Archive for the ‘Bares’ Category

“Tomorrow we go to religion”

Ontem à noite, lançamento do livro da Bruna Baby no Belmonte do Jardim Botânico. Maíra, Letícia, Nix, LP e eu estamos numa mesa, antipaticamente fazendo a “panela Metrobloggin Rio”.

Mesa, vale dizer, invadida por nós. Porque antes tinha um cara lá, tomando sopa. E aí a gente chegou e pediu licença, não tinha mais mesa. E no final ainda beliscamos o pão dele.

Lá pelas tantas a Bruna me chega trazendo um cara. Um gringo. Poeta. De Nova York. “Ele tá meio deslocado, acho que vai se dar bem aqui com vocês. Posso?” Claro, Bruna. Agora tô me sentindo a pós-vanguarda do Village! Bruna passa a guarda do gringo pra gente, eu digo “Põe do lado do Nix”. Tava a fim de sacanear o Nix.

No Rio tem sempre um gringo pra gente fazer sala. Explicar as coisas, perguntar se é a primeira vez aqui, se tá gostando, quando vai embora, se já matou uma onça no corredor do hotel, ficou com caganeira, essas coisas da cultura. Nix merece uma medalha do Itamaraty. Fez direitinho o protocolo enquanto o resto da mesa conversava.

Mas Nix carregava um violão, coitado. “I WANT TO SING! SIIIIIINNNNGGGG!!!!!”, começou a gritar o gringo, já cheio de cachaça na tampa. Pensei logo no Lou Reed dando esses ataques de pelanca pós-vanguarda no Village, Lou Reed chiliquento ao lado da Rachel, o traveco com quem ele dividia as alianças antes da Laurie Anderson. E Rachel fumando um cigarro com um sorriso amarelo, cara de tédio diante de mais um ataque de pelanca da vanguarda nova-iorquina.

Letícia então resolve explicar pro cara que hoje comemoramos no Rio o Dia de São Cosme e São Damião. Uma festa, mas também religião. Religion saca? E decide convidá-lo pra testemunhar os festejos. Lou Reed pega o telefone da Letícia e diz que vai ligar pra eles irem correr juntos atrás dos doces. Nessa hora chega um amigo do gringo, arrastando-o pra outra mesa. Na despedida, ele manda pra Letícia a frase da noite:

– TOMORROW WE GO TO RELIGION!!!

É isso aí, Lou: no Rio, religião é festa, e simpatia é quase amor, vê se entende. Entende o amor. Se quiser entender o Rio, leia o Metrobloggin, porra!

E a noite seguiu em frente com o Nix dando um sumiço na cadeira vazia da mesa.

“Garçom, por favor: olha nos meus olhos”

Cedo assim e esse velho chato já tá reclamando?

Isso mesmo, caro leitor. Até porque já vi que o Metrobloggin Rio também é isso: um grande Serviço de Atendimento ao Consumidor solitário dos blogeueiros que aqui persistem. Como tem coisas que ninguém ouve, só Deus, a gente tenta não ocupar muito o tempo Dele com reclamações e ocupa o de vocês, coitados.

Então, velho: qual o motivo do azedume?

Quando vêm ao Rio, amigos e parentes de São Paulo têm o costume de reclamar: “Meu, o atendimeinto aqui no Rio é uma bosssta!” Antigamente atribuía isso à velha (e inútil, perdoem-me os bairristas; adoro São Paulo) rixa entre cariocas e paulistas, ou seja: o pessoal de lá não tem praia, mas conta com bons garçons e recepcionistas.

Hoje em dia eu concordo: o atendimento no Rio é uma bosta. Meu maior exemplo: os pedidos que eu faço na maioria dos bares, restaurantes e lanchonetes do Rio vêm errado. Não costumo tomar café da manhã, mas quando o faço é no Centro mesmo, indo pro trabalho. Tomo o café da manhã andando, sempre um suco ou uma vitamina, que eu peço invariavelmente da mesma forma (caraca, que velho esse Nuno): SEM GELO, SEM AÇÚCAR E PRA VIAGEM.

