas, cujo lenitivo dependesse de dinheiro&#8230; </p>
<p>Há ruas oradoras, ruas de meeting - o Largo do Capim que assim foi sempre, o Largo de S. Francisco; ruas de calma alegria burguesa, que parecem sorrir com honestidade - a Rua de Haddock Lobo; ruas em que não se arrisca a gente sem volver os olhos para trás a ver se nos vêem -a Travessa da Barreira; ruas melancólicas, da tristeza dos poetas; ruas de prazer suspeito próximo do centro urbano e como que dele muito afastadas; ruas de paixão romântica, que pedem virgens loiras e luar. </p>
<p>Qual de vós já passou a noite em claro ouvindo o segredo de cada rua? Qual de vós já sentiu o mistério, o sono, o vício, as idéias de cada bairro? </p>
<p>A alma da rua só é inteiramente sensível a horas tardias. Há trechos em que a gente passa como se fosse empurrada, perseguida, corrida - são as ruas em que os passos reboam, repercutem, parecem crescer, clamam, ecoam e, em breve, são outros tantos passos ao nosso encalço. Outras que se envolvem no mistério logo que as sombras descem - o Largo de Paço. Foi esse largo o primeiro esplendor da cidade. Por ali passaram, na pompa dos pálios e dos baldaquins d&#8217;ouro e púrpura, as procissões do Enterro, do Triunfo, do Senhor dos Passos; por ali, ao lado da Praia do Peixe, simples vegetação de palhoças, o comércio agitava as suas primeiras elegâncias e as suas ambições mais fortes. O largo, apesar das reformas, parece guardar a tradição de dormir cedo. À noite, nada o reanima, nada o levanta. Uma grande revolução morre no seu bojo como um suspiro; a luz leva a lutar com a treva; os próprios revérberos parece dormitarem, e as sombras que por ali deslizam são trapos da existência almejando o fim próximo, ladrões sem pousada, imigrantes esfaimados&#8230; Deixai esse largo, ide às ruelas da Misericórdia, trechos da cidade que lembram o Amsterdão sombrio de Rembrandt. Há homens em esteiras, dormindo na rua como se estivessem em casa. Não nos admiremos. Somos reflexos. O Beco da Música ou o Beco da Fidalga reproduzem a alma das ruas de Nápoles, de Florença, das ruas de Portugal, das ruas da África, e até, se acreditarmos na fantasia de Heródoto, das ruas do antigo Egito. E por quê? Porque são ruas da proximidade do mar, ruas viajadas, com a visão de outros horizontes. Abri uma dessas pocilgas que são a parte do seu organismo. Haveis de ver chineses bêbados de ópio, marinheiros embrutecidos pelo álcool, feiticeiras ululando canções sinistras, toda a estranha vida dos portos de mar. E esses becos, essas betesgas têm a perfídia dos oceanos, a miséria das imigrações, e o vício, o grande vício do mar e das colônias&#8230; </p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Nas grandes cidades a rua passa a criar o seu tipo, a plasmar o moral dos seus habitantes, a inocular-lhes misteriosamente gostos, costumes, hábitos, modos, opiniões políticas. Vós todos deveis ter ouvido ou dito aquela frase: </p>
<p>- Como estas meninas cheiram a Cidade Nova! </p>
<p>Não é só a Cidade Nova, sejam louvados os deuses! Há meninas que cheiram a Botafogo, a Haddock Lobo, a Vila Isabel, como há velhas em idênticas condições, como há homens também. A rua fatalmente cria o seu tipo urbano como a estrada criou o tipo social. Todos nós conhecemos o tipo do rapaz do Largo do Machado: cabelo à americana, roupas amplas à inglesa, lencinho minúsculo no punho largo, bengala de volta, pretensões às línguas estrangeiras, calças dobradas como Eduardo VII e toda a snobopolis do universo. Esse mesmo rapaz, dadas idênticas posições, é no Largo do Estácio inteiramente diverso. As botas são de bico fino, os fatos em geral justos, o lenço no bolso de dentro do casaco, o cabelo à meia cabeleira com muito óleo. Se formos ao Largo do Depósito, esse mesmo rapaz usará lenço de seda preta, forro na gola do paletot, casaquinho curto e calças obedecendo ao molde corrente na navegação aérea - calças à balão. </p>
