Viva Raul!
Uma das grandes características da cidade do Rio de Janeiro, e talvez seja melhor dizer do povo que nela habita, vem a ser a inigualável facilidade com que se encontra gente de todo tipo sempre disposta a entabular amistosa conversação nos pé-sujos que se espalham por toda parte. Eu já andei por vários cantos do país e alguns outros fora dele e digo que não há nada igual. Sou capaz de lembrar de conversas engraçadíssimas que tive com estranhos, conversas de uma noite ali encostado no balcão do botequim. A última aconteceu na Casa da Cachaça. Pra quem não sabe, a Casa da Cachaça é um minúsculo boteco na Mem de Sá que vende, é claro, cachaça. Eles têm lá uma enorme quantidade de marcas, pra consumo local ou não. Muito bem. Eu estava no meu canto bebendo uma cerveja e fazendo hora antes de seguir pra outro local, apenas observando a farra naquele bar do outro lado da rua. Pra quem não sabe também, tem um bar de nordestinos – em sua maioria — bem em frente à Casa da Cachaça. O lugar é bombado através de potentíssimas junkie boxes que tocam todos os tipos de forrós, xaxados e baiões. Como todos sabem, esse gênero de música é, nada mais, nada menos, a música árabe, mais sincopada e com temática mais mundana. Mas se você fechar os olhos e cantarolar alguma coisa como “ramaji alah amadjih al-ramah”, como eu fiz ali enquanto ouvia ao fundo um forró ou um xaxado vai pensar que está bebendo arak em Riad. Sobretudo porque abre os olhos e vê três cabras dançando lado a lado, fazendo uma coreografia de pernas e braços retorcidos que lembram muito aqueles kurdos do youtube. Bem, eu estava lá comprovando a teoria musical do oriente-médio-nordestino e eis que avisto um tipo peculiar entre os presentes. Um sujeito baixinho de uns sessenta e tantos anos, longas barbas brancas, colete e um boné de revolucionário francês. Daqueles de feltro marrom. Parecia aquele personagem do Angeli. Viva Rauuuuuuuuullllll!!! gritou ele. Viva Rauuuuuuuuullllll!!! berrava. Eu levantei meu copo, o de Seleta, e retribuí a sua empolgação sem gritar: Viva Raul! Ele sorriu e veio bater o seu copo de cachaça no meu. É o Raul Seixas que você está homenageando? Não!!! Respondeu com os dois olhos arregalados. O Raul Castro! Viva o Raul Castro!!! Ah!… claro. Emanuel contou que tinha visitado a ilha diversas vezes. Cinco ou seis vezes. É mesmo? E o que é que tem de melhor por lá? O tratamento. Fui muito bem tratado. É isso o que tem de melhor lá. Todo muito é muito bem recebido, seja quem for. Mas e a comida? Frango, só comi frango… Y las chicas? Aí ele coçou a barba, deu uma risadinha e fez hummm… Ha-ha! Imagino… Então Cuba é que nem um boteco carioca, não é? É, é sim. Emanuel ainda falava de Cuba mas de repente muda a expressão, fica sério, vira para a pequena multidão na calçada e volta a gritar: Lula safaaaaado! Lula traidooooor!!! Na hora levei um susto mas depois ri bastante, devo confessar. Como ele seguia com os impropérios eu tentei fazê-lo esquecer o Presidente e pensar nas coisas boas de Cuba. Emanuel, e que tal o rum, que tal os… Lula sem-vergonha!!! Lula corrupto!!! Desisti. Ele tinha mudado o tom e agora encarnava um daqueles sindicalistas barbudos que, há algum tempo atrás, berravam palavras raivosas à porta das indústrias do país. Lembram? Esse mundo é mesmo pequeno e dá muitas voltas pela Mem de Sá.
A redundância pleonástica é justificável por se tratar do nome de um bar localizado em Lisboa, Portugal. Há algum tempo, já, foi lançada uma edição
Don’t stop it now, don’t stop it, no, don’t stop it now… É, foi um sucesso a comemoração de mais uma primavera do querido Marcelo Nóbrega — o fundador dessa jossa aqui, o Metroblogging Rio. Nosso amigo não é mais parte presente do grupo, entretanto, é parte 