A reunião desses três fatores, no entanto, é muito rara. Quando a vitamina vem sem gelo e sem açúcar, baixa na minha frente num copo de vidro. Quando vem pra viagem, está sem gelo, mas com açúcar. Qual o problema? Anos trabalhando com liqüidificador esporrento deixam o sujeiro surdo? Não, porque às vezes ele entende o pedido. Será que ele acha que vitamina de banana com aveia é melhor com gelo e açúcar e está querendo me mostrar isso? Obrigado, amigão, mas além de velho eu sou teimoso.

Ou seja: eu acho que é incompetência e displicência mesmo – ou a falta de capricho nacional que, segundo uma teoria bem particular, eu acredito ser um dos grandes males do Brasil.

Mas como o amor deve prevalecer sobre a impaciência, vou tentar plantar carinho e pedir assim daqui pra frente:

– Garçom, meu anjo: olha agora nos meus olhos. Isso, sem medo… Agora relaxa e ouve. Isso: eu quero a minha vitamina sem gelo, sem açúcar e pra viagem – e tasco-lhe um beliscão na bochecha.

Sorri, Maíra

Caf%C3%A9%202.jpg

A Lollô colocou à venda as xícaras onde é servido o café, igual a essa aí da foto (só que novas, claro).

O preço é de souvenir do Hard Rock Cafe: R$ 14 cada jogo, com um pires e uma xícara.

Apesar disso, me contaram que o mimo tem saído – e bem.

Outro dia, só um cara levou seis delas.

Desculpe a ausência,

mas estava muito ocupado me divertindo.

Quer dizer… primeiro estive doente com uma dessas gripes que brasileiro tem mania de batizar com nomes engraçadinhos. Não sei quais são as viroses mais pops do momento, mas fiquei chegou a me deixar acorrentado na cama. Era responder um email, 10 minutos deitado, responder um email, mais 10 minutos de descanso. Sem condições de falar sobre a cidade em qualquer aspecto.

Agora estou ótimo, que bom que você perguntou, e retomei minha vida social e assim que a chuva der trégua, saio por aí fazendo Jornalismo Bonzo.

Pra começar, o flagra ontem a noite no Irish Pub: Eu (no centro e horrível), junto dos Metrobloggers cariocas: Cid, Letícia e Nuno Virgílio (aniversariante da noite).
metrobloggers_500.jpg

Aqui pertinho também tem…

… um boteco cheio de adolescentes. Eles fazem ponto no bar, quase todos os dias, rindo, conversando e até brigando entre muitas cervejas de garrafa.

O bar é daqueles que parece mínimo de fora, mas quando se entra é grande e um mundo separado do resto do bairro. Um prazer para qualquer voyeur, que se maravilha com os sons e imagens dos grupos reunidos.

Ainda não sentei para tomar minha cerva. Por enquanto, o boteco se resume ao pit stop habitual para comprar o maço de cigarro que vai me acompanhar durante a noite e o resto do dia seguinte. Mas, além do prazer rápido de ouvir e olhar, o bar me traz esperança num Rio cada vez mais cravejado de franquias de botecos.

Eles estão aos montes. Belmontes (sem trocadilho), Conversas Fiadas, Devassas. Algo me diz que, a cada novo aberto a verve do original se esvai, como o chope gelado num fim de tarde de verão.

O boteco é uma das marcas registradas do Rio de Janeiro. Algo que não existe em nenhum outro lugar, mas que é cada vez mais raro por aqui. O balcão molhado, as comidas em exposição, o azulejo encardido e cheio de histórias e o dono, que perambula no limite entre a simpatia e o saco cheio. Quem gosta o preserva como um bicho em extinção. Aprendeu a conviver com o medo de, um dia, chegar e ver a porta fechada, o letreiro desmontado. Ou pior – uma franquia no lugar.