<p>Esses três rapazes da mesma idade, filhos da mesma gente honrada, às vezes até parentes, não há escolas, não há contactos passageiros, não há academias que lhes tranformem o gosto por certa cor de gravatas, a maneira de comer, as expressões, as idéias - porque cada rua tem um stock especial de expressões, de idéias e de gostos. A gente de Botafogo vai às &#8220;primeiras&#8221; do Lírico, mesmo sem ter dinheiro. A gente de Haddock Lobo tem dinheiro mas raramente vai ao Lírico. Os moradores da Tijuca aplaudem Sarah Bernhardt como um prodígio. Os moradores da Saúde amam enternecidamente o Dias Braga. As meninas das Laranjeiras valsam ao som das valsas de Strauss e de Berger, que lembram os cassinos da Riviera e o esplendor dos kursaals. As meninas dos bailes de Catumbi só conhecem as novidades do senhor Aurélio Cavalcante. As conversas variam, o amor varia, os ideais são inteiramente outros, e até o namoro, essa encantadora primeira fase do eclipse do casamento, essa meia ação da simpatia que se funde em desejo, é abolutamente diverso. Em Botafogo, à sombra das árvores do parque ou no grande portão, Julieta espera Romeu, elegante e solitária; em Haddock Lobo, Julieta garruleia em bandos pela calçada; e nas casas humildes da Cidade Nova, Julieta, que trabalhou todo o dia pensando nessa hora fugace, pende à janela o seu busto formoso&#8230; </p>
<p>Oh! sim, a rua faz o indivíduo, nós bem o sentimos. Um cidadão que tenha passado metade da existência na Rua do Pau Ferro não se habitua jamais à Rua Marquês de Abrantes! Os intelectuais sentem esse tremendo efeito do ambiente, menos violentamente, mas sentem. Eu conheci um elegante barão da monarquia, diplomata em perpétua disponibilidade, que a necessidade forçara a aceitar de certo proprietário o quarto de um cortiço da Rua Bom Jardim. O pobre homem, com as suas poses à Brummell, sempre de monóculo entalado, era o escândalo da rua. Por mais que saudasse as damas e cumprimentasse os homens, nunca ninguém se lembrava de o tratar senão com desconfiança assustada. O barão sentia-se desesperado e resumira a vida num gozo único: sempre que podia, tomava o bonde de Botafogo, acendia um charuto, e ia por ali altivo, airoso, com a velha redingote abotoada, a &#8220;caramela&#8221; de cristal cintilante&#8230; Estava no seu bairro. Até parece, dizia ele, que as pedras me conhecem!</p>
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		<title>Toda Hora Eleitoral Gratuito</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Aug 2006 05:08:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_sergio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Acho que a tábua de leis eleitorais não previu isso. A campanha começa a pegar fogo no You Tube. O vídeo do Lula vetado pelo Tribunal Superior Eleitoral, não é que apareceu lá? O exemplo não é o único que pode gerar discussão. O vereador do Rio e candidato a deputado federal, Índio da Costa, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que a tábua de leis eleitorais não previu isso. A campanha começa a pegar fogo no You Tube. O vídeo do Lula <a href="http://www.youtube.com/watch?v=GPCECzEJZU4&amp;NR">vetado </a>pelo Tribunal Superior Eleitoral, não é que apareceu lá? O exemplo não é o único que pode gerar discussão. O vereador do Rio e candidato a deputado federal, Índio da Costa, tá todo pimpão em um <a href="http://www.youtube.com/watch?v=OKkp3zrkGxg">programa</a> de índio que nem aparece o seu partido (PFL), mas tá lá com o número de candidato. Em sua maioria, os vídeos entraram no ar depois da data prevista para início de campanha, mas fuçando um pouquinho dá pra ver que tem <a href="http://www.youtube.com/watch?v=dAipXXRYN7M">político</a> em exibição há uns doooois meses atrás.</p>
<p>Os potenciais representantes do povo ou seus seguidores estão ensaiando seus passos no site sensação, metendo as caras onde podem. Principalmente quem não tem lá tanto espaço na TV. É possível encontrar: desde o primeiro programa da candidata à presidência, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=wdSrYjgLTFI ">Heloísa Helena</a>, passando pelo plácido <a href="http://www.youtube.com/watch?v=L_YwTFjs6Ds&amp;mode=related&amp;search = ">Gabeira</a> (falando que brigou a beça para todo mundo ter celular e cobra agora que os eleitores passem mensagens de texto pedindo voto pra ele. Heh), até a suspeitíssima <a href="http://www.youtube.com/watch?v=elj-qXFBYT4">Laura Carneiro</a>, investigada por possível participação na máfia dos sanguessugas. Não é nada, é sim. Pelo menos uns 20 milhões de brasileiros conectados na insolente e nova caixinha de propaganda. </p>
