Archive for the ‘coisas’ Category

Rio de Janeiro, século XXI

Não se pode jogar.

Não se pode fumar.

Não se pode beber.

Comer, só se for uma saladinha orgânica.

Daqui a pouco a reprodução humana se dará exclusivamente por meio de inseminação artificial.

Ao menos, como talvez lembrasse o Tim Maia, ainda se pode mentir um pouco.

E o Natal chegou

As luzes da cidade não negam. Os shoppings - da Barra, especialmente - brigam para ver quem chama mais atenção, não só pela iluminação, mas também pela breguice. Haja lâmpada, pisca-pisca e dourado. De doer a vista. Criatividade, pra que? E nada de economia. A era do apagão se foi e o que importa mesmo é o brilho e esplendor, minha gente. E sem essa de “sáude, amor, paz”. Muito consumo e feliz rombo novo. É o que deseja o bom velhinho.

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foi no Baixo Gávea, um barraco generalizado, coisa de casal em fim, traição, eu acho. a gente não entendia nada, uns palavrões soltos, aquele aglomerado em volta e uma garrafa de cerveja voou estilhaçando no meu pé. claro, cagada em pau de arara. era uma semana da porra, azar rolando no ar. uma desgraça essa vida de gente que desconta mágoa em alheios. ele estava no bar da frente, divididos pela rua - eu numa esquina, ele na outra. e frequentávamos as noites dos mesmos dias. inacreditável toda a coincidência pós barraco de bêbado e garrafa no pé. e eu além daquilo tudo gritando meu horror. ele chegou discreto, querendo ajudar. eu sonhava acordada um jeito de não sentir dor. ele limpou os cacos, fez um curativo de guardanapo com band-aid e escreveu o telefone no papel. só notei em casa. um número por cima do sangue. liguei. deixei chamar três vezes. desliguei. ele ligou de volta. eram 04:30h. pra que usar de tanta educação pra destilar terceiras intenções. daí para a paixão foi fácil. acordos possíveis. envolvimento. sexo bom. o Baixo Gávea era nosso cupido e nosso inferno. nos desentendemos como já era de se esperar. a imbatível precisão dos três meses. se sustentar, vira amor ou dependência sentimental. eu me recusava a acreditar naquilo tudo. mas desgastou. ciúmes, crises, questões freudianas entre nós dois. os garçons já perguntavam - cadê o cara? e eu fui sumindo do território que adorava. como a gente conta que deu fim? era a conspiração social anti-casais. e ninguém nunca havia perguntado sobre nós dois. mas agora era praxe. e eu sorria amarelo. a emoção acabou. depois eu descobri o que era toda aquela tortura. a falta que faz. e eu que não gostava de Cazuza, cabia perfeita - prendia o choro e aguava o bom do amor.

Eu uso óculos!

O mundo mudou pra mim depois que comprei meu óculos escuro. Antes, o sol parecia ser muito mais imponente, incomodava meus sensíveis olhos verdes cor de pasto em que vaca caga, me sentia mais visível ao ser observado pelos outros, já que os outros sempre sabiam pra onde estava olhando. Na praia, então?! Nossa, era luz que vinha do céu, era luz que vinha da areia.
Resolvi, então, num belo dia, comprar um óculos escuro. Feito! Tipo aviator, barato, mas com proteção UVB e UVA, hein! (Em tempo: não compre óculos no camelô - seus olhos não merecem tanto mal)
E a vida mudou maravilhosamente. O sol não parece mais ser tão potente quanto antes - é só uma mera bola gigante de fogo enchendo meu saco - meus olhos já não se incomodam com a claridade absurda de um meio-dia ou por causa do raio de sol que insiste em entrar por entre a cortinha do ônibus e perturbar meu sono pela manhã e, o melhor de tudo, posso olhar pra tudo e para todos (aqui, leia-se bundas, seios e outras partes femininas) sem ser notado!

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Viva os óculos escuros!

Parabéns pra você

Aniversário da Cidade

1º de março ou 20 de janeiro?
Muitos ficam indecisos entre as duas datas. Por isso, inúmeras vezes se tem comemorado o aniversário do Rio de Janeiro no dia do santo padroeiro. Para afastar quaisquer dúvidas, fica aqui registrado sucintamente o episódio de fundação da cidade. Em 1555, os franceses invadiram o Rio de Janeiro pretendendo aqui fundar uma colônia. Em 1564, os portugueses resolveram, enfim, organizar uma expedição para expulsá-los e fundar uma cidade fortificada com o objetivo de impedir para sempre outras investidas. Estácio de Sá, sobrinho do governador Mem de Sá, chegou em terras cariocas no dia 28 de fevereiro com alguns navios e soldados, desembarcando na praia entre o morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar. No dia seguinte, 1º de março de 1565, fundou oficialmente a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em homenagem ao rei menino de Portugal e escolheu o santo de mesmo nome para padroeiro, a quem se presta homenagem no dia 20 de janeiro.