Simplesmente

(vulgo Somente, Sta Tereza, Rio de Janeth)

no guardanapo escrevi
uma carta, um poema
um hino-conflito de amor
sobre a tristeza de quem
sente saudade

eu pedia socorro ao tempo
e perdão ao passado
e pro garçom, na juke box,
uma canção do Odair
que me toca fundo n’alma

descrevi o bar, a bebida
dizia que esperava, riscava
a despedida. eu falava
dos teus olhos nos meus
e da falta do teu corpo
por perto

conversava sozinho
chorava baixinho
e van gogh
da parede contemplava
meu girassol na lapela.

Out on the weekend

O centro do Rio de Janeiro visto de dentro da Confeitaria Colombo numa sexta-feira à noite é diferente. E, bom, eu tenho adorado escrever sobre o centro do Rio de Janeiro desde que vim trabalhar aqui. È um lugar que eu sempre gostei, pronde me levavam na infância. A minha geração não conhece o Centro, e sequer sabe se locomover por lá. Os 50 e 60 pra cima sabem porque as manifestações políticas aconteciam por lá, assim como o Carnaval. Mas a minha geração não conheceu isso, no máximo bate ponto no polígono dos museus e centros culturais que começa na Praça XV e acaba na Primeiro de Março, com extensões pro Centro Cultural da Caixa e o Centro Cultural dos Correios, no Largo da Carioca. Pois eu faço o centro do Rio de Janeiro num pé só e até com ele nas costas, conheço cada beco, é como se eu já tivesse sido camelô lá. Explico: quem me levava pra lá na infância era uma tia minha. Que me arrastava, na verdade, pra todos os pólos culturais escondidos no centro do Rio. Eu ia sem entender mas eu ia feliz da vida. A única coisa de errado que essa tia fez comigo além de me entupir de livros, era permitir que eu jogasse milho pros pombos na Cinelândia. Aqueles ratos voadores que voam do gótico à arte moderna com a mesma cara, largando bosta envenenada na gente, ou quando muito sabiamente naquelas estátuas. As estátuas da Cinelândia são muito feias, não sei quem colou aquilo lá. E aí a gente andava da Central até o Passeio Público parando em todos os lugares e fechávamos o dia no cinema, normalmente aos sábados, e com a minha prima menor a tiracolo reclamando que era longe e não tinha ninguém na rua.

Nunca dei pela falta de pessoas no centro do Rio aos sábados porque elas realmente não faziam a menor falta quando o que eu queria entender era porque o centro era mais cinza que o resto da cidade da toda, e porque lá tudo era mais bonito e mais rebuscado e mais mais mais. E aí começa crescer o monstro ouvindo causos de arquitetura e história e Europa e colonização e nuvô e decô e gótico rococó não sei que mais assim no meio da rua.
(more…)

Ai, como é gostoso o meu Azulay!!!

Charme.jpg
Azulay, em Ipanema: charme, luxo e requinte no melhor do Rio

É, eu sou um sujeito de sorte: até hoje tenho ao meu lado os meus amigos de colégio. É um privilégio de ouro o convívio com esses moleques que eu conheço há 20 anos e com quem ainda falo todo santo dia, o dia inteiro, graças à internet, a melhor amiga das amizades. Muitos de nós não moram mais no Rio, estão por aí, em Sampa, Curitiba, na Alemanha, em Teresópolis (cidade onde a base do grupo se conheceu), mas a impressão que dá é que contiuamos lá, fazendo merda no fundo da sala de aula. Somos testemunhas de uma porrada de coisa em nossas vidas, da descoberta dos discos fundamentais às vitórias e conquistas das primeiras paixões, casamentos, filhos, separações, e claro, o desvirginamento das vehlas madrugadas em porres e ressacas inesquecíveis (especialmente aqueles que não lembramos direito).