<p>Nessa selva ainda podem ser encontrados vídeos impagáveis. Uma verdadeira <a href="http://www.youtube.com/watch?v=PNwC8ZZ1JBA ">coletânea</a> da <a href="http://www.youtube.com/watch?v=9ViZFD6HmD4">tosqueira</a> produzida pela falta de uma assessoria de comunicação e o bom e velho senso do ridículo. Há quem chame de estratégia e o pior é que para alguns funciona. Como o saudoso Enéas, agora careca e sem barba, mas com o mesmo discurso ferino: &#8220;Miasmas pútridos emanam do Congresso em Brasília contaminando o ar da metrópole. Mas o meu nome não exala odor mefítico, porque não chafurda no pântano da ignomia&#8221;. O bordão todo mundo já sabe. Correndo por fora vem o Maurício do Avestrus (sic), que disse ter trazido a grande ave pernalta, que se escreve com Z, para o Brasil, o que criou milhares (sic) de empregos. O aposentado Osmar Lin é outro que tenta parecer simpático com seu óleo de peroba. As marmotas são encontradas nos links marcados em todo o texto em azulzinho. E ponto.</p>
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		<item>
		<title>O cristo de pernas abertas</title>
		<link>http://rio.metblogs.com/2006/08/11/o-cristo-de-pernas-abertas/</link>
		<comments>http://rio.metblogs.com/2006/08/11/o-cristo-de-pernas-abertas/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 11 Aug 2006 07:46:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_sergio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Sobrevivência virou emprego. Coisa de governo&#8230;
Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).
Fonte: site do Ministério do Trabalho e Emprego
Profissional do sexo - Garota de programa , Garoto de programa , Meretriz , Messalina , Michê , Mulher da vida , Prostituta , Puta , Quenga , Rapariga , Trabalhador do sexo , Transexual (profissionais do sexo) , [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobrevivência virou emprego. Coisa de governo&#8230;</p>
<p>Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).<br />
Fonte: site do Ministério do Trabalho e Emprego</p>
<p>Profissional do sexo - Garota de programa , Garoto de programa , Meretriz , Messalina , Michê , Mulher da vida , Prostituta , Puta , Quenga , Rapariga , Trabalhador do sexo , Transexual (profissionais do sexo) , Travesti (profissionais do sexo).</p>
<p>Competências pessoais<br />
1	Demonstrar capacidade de persuasão<br />
2	Demonstrar capacidade de expressão gestual<br />
3	Demonstrar capacidade de realizar fantasias eróticas<br />
4	Agir com honestidade<br />
5	Demonstrar paciência<br />
6	Planejar o futuro<br />
7	Prestar solidariedade aos companheiros<br />
8	Ouvir atentamente (saber ouvir)<br />
9	Demonstrar capacidade lúdica<br />
10	Respeitar o silêncio do cliente<br />
11	Demonstrar capacidade de comunicação em língua estrangeira<br />
12	Demonstrar ética profissional<br />
13	Manter sigilo profissional</p>
<p>Recursos de trabalho<br />
1                   Guarda-roupa de batalha<br />
2                   Preservativo masculino e feminino<br />
3                   Cartões de visita<br />
4                   Documentos de identificação<br />
5                   Gel lubrificante à base de água<br />
6                   Papel higiênico<br />
7                   Lenços umedecidos<br />
8                   Acessórios<br />
9                   Maquilagem<br />
10                 Álcool<br />
11                 Celular<br />
12                 Agenda </p>
<p>A &#8220;Tabela de atividades&#8221; eu não posto. Deprime. Quem quiser acessa http://www.mtecbo.gov.br/busca/descricao.asp?codigo=5198. Está no &#8220;Menu da família&#8221;.</p>
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		<title>Senhor Laudêmio e Dona Enfiteuse</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Aug 2006 09:01:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_sergio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Foram-se os portugueses desta terra onde plantando, tudo dá. Mas, para sacanear quem ficou, plantaram dois filhos bastardos: o Laudêmio e a Enfiteuse. 
