Archive for the ‘Música’ Category

Pixinga e a Banda de Ipanema

Gosta de Carnaval? Evoé, Momo! Evoé Baco! O Carnaval chegou!… Não gosta? Perdeu playboy, porque agora é só isso o que você vai ter. O meu amor pelo Carnaval, por exemplo, é diretamente proporcional à graduação alcoólica em minhas veias. Ainda assim, gosto muito do Cordão do Bola Preta. Sobretudo porque começa de manhã. É bizarro você chegar ali na Cinelândia e ver aquela multidão de bêbados às 10 horas da manhã…

Os blocos — segundo a Prefeitura são 120, vinte a mais que no ano passado — já estão se apresentando há quase 30 dias. Quer informações sobre essa zorra toda, blocos, festas e o escambau? Clique aqui. Aliás, dia 17 de fevereiro, sábado, a Banda de Ipanema, um clássico, volta a desfilar pelo bairro. A concentração é na Praça General Osório, por volta das 15 horas. Depois ela segue pela Vieira Souto no sentido Leblon e volta pela Visconde de Pirajá, em direção à praça.

Pixinginha, o iluminado da Gambôa, morreu nesse mesmíssimo dia 17 de fevereiro, em 1973, quando aguardava para ser o padrinho de uma criança na Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. Sofreu ali o definitivo enfarte. A Banda de Ipanema, que desfilava naquela hora, soube da notícia, silenciou e se desfez. Meu coração, não sei porque…

DelíRIO Barry White

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Poucas coisas tão divertidas quanto ficar em casa sozinha, cozinhando pelada, Barry White nas alturas, e você perceber que por osmose paterna você sabe loooongos pedaços da letra de “Rio de Janeiro”.

Rio de Janeiro – Barry White

Have you been there?
What’re you talkin’ about, man?
I’m talkin’ about Rio, Rio, Rio, Rio.

I’ve been to Rio de Janeiro.
I love the fun in the sun and the people.
In Rio de Janeiro, it’s so exciting to see,
no matter where you go.

Any time, day or night, everything is so alive.
Music there is really hot.
You should see ’em do the Rio rock.
Nothing like it nowhere else.
It’s a feeling that I’ve never felt.
Never stops, never ends.
It blows your mind just being there.

In Rio de Janeiro,
I love the fun in the sun with the people.
In Rio de Janeiro, it’s so exciting to see,
no matter where you go.

I went to Sugar Hill the other night.
From the top you see the city lights.
Took the cable car to the other side.
The moon above was big and bright.
Then I saw this huge crowd.
People dancing and singing loud.
People smiled as I walked around.
I felt so good, so I got down.
In Rio, Rio de Janeiro.

Clique aqui, procure por Barry White. Daí clique no álbum “Lady sweet lady”, que dá pra ouvir 30 segundos da música.
Mas na boa, BAIXA LOGO a música inteira, tire a roupa e vá dançar na cozinha!

Quem não ficar depois “Rioooowwww, riowwwww, riowww de janeirowwww…”, eu dou um doce.

Samba com Zé Carioca

A melhor parte começa 04:20. Adoro.

Ensaio técnico da Sapucaí — eu fui, mas cadê a polícia????

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Conforme noticiou hoje a coluna do Ancelmo Gois, no O Globo, o ensaio técnico da Mangueira e da Beija-Flor levou 60 mil ontem à noite para sambar e torcer na Sapucaí. Eu estava lá, no meio da muvuca verde e rosa na arquibancada do setor 11, cantarolando um samba e aquecendo os quadris para a folia. O Ancelmo noticiou que faltou ambulância, mas eu noticio aqui que faltou polícia também! Felizmente não vi confusão alguma, mas será que as autoridades não se deram conta que grandes multidões + carnaval + cerveja são ingredientes para uma possível combustão espontânea? ACORDA, CABRAL!