Tirado do site da prefeitura, RÁ!

Cá entre nós, o Rio tá velho e com Alzheimer.
Mas continua com sua beleza de Sean Connery.

Vai entender.

Não odeio carnaval, apenas to deixando passar. Saca?

Acordei há uns 40 minutos atrás com a cabeça naquela lentidão,
típica dos slow motions de flashbacks de filmes e ou novelas.
Levantei toscamente, dei um gole num copo com água e vim pro computador.
Peguei meu sonzinho e pus Massive Attack. Ótimo para acordar lentamente e
para vir aqui tentar escrever sobre algo bacana (ou não).
Então, foliões blogueiros, meu carnaval ainda não começou. Se começou,
eu perdi o bonde porque ainda não aderi ao espírito Carnavalesco. Não sou
do tipo que diz “Odeio Carnaval” ou aquele papo imbecil “odeio gente feia e
suada tocando música ruim” isso é muito “pseudo europeu nazi mal amado do Leblon”.
Mas, enfim, eu geralmente tiro esses dias para curtir a solidão da minha casa, jogar os
jogos de video game mais bizarros (ainda nao fiz isso) , tentar fazer
música no computador ou na guitarra mesmo, ver mais pornografias que o
normal. Nos anos anteriores, eu até fui ha blocos e achei divertido. Mas em
2007, eu fiquei muito relaxado para saber horários das folias “bloqueiras” e to
deixando passar. Eu saí na sexta e ontem. Fui pra festinhas de roqueiros
na Pista 3 e na Casa da Matriz, respectivamente. Foi legal e tal, mas só.
Voltei bêbado as duas noites e de metrô, o que é uma benção. Quanto mais se está bÊbado,
mais rápido o metrô chega ao ponto que você vai descer. Impressionante!!!
Confesso que estou sem inspiração nesse carnaval e nesse post mas agora é
hora de comer minha lasanha da Perdigão. Espero que vocês estejam felizes e ou
bêbados agora. Usem camisinha e nao dirijam bêbados.

beijo no curpo

No Carnaval eu sou do contra

É carnaval, enfim! Época em que os cariocas ficam eufóricos. E é de se esperar, já que ganhamos, praticamente, uma semana de férias, vagabundagem total.
Fala-se no carnaval e logo pensamos: p-r-a-i-a… PRAIA! O povo todo se tostando nas areias do litoral carioca e fluminense, tão quente quanto o Inferno, rolando na areia, catando tatuí, tomando caixote, escutando dona Creide a gritar seu filho Creoswaldo pra comer um franguinho e tuuudo mais!
Protesto, Sr. Meritíssimo! Não, eu não vou à praia! Eu vou é subir a serra, meu bom rapaz! E vou além… um dos meus melhores carnavais passei em Teresópolis, diga-se de passagem que é bem longe do litoral - até as águas salgadas do oceano chegarem lá o mundo já acabou.
Subo a serra e paro em Nova Friburgo, a capital das lingeries (uh hul), e no intuito de passar um friozinho gostoso - quem sabe a sorte de grande de estar acompanhado também, né… não sou de ferro, porra!

Pois é isso… enquanto o Rio de Janeiro em massa vai se espremer nas areias das praias, enfrentar congestionamentos homéricos nas estradas, eu, garotão branquela, vou sem problema nenhum pra Freebourg passar um ótimo carnaval, regado de cerveja e boa música (principalmente rock n’ roll).

Ótimo carnaval pra todos, onde quer que passem!

Carnaval - parte II

olivia%20palito%202.jpg Fui ao Saara e tive visões, tamanho o calor do deserto.
Comprei coisas coloridas para ver se fico animadinha, já que a situação anda fuén fuén fuén fuén.
Uma das visões foi ter visto o Popeye. Juro. Ali na Alfândega. Minha única vontade carnavalesca ainda não realizada é me vestir de Olívia Palito. Sofri o cu da vida por causa de tal apelido. Hoje em dia acho graça e queria entrar dentro da tal blusa vermelha de babados brancos e saia preta. Os 48° cariocas me fizeram delirar que o meu par estava ali.
Filetes de suor escorrendo entre os meus peitos. Me aproximei do Popeye, que na verdade era um desses homens que fica na porta das lojas chamando os clientes: “3 blusinhas, 10 reais, 3 blusinhas, 10 reais”. O delírio do oásis era tanto que estava quase pronta para dizer “Popeeeeye, olha o Brutus!”, quando senti o ar condicionado de uma loja de ferramentas, recuperei a pouca consciência que me resta e só falei: “Moço, onde é a casa Turuna?”