Como ocorre com a maioria dos amigos homens, essa espécie que só chega à idade mental de 14 anos, no caso dos Idiotas – é assim que eu chamo a patota – a descoberta do álcool é um eixo central na história da amizade. Mais especificamente, no nosso caso sempre existiu um bar ruim no meio, daqueles que a gente ama como o filho ingrato, por causa dos defeitos e nunca das virtudes. O maior de todos, o antológico, o imortal, será sempre a teresopolitana Adega de Baco, que Deus a tenha, depois de ter desmoronado (literalmente, olha o nível da espelunca) e ter dado lugar a uma loja de tapete. Depois vieram o Bar da Maria, o Mafiosos, o Bar do Mick Jagger e tantos outros, igualmente ruins e cheios de cerveja barata e gelada (na verdade a única virtude perseguida pelos Idiotas), mas com um defeito: ficavam todos em Teresópolis. Levamos anos até encontrar um substituto à altura aqui no Rio, mas há um ano ele foi finalmente encontrado: é o Azulay, em Ipanema.
(more…)

No tapete verde

taco1.jpg

O tapete verde é sagrado e a sua volta os espectadores prestam reverência. A bola corre macia em busca do seu objetivo, empurrada por toques que alternam a suavidade e a força, precisos quando partem do mestre.

Para alguns, a sinuca desperta a mesma paixão que o futebol. Não é o meu caso, mas aprendi a gostar do esporte ao longo dos anos, mesmo sem frenquentar muito as mesas da cidade.

Por conta do Metblog comecei a ir mais ao Boteco Taco, no Humaitá. Ele é uma das casas de sinuca da cidade e tem um atrativo muito especial: é o único bar (dos que conheço) que tem um jukebox. Para quem desconhece o termo, ele indica os tocadores de CD (antes de LP) que são ativados com fichas e com a escolha de músicas de cada um. Com isso, a sequência musical atinge status quase aleatório para quem ouve, indo de Almir Guineto a Foo Fighters em segundos. O nível alcoólico, como sempre, ajuda a compor a confusão que continua a testar as habilidades esportivas com o taco.

Em grupo, o Boteco Taco é diversão garantida, na escolha das músicas e nas partidas em dupla, trio, quarteto ou individuais, decidindo o futuro da humanidade entre as caçapas. Solo, pode ser a oportunidade de observar, aprender a jogar e fazer amizades em busca da bola sete.

taco2.jpg

O Boteco Taco fica aberto até tarde na Rua Humaitá, 122 (2539-5109).

“NÃO TENHO TLOCO!”

Num post recente, a Letícia mostrou um cardápio na Urca com preços hiperfracionados. Num dos comments a este post, a Ângela lembrou de um jornaleiro na Gávea que simplesmente NÃO DÁ troco.

Tenho então um terceiro caso: o de uma pastelaria chinesa na Rua da Passagem, em Botafogo, que em vez de troco dá balinhas de tamarindo. Tá certo, este é um hábito comum em bares e botecos cariocas, mas naquelas emergências em que o caixa não tem troco. Mas na pastelaria da Rua da Passagem não, a mulher do caixa sempre dizia: “NÃO TENHO TLOCO!” – e enfiava as balinhas de tamarindo na freguesia. Um dia bolei um plano que nunca coloquei em execução: ia chegar lá, comer um kibe, um joelho, um pastel chinês de flango, caldo de cana e na hora de pagar ia largar um saco de balinhas de tamarindo no balcão.

Mas agora, caro leitor, disseque comigo a astúcia: cada balinha substituía uma moeda de R$ 0,05, ou seja, a chinesa provavelmente comprava as balas por R$ 0,03 e, monetarizando o docinho, produzia um lucro de R$ 0,02 sobre cada R$ 0,05 supostamente dados de troco.

Parece pouco, mas imaginem isso no movimento de um dia, de uma semana, de um ano do Dragão.

Tá explicado aí o superávit primário da China.

Terms of use | Privacy Policy | Content: Creative Commons | Site and Design © 2009 | Metroblogging ® and Metblogs ® are registered trademarks of Bode Media, Inc.