Um trem chamado samba e a viagem que continua

Em teoria, no último sábado 02 de dezembro o Rio de Janeiro entrou num trem da Central do Brasil pra comemorar o Dia Nacional do Samba. Só na teoria. Na prática, o Rio de Janeiro entrou no trem pra pandeirear os pandemônios nossos de cada dia, levando o desgracê lá longe e deixando as energias boas da cuicagem telecutearem com o tamborim incendiário que amolece os quadris. E longe é láááá nos cafundós pra quem praticamente só conhece o rio pra turista (pros que tem a pouca vergonha de não conhecer o resto desta cidade de tantas cidades). Longe é Oswaldo Cruz, parada final do trem do samba e ponto de chegada da farra que enche a alma de música, alegria, mocotó e reflexões que se prolongam vida adentro.

Numa ensolarada tarde de sábado partiu a cigana da caatinga em direção à Central do Brasil, trocando um quilo de feijão por um bilhete de ida para uma estação que ela jamais havia ouvido falar. No vagão de janelas emperradas, ela era mais uma sardinha enlatada entre a) um sovaco cabeludo cujo dono encontrou no teto do trem seu balacobaco e b) umas senhoras animadíssimas entoando todas as batidas com seus bundões de 2km². Espremida, a cigana ainda conseguiu sambarolar uns “vai vadiáááááá, vai vadiáááááá, vai vadiáááááá, vai vadiááááááá”, mas tava na cara que ela era turista da zona sul que só samba na Lapa e acha que isto já lhe dá autoridade para dizer que entende de samba (entre uma das grandes descobertas da noite, ela descobriu que é ainda mais ingnorante do que imaginava).

Meia hora de aperto, sovacada na cara, fedor de coisa queimando além dos trilhos e sorrisos imperando na cara e o trem pára na estação final. A mulherada desce em polvorosa: são litros e litros de urina acumulados em centenas de bexigas explodindo de cerveja, tentando se aliviar ainda ali nos trilhos do trem, alívio este interrompido por um segurança que pede pra que pelamordedeus não façam isto com ele. E elas riem e imploram, afinal mijar na rua não deve ser privilégio apenas de macho, que não precisa pedir licença. Os direitos iguais devem sem garantidos até mesmo na sem-vergonhice.

Oswaldo Cruz é subúrbio. Suburbão. Daqueles que grande parte da zona sul nunca ouviu falar, não sabe apontar no mapa, nem tem o menor interesse em conhecer. Daqueles que no folheto da programação ainda precisa se explicar para o povo da zona sul que lá em O.C. o povo da zona sul não precisa se preocupar não, pois se o povo da zona sul tiver bolsa pra guardar, a dona da casa vai levá-las para um quartinho bem seguro e ainda oferecer água pra matar a sede do povo da zona sul. Tava lá escrito na programação, não foi invenção da cigana.

Lá por trás do canal fedorento, tão podre quanto o do Leblon (pelo menos no Rio de Janeiro o fedor é igual para todos), depois de ser espremida pra passar entre a multidão e barracas de salsichões apetitosos para estômagos famintos e mulheres carentes, a cigana e sua trupe fincaram acampamento na roda de samba de uma casa de quintal grande, galinheiro enfeitado com bolas natalinas e um banheiro externo em forma de casinha. A casa, aberta a qualquer fã de samba ou aventureiro que por ali quisesse aportar, pertencia a uma senhorinha de 93 anos, fã de Zeca Pagodinho e avó da genuinamente simpática senhora de bermuda de lurex coladérrima no corpo (de pelo menos uns 20 kg acima do padrão Posto 9 Coqueirão de ser). Essa mesma senhora fritava hambúrguer e calabresa acebolada bem ao lado da mesa onde o grupo da cigana regava o bucho com cerveja, afinal cabelo que se preze tem mais é que ser defumado. Essa mesma senhora que, agradável surpresa, engatou num francês trés bien, merci beaucoup, ao descobrir que entre os amigos da mesa havia uma francesa original. E fez até crepe especial, hours menu, para aquele grupo de visitantes que, entre dois cariocas, incluía um grupo de estrangeiros: uma francesa, um chileno e três pernambucanas. Crepe maravilhosamente degustado, acompanhado de caldo de mocotó e angu a baiana, exatamente como manda o Celidônio. A cigana lambia os beiços e pedia mais.