PS: Resolvi que amanhã irei ver as escolas mirins na Apoteose.
A mulher que faz tranças nos meus cabelos durante o carnaval, disse que todos os seus 7 netos desfilarão. Disse que é um espetáculo. E não paga para entrar. Fiquei curiosa e com vontade de dar tchau para os pequenos desfilando.

PS2: Mirim ao contrário é mirim.

O Havaí é aqui.

Mais do que carioca, o Rio tem é Havaianas. Só eu tenho três. Elas estão em todos os lugares, nos pés dos que fazem essa cidade ou estão só de passagem. Não importa se é praia ou boate, inverno ou verão, nem o ambiente de trabalho escapa. Para uns, desleixo. Para outros, condição. Para todos, o símbolo de um estado de espírito mais carioca impossível: descontração. E também democracia. Unhas feitas ou feias, pés de seda ou calejados, calcanhares com sobrenome ou não, todos desfilam com ela. Se a história de Cinderela tivesse sido ambientada no Rio, provavelmente ao invés do sapatinho, o príncipe carregaria uma sandália de tirinhas de borracha para procurar a amada. É, meus amigos, com todo o respeito ao Corcovado, mas para quem vive no Rio, mais onipresente do que o Cristo, é a Havaianas.

5 coisas

1) Sou só eu ou o Rio de Janeiro está infestado de gatos? 90% dos meus amigos cariocas têm bichanos. Eu ADORO em caps lock, mas eu espirro.

2) Depois de anos, fui ao Baixo Gávea. Minha teoria sobre o local se confirmou. Todo mundo se quer, mas ninguém faz nada. Tesão no ar… Os grupinhos de amigas num canto, conversam sobre NADA, não conseguem nem conversar olhando no olho, pois estão ocupadas olhando para o grupo dos machos, que por sua vez, também não falam sobre nada e também não se aproximam da mulherda. E nem venham com esse papo de “mas eles só estão ali para conversar…” Dá pra saber quem está conversando realmente: a) quem tá sentado ou b) quem olha no olho. O que passa com essa gente bonita, elegante & sincera? Medo? Preguiça? Ah, vai catar coquinho, vai.

3) Fui ver “Pequena Miss Sunshine” e tive uma síncope de tanto rir e ficar com cara de boba. O que isso tem a ver com Rio de Janeiro? Tá passando em vários cinemas. Há meses. Vai lá.

4) Você sabia que a lua está cheia? Não, né? Essa cidade agora vive nublada. Mas hoje o sol deu as caras. Mas que se foda o sol. Olha para lua. Cheia. Cheia. CHEIA. Só não vale uivar.

5) Trocentas peças estrearam nesse mês. Eu como atriz séria, não fui ver nenhuma. Mas ficam aqui três recomendações de peças que vi no final do ano passado e adorei:

“A Gaivota” - No Teatro Poeira (R. São João Batista, 104 - Botafogo) O grupo Cia dos Atores mais uma vez mostra excelência em suas atuações. Vale contar também que é um dos meus textos favoritos da vida. É do russo Tchecov. Saí da peça altamente transtornada e cogitei sair correndo pelada até o cemitério. Não me perguntem porquê. Como disse o Pessoa, eu, às vezes, “sou só uma sensação sem pessoa correspondente”.

“Minha mãe é uma peça” - No Teatro Leblon - Sala Fernanda Montenegro (Rua Conde Bernadotte, 26 - Leblon) É com orgulho que digo que o autor, ator e meu amigo, Paulo Gustavo simplesmente ARRASA no papel de Dona Hermínia, uma aposentada com 2 filhos adolescentes. O monólogo é de ter dor no maxilar de tanto que você vai rir.

“A ratoeira” - No Teatro Abel (Rua Mário Alves, 02 - Icaraí- NITERÓI, tá, minha gente?) “A Ratoeira” é a peça teatral que está há mais tempo está em cartaz no mundo!!! É da Agatha Christie. E o elenco também é formado por amigos, que mandam muito bem na comédia-suspense. Divertida!
No mais é isso, essa semana fechei 2 bares, e amanhã canto num lugar onde vai rolar Free Caipirinhas.
Boemia, aqui me tens de regresso…

Um beijo da Maysa.
De mulher para todos.

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