Quando eu ouvi a história da primeira vez, desconfiei ser mentira. Parece episódio daquela série bacana &#8216;Além da Imaginação&#8217;, mas não é não. No século XXI tem carioca que paga imposto do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foram-se os portugueses desta terra onde plantando, tudo dá. Mas, para sacanear quem ficou, plantaram dois filhos bastardos: o Laudêmio e a Enfiteuse. </p>
<p>Quando eu ouvi a história da primeira vez, desconfiei ser mentira. Parece episódio daquela série bacana &#8216;Além da Imaginação&#8217;, mas não é não. No século XXI tem carioca que paga imposto do século XIX.</p>
<p>Completos pelo menos dois séculos de vida, o Laudêmio e a Enfiteuse incomodam muita gente. Eles são impostos da época do império que milhares de proprietários de imóveis no Rio ainda pagam para herdeiros de donos de sesmarias, terra, chão, onde esses imóveis foram construídos. </p>
<p>Só em Botafogo, três mil pessoas brigam na Justiça com uma tal de família Silva Porto por causa do Laudêmio. A taxa deve ser paga para a família, detentora do &#8220;direito real&#8221; das terras, toda vez que um proprietário queira vender seu imóvel. </p>
<p>No Flamengo e na Barra da Tijuca, o problema é com a Enfiteuse. Conhecida como taxa da marinha ou foro, é um imposto cobrado anualmente dos imóveis em terreno de Marinha, isto é, &#8220;a 33 metros do mar ou rio navegável&#8221;. A metragem é referente ao alcance das balas de canhões da esquadra francesa que ameaçavam o litoral brasileiro quando a taxa foi criada. Como daqui não dá para ver onde estão apontados os canhões franceses do outro lado do oceano, nossos legisladores resolveram proibir a criação de novas enfiteuses no último Código Civil de 2002. Mas, puxa, por um deslize, esqueceram de tratar das pré-existentes ao novo Código. </p>
<p>Conclusões da história: </p>
<p>(1) Se você anda puto por pagar IPTU, CPMF, ICMS, IPVA, ITR, imagina a paciência de quem trata com o Laudêmio e a Enfiteuse&#8230;;<br />
(2) quem mora à beira-mar paga taxa de ótario;<br />
(3) more no interior, mas evite Petrópolis. Ouvi dizer que o pessoal de lá paga o laudêmio que sustenta os herdeiros da família real. </p>
<p>Qualquer dúvida, perguntem a um advogado.</p>
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		<title>A segunda marcha dos pingüins</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Jul 2006 20:38:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_sergio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>

		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<category><![CDATA[Praia]]></category>

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		<description><![CDATA[Todo mundo está com a cara torta de fazer dengo ao ver imagens dessas aves alvinegras em nossa orla. Pois saibam a verdade. Esses animais recebem tratamento melhor do que muito refugiado neste país. Vamos aos fatos. 
Está prevista para o final do ano, a construção de uma Base de Reabilitação no Zôo de Niterói. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todo mundo está com a cara torta de fazer dengo ao ver imagens dessas aves alvinegras em nossa orla. Pois saibam a verdade. Esses animais recebem tratamento melhor do que muito refugiado neste país. Vamos aos fatos. </p>
<p>Está prevista para o final do ano, a construção de uma Base de Reabilitação no Zôo de Niterói. Os clientes? Em sua maioria pingüins, que contam com o apoio de biólogos, responsáveis por justificar suas vindas às badaladas praias cariocas ao fato deles se perderem nos mares do sul à procura de comida. O projeto está orçado em R$ 300 mil, onde será reproduzido o ambiente de uma praia, com pedras, vegetação de restinga e mangue. </p>
<p>Os bichos receberão tratamento em três piscinas onde farão fisioterapia, além de terem à disposição, consultório veterinário e acompanhamento nutricional. Ao atingirem a boa forma, os pequenos seguem de avião, em vôo da Força Aérea Brasileira (FAB), para outro centro de reabilitação no Rio Grande do Sul. Lá, são sujeitados a brincadeiras recreativas, as quais os cientistas chamam de estudos. </p>
<p>A farra termina em um último passeio de barco onde são deixados em correntes que (torço!) os levem de volta ao Estreito de Magalhães. O resto do ano já passou no cinema. Os pequerruchos nidificam no pólo sul ao som de música classica até atingirem a idade da esperteza quando planejam nadar de novo em direção aos leitos do Rio de Janeiro para desespero do nosso Corpo de Bombeiros e achincalhe das finanças públicas.  </p>
<p>Só este ano 104 pinguins foram recebidos no Zôo de Niterói. </p>
<p><em>Texto baseado em informações publicadas hoje no jornal O Estado de São Paulo. </em></p>
<p><em>Nota da redação: Em adianto, rebato os mal-intencionados em atribuir a algum recalque paulista a fonte dessas informações verídicas que retratam as picardias do pingüins no Rio. Falta de praia pode contribuir para o distanciamento necessário para a busca do conhecimento objetivo.     </em></p>
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		<title>Com a boca na botija</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jul 2006 22:21:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_sergio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
O flagrante é no mínimo inusitado. 
