Eu preciso, tu precisas, nós precisamos
O Rio de Janeiro precisa:
O Rio de Janeiro precisa:
Retirado do blog do Adão.
Rá rá rá!!! Normalmente eu odeio os seres humanos. Mas às vezes eles me comovem, me surpreendem. Enfim, me alegram. Vejam esta “intervenção urbana” na parede de um tapume no Leblon, Rio de Janeiro, tirando uma onda do cartaz publicitário. É a versão ampliada de desenhar caralhinhos nos cadernos dos colegas da escola.
Perguntinha: O que é de mais mau gosto? A piroca desenhada ou a chamada do outdoor “Viva o aquecimento global”?



Mas à tua equipa, uma sugestão aos caretos, certamente bem trajados e aperaltados, de patilhas em riste e chapéus domingueiros, que boa bisca também é o cabeçudo e o gigantão, muito giros, de fato. Para as senhorinhas aconselho a camponesa ou a lavadeira do Minho.
E quando estiveres à realização das lautas comezainas e beberanças, lembrem-se que o verdadeiro Zé Pereira não se cansa jamais. Sangra das mãos e até dos pulsos, rasga as peles do bombo enquanto o povo lhe pedir. Ensurdece o gajo e a cachopa ao lado com a maior das facilidades. Cheira a vinho carrascão e ameaça, com a moca na mão. Um Zé Pereira nunca está só nem mal acompanhado. Tem com ele mais meia dúzia de supimpas. E se tiver alguns cabeçudos do lado, então, temos o gáudio completo.
Viva o Zé Pereira
viva o carnaval
Viva o Zé Pereira
Que a ninguém faz mal
Alice
anda
engraçado
assim como
a
garça
que
me
deu
um
susto
assim como
o
pato
que
prefere
a
sombra
assim como
a
senhora
que
não
tem
medo
assim como
o
marreco
que
vai
fazer
3
anos
assim como
Alice.
Assim como o Rio de Janeiro não é somente a Zona Sul, o Cristo Redentor não deveria zelar apenas pelos moradores de Botafogo e de Copacabana, deixando os demais habitantes da cidade ao Deus dará, sem a sua proteção e o seu abraço fraterno e benfazejo. Para acabar com esta injustiça e seguir na direção de um mundo mais justo e de uma estátua igualitária que olhe por todos, proponho a reforma do Cristo no alto do Corcovado.
A idéia é simples. A exemplo dos restaurantes giratórios, no topo dos arranha-céus, seria agregado à obra um sistema mecânico-hidráulico, semelhante a um toca-discos, que faria rodá-lo em torno de si mesmo, perfazendo 360° em looping contínuo e democrático, permitindo o Cristo, assim, olhar pela cidade toda. Poder-se-ia implantar um modelo de 1 RPH (uma rotação completa por hora) de modo que ao cabo de um dia o Cristo cuidaria de cada cantinho da cidade em 24 ocasiões diferentes. A vigília seria constante e mais graças seriam distribuídas.
Em princípio seriam apresentadas três versões, de acordo com o orçamento da prefeitura e o desejo da população. A primeira e mais cara faria girar todo o monumento. A segunda hipótese, mais em conta, faria rodar a estátua apenas da cintura para cima. E, finalmente, a solução mais barata, proporcionaria o movimento rotacional única e exclusivamente da cabeça do Cristo, numa versão católica da Linda Blair no Exorcista. Dependendo daquilo que observasse, ali do alto da montanha, o Cristo poderia dar uma vomitada verde também. Ou, talvez, pudesse cuspir eventuais jorros d’água fria, durante o verão, a fim de refrescar os ânimos nos diversos pontos da cidade.
Uma opção mais cara, porém bem mais interessante, seria a criação de um sistema misto de rotação da estátua em 3 seções distintas, cabeça, tronco/braços e pernas, de forma que elas girassem com sentidos e velocidades independentes. No Carnaval — e nas festas de fim de ano, que tal? — um sistema informatizado levaria o Cristo a suingar durante os quatro dias de folia, só voltando ao sistema giratório convencional na quarta-feira de cinzas.
Este projeto poderia ser o primeiro de muitos a serem adotados, posteriormente, em diversos pontos da cidade. Imaginem a possibilidade infinita de se fazer deslocamentos, através de um sistema de transporte subterrâneo, de bairros inteiros de uma região para outra… Imaginem o Leblon sendo deslocado para a região de Bangu. Assim como nas modernas corporações japonesas, onde é praticado um rodízio de funcionários, da mesma forma isto seria aplicado aos bairros, com o propósito de fazer o cidadão de Bangu usufruir das benesses do Leblon e vice-versa. Mais que isso, estaria resolvido o problema de transportes na cidade. A montanha iria a Maomé.
Enfim, são inúmeras as possibilidades, e entre elas não podemos excluir a chance de um deslocamento geográfico substitutivo entre Rio de Janeiro e São Paulo. Vejam quantos benefícios! Quem não gosta do Rio, carioca ou não, poderia viver em São Paulo aqui no Rio… Assim como já ocorre no Rock in Rio em Lisboa, por exemplo. Acho que é por aí.

