Archive for the ‘Jornais’ Category

Momento A PRAÇA É NOSSAAAAA!!!!

– Na manhã de hoje, a polícia encontrou uma academia de ginástica montada pelo tráfico na Vila Cruzeiro.

– Ah, seu Carlos Alberto… É por isso que neguinho anda dizendo que o fumo tá malhado!

Meu Amigo João

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João Paulo Cuenca é capa, entrevista e alvo de dezenas de fotos desnecessárias no Megazine de hoje no Jornal O Globo.

O rapaz assinará uma crônica semanal nesse mesmo suplemento e invadirá a casa de muita gente por debaixo da porta. Fico extremamente feliz por ele, pois é amigo e não dá pra evitar de pelo menos sorrir quando se fica sabendo de um amigo na capa de um jornal e que, pelo menos dessa vez, não se trata de assunto de polícia.

Hoje posso dizer certas coisas sobre João Paulo. Quando dividiamos esse apartamento aqui no Lido, não éramos amigos por razões de segurança. Viviamos cada um no seu canto tomando cuidado pra não dar muita confiança ao outro porque depois que se vira amigo já viu… acaba-se brigando qualquer dia por qualquer coisa e cria-se uma inimizade besta, um rancor ou uma amargura que não estávamos dispostos a ter. Nos respeitávamos demais e, acima de tudo, estávamos muito ocupados com nossos próprios problemas para perder nosso tempo com bobagens.

Nunca discutimos ou brigamos durante aqueles anos, apenas conversamos pacificamente e sem maiores problemas. Ele lia Nabokov, eu lia Douglas Adams, ele ouvia Chico, eu ouvia Netunos… cada um na sua e em uma bendita harmonia proporcionada por muito consideração, respeito e paredes de alvenaria.

Depois de 2003 cada um foi para um canto, mas sempre mantivemos algum contato. Recentemente, em Paris, lhe enchi propositalmente a paciência durante dois dias até que ele finalmente pedisse arrego e me dispensasse com a desculpa de estar muito preocupado com um prazo qualquer. Foi só dar as costas para que eu risse por dentro recordando todas as minhas esdrúxulas e fleumáticas comparações de Paris com a Cinelândia.

Hoje, depois me deparar com essa agradabilíssima surpresa, lembrei que o próprio me pediu encarecidamente para não publicar nenhuma foto nossa em Paris (pois não costuma gostar de fotos suas zanzando por aí sem controle). Bem… depois dessa matéria no Megazine, acho que não fará muito mal dar uma sacaneadazinha amiga.

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Eu e JP em um dos bares do Quartier Latin no início de um tour etílico

Quoi choque et derange les cariocas et les brésiliens?

Pendant ce mois de juillet j´ai du rester quelques jours hors du pays, et dés que je suis rentré j´ai apris sur la polemique au tour du temoignage sur masturbation à la novela “Páginas da Vida“, òu une dame dejá à la soissantaine racontais sur le jour òu elle a finalement connu l´orgasme – en ayant entendu um album à Roberto Carlos avant se couché et en s´etant reveillé au milieu de la nuit, toute mouillée. La presse donnait pas mal d´attention au sujet et tout mes amis en etait au courant. Lundi de la derniere semaine j´etait etonné en regardant à la une du journal O Globo sur le vol de R$4 billions (1,5 billions d´euros) qu´a peut être eu lieu à l´Alerj (departement public). J´en ai pas entendu parler aprés, ni aux rues, ni au boulot, aucun commentaire. Aujourd-hui – une semaine aprés – je vois à la une du même O Globo une des scenes les plus moches de ces derniers mois: le bebê tout chifonné au Liban, toujours vivant malgrés les bombes. La on est deja à la deuxiéme moitié de la journée et j´en n´ai toujours pas entendu parler; aparament personne est choqué ou derangé. Pas evidant de vivre à une ville et dans um pays ou le sexe choque et derange; et les vols d´argent publique et la violence pas autant.

O que choca e constrange os cariocas?

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Durante o mês de julho fiquei uns dias fora do Brasil e assim que voltei tomei conhecimento sobre a polêmica do tal depoimento sobre masturbação na novela Páginas da Vida, onde uma senhoura carioca de sessenta e tantos conta sobre a noite em que teve seu primeiro orgasmo – tendo escutado um disco de Roberto Carlos e acordado de madrugada “toda babada”. O espaço na imprensa era enorme e todos os meus amigos comentavam o assunto. Na segunda-feira da semana passada fiquei boquiaberto ao ler na capa do O Globo sobre o roubo de 4 bilhões (!!!) de reais supostamente ocorrido na Alerj. Não escutei nenhum comentário à respeito, nem no trabalho, nem nas ruas, nem unzinho. Hoje – uma semana depois – vejo na capa do mesmo jornal uma das cenas mais feias dos últimos meses: o bebê todo estrupiado no Líbano, ainda vivo depois do ataque que matou um monte de crianças. O dia já tá na segunda metade e também ainda não ouvi nenhum comentário, ninguém ficou espantado ou constrangido. Complicado viver numa cidade e num país onde sexo choca e constrange; e roubo de dinheiro público e violência nem tanto.

Bandeira em família

A polícia prendeu um acusado de roubar Viagra em 35 lojas de uma rede de farmácias aqui do Rio – um preju de R$ 500 mil.

O acusado e um comparsa costumavam vender os comprimidos nas favelas da cidade.

Moral da notícia, malandragem: cuidado pra não esbarrar com o vovô na boca-de-fumo.

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