Dias desses, o guarda municipal não resistiu aos bons preços da barraca na Praça XV de dvs´s raros e piratas e deu uma olhadela no catálogo. Não que ele não tenha o direito de sacar 10 pratas do bolso do uniforme para assistir em casa, Fritz Lang com a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="camelo2.jpg" src="http://rio.metblogs.com/archives/images/2006/07/camelo2.jpg" width="213" height="284" /><br />
O flagrante é no mínimo inusitado. </p>
<p>Dias desses, o guarda municipal não resistiu aos bons preços da barraca na Praça XV de dvs´s raros e piratas e deu uma olhadela no catálogo. Não que ele não tenha o direito de sacar 10 pratas do bolso do uniforme para assistir em casa, Fritz Lang com a patroa. Afinal, a situação não tá fácil pra ninguém. </p>
<p>A graça da história é que uns dias atrás ele provavelmente estava distribuindo sopapos e pimenta no olho em nome do combate à pirataria em operações no Centro ou Copacabana.  Mas talvez o cara tenha bom gosto e só reprima quem vende Hulk, Jogos Mortais II entre outras pipocas&#8230; </p>
<p>Aliás, conflitos entre camelôs e guardas municipais no Centro da cidade deram uma acalmada, não sei o motivo.  Refresco para os transeuntes que não agüentavam mais ter  pedras portuguesas, paus e radinhos de pilha cortando os céus das redondezas.</p>
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		<title>A razão me falta</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Jul 2006 07:29:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rio_sergio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Sim. Eu entendo o argumento de que um passo para a ignorância é assistir 162 jogos de futebol por ano. Também é fato que o citado esporte deixou de ter lá tanta importância depois que comecei a sair com meninas. Há tempos tento trabalhar minha indiferença&#8230; Mas hoje não. Não consigo, amor. Um hino, mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sim. Eu entendo o argumento de que um passo para a ignorância é assistir 162 jogos de futebol por ano. Também é fato que o citado esporte deixou de ter lá tanta importância depois que comecei a sair com meninas. Há tempos tento trabalhar minha indiferença&#8230; Mas hoje não. Não consigo, amor. Um hino, mais trágico e imponente, que faz a Marselhesa soar como um ruído grosseiro me chama. </p>
<p>Você já descobriu aquela camisa da eleição de um tal de Kleber Leite no fundo do armário. E aquela outra de um tecido gozado repleta de publicidade. Te expliquei que essa era a de treino. A que estava no cabide sob o terno você sacou logo. O vermelho e preto nada sóbrio, destoando no meu guarda-roupa discreto. Lembra? Depois de termos engrenado no namoro também te disse que nasci no final da era Zico. Vi vitórias de menor expressão que não condiziam com o maior estádio do mundo. Alimentei sonhos de ver os triunfos épicos que meus antepassados contaram. Nos últimos 14 anos, 35 milhões de corações, entre eles o meu, foram apunhalados sistematicamente por derrotas desonrosas. Eu sei. Não me cabe a soberba, apenas, a esperança. Acreditamos que hoje será diferente.</p>
<p>Esqueça aquele dia quando você me viu na TV, no Maracanã, ao lado de um alguém, com poucos dentes, que segurava uma placa com a inscrição &#8220;Amor, hoje eu não volto&#8221;, depois da inacreditável classificação para as finais. Não queria te constranger no trabalho. Mas saiba que aquele era um irmão. Ao cair da noite de hoje, no Rio de Janeiro, hordas desses cariocas, bestializados, estarão voltados para uma das mais aterradoras batalhas nacionais estreladas por arquiinimigos: Flamengo e Vasco. Serei um deles. O fracasso ou o triunfo. Será apoteótico. Que o mundo assista.</p>
<p>Te vejo na quinta, ao voltar do lado escuro da lua.</p>
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