Assim como o Roberto, o Rio é muito romântico. O Rio pede um beijo na boca. O Rio diz baixinho no seu ouvido que você é a mulher mais linda, que você é o homem mais amado, que sem você, eu não viverei. Não, eu não viverei. Mas, elegi alguns lugares, spots, cromaquis naturais da cidade maravilhosa, para você atuar, em uníssono com as batidas do coração do seu amásio, o beijo apaixonado da última cena de amor.
(more…)
Isso foi em Ipanema, há quase um mês. Plena quarta-feira.
Ai, ai…
Quando eu vejo o Rio, eu vejo assim, ó:
Aí expliquei para alguns amigos que eu via “mitocôndrias” no céu. Me faltou uma palavra melhor para descrever aquelas linhas que dão sensação que a gente tem “vista arranhada”. Pelo visto, todo mundo tem.
Essa foto aí é das Paineiras. Sempre que volto da praia da Barra e passo pelo Alto da Boa Vista (que meus amigos gringos insistem em falar “Are we in some kind of jungle or something?”), dou uma paradinha nas Paineiras. Pra ouvir o silêncio, me distanciar do Rio e enfiar a cabeça debaixo daquela ducha forte.
Com a ducha batendo na minha cabeça, fecho os olhos e vejo mitocôndrias, lisossomos, ribossomos e complexos de Golgi.
Na Feira da Glória, um tiozinho vende peixes vivos em sacos plásticos.
5 metros depois, um tiozinho vende peixes mortos.
Ainda na feira, uma senhora vende perucas. Ela sorri e diz: “Você sabe, eu não tenho cabelos”. Quando vou bater a foto, ela pára de sorrir.
Um homem simpático tenta me vender um guarda-chuva bonitinho por 1 real. Agradeço e digo que estou sem trocado. Ele diz “Pode ficar pra você”, eu repito “Pode ficar pra você”.
Dia bonito.
Pode ficar pra você.

Quando você vai à praia, você vai pra onde? Ipanema e seu burburinho? Leme e sua calmaria disfarçada? Copa e sua farofa? Barra e sua miscelânia de gente? Prainha e seus belos surfistas?
Você já foi à praia do Perigoso? Você já ouviu falar na praia do Perigoso? Sim? Que bom pra você! Não? Não sabe o que está perdendo. As praias da Zona Oeste da cidade são incrivelmente mais limpas, e arrisco aqui, bem mais bonitas. É necessário ir até a praia da Barra de Guaratiba, parar o carro (no final de semana é um pouco complicado, é preciso chegar bem cedo) e fazer uma agradável e tranqüila trilha de uma hora, mais ou menos, até a Praia do Perigoso. Ali você pode estender a caminhada e atingir o topo da Pedra da Tartaruga. A praia não deve nem ter 200 metros de extensão. Maravilha. Um pequeno oásis. Que te faz questionar: “Estamos no Rio mesmo?” A praia costuma ficar mais cheia nos finais de semana. “Cheia”, leia-se 40 pessoas, 50 pessoas no máximo. Não há nada para comprar lá, é bom levar água, frutas, barraca (se bem que há árvores, você só tem que chegar antes e se ocupar de uma sombra), biscoitos y otras cositas más. Rola também a Praia do Meio, um pouquinho mais afastada e um pouquinho mais vazia. Na volta pra casa, existem várias opções de restaurantes pelo caminho. Peixes frescos e deliciosos. E nada muito caro. Não sei porque o nome da Praia é Praia do Perigoso. A trilha é super leve, e absurdamente linda. Na volta, dependendo da época do ano, o caminho é abençoado com um pôr-do-sol espetacular. Então, no próximo final de semana, ao invés de ficar enfurnado em casa, vendo TV ou na internet, junta uns amigos, racha uma gasolina, compra umas tangerinas e vai lá. Coisa linda. Coisa nossa.

(Praia vazia, vazia… Pleno domingo. Tens noção?)
(Pedra da Tartaruga, uma graça, né? Foto da trilha.)
Todas as footos são da minha amiga talentosérrima Tainá Del Negri