O final da noite no quintal aconteceu embaixo de uma frondosa mangueira, com todos pagodeando na roda que tinha puxada pra entoar até o sol raiar, mas a trupe já havia descoberto e experimentado o encantador mundo de O.C, lá onde a senhora de lurex e seu companheiro convidam os recém amigos a dormir nas suas casas caso estejam cansados pra voltar (“as mulheres na minha casa e os homens na casa dele”). Olhem só, quem sabe até um case pra entrar no panfleto da programação do ano que vem. Mas bom mesmo seria se o subúrbio não tivesse que dar satisfações.

O epílogo desta jornada ainda está em andamento na vida da cigana, após algumas reflexões extremamente lugar-comum mas de fato tão pouco pensadas: 1) que do outro lado do Rebouças o Rio de Janeiro é negro. Preto, mulato, negão, negona, tição. Lindo. 2) Que na verdade, como bem colocou uma das cariocas da trupe, é ela quem mora num gueto chamado zona sul.

E ainda bem que existe o samba pra unir vários lados de uma mesma cidade.

Meninas, o Rei está lá, esperando que vocês cresçam e sofram de amor

Vi isto no último sábado: uma mulher escolhendo um CD do Roberto Carlos nas Lojas Americanas sob as risadas debochadas de duas meninas, que apontavam as capas da coleção e se entreolhavam como se dissessem: “Que ridículo esse cara”.

Também fazia isso quando minha mãe comprava os discos do Rei. Até que um dia eu senti que, se estou aqui, o Roberto foi um dos que me trouxeram pelas mãos.

Ele está em todos nós, mesmo que a gente negue isso. Está no amor da minha mãe pelo meu pai, provavelmente dos seus pais também (por mais jazzes e rocks que eles tenham ouvido), está tocando no aparelho de som da sala apagada de uma lembrança muito antiga que eu tenho. Está nas minhas dores e nas do taxista enquanto nós dois cruzamos a orla de madrugada, quietos, ouvindo “As Quatro Mais do Rei” numa FM qualquer.

No dia em que eu chorei ouvindo Roberto Carlos pela primeira vez (e aí meu coração, e não meu cérebro, foi capaz de entendê-lo) eu me senti um pouquinho mais brasileiro – e de coração um pouquinho mais surrado, remendado, sem cabacinho.

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Capa do álbum de 1979, o meu preferido

A boa de sexta

Nesta sexta, dia 10/11, na Lapa, acontece mais uma edição da festa Baile Folk, desta vez com as bandas Apanhador Só, de Porto Alegre (que vem à cidade para tocar com a Maria Rita, na semana que vem), e as cariocas Filme e Luisa Mandou um Beijo (uma das melhores bandas do país, na minha desrespeitada opinião). Entre as apresentações das bandas, vão trabalhar os DJs Lume, Eraserhead e Muralha.

As guitarras começam a zunir às 22h, com ingressos custando 6 reales. O Baile Folk está hospedado na Rua do Riachuelo, 125, na Laaaaaapaaaaaa… queriiiiiiidaaaaaaa…

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Porque hoje é sábado

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oh oh oh oh oh oh

É som de preto
De favelado
Mas quando toca ninguém fica parado
Tá ligado

É som de preto
De favelado
Demorô
Mas quando toca ninguém fica parado

(…)

Som de Preto – Amilcka e Chocolate

Chorinho e Cine-Clube

Quinta-feira é Noite do Chorinho no Beco do Rato, seguido de Cine-Clube com os curtas: “Ocaso“, “A História da Eternidade” e “Hambre Hombre“, todos de Camilo Cavalcanti, curta-metragista pernambucano que tá no circuito há tempos.

Eu, particularmente, tô fora desse lance. No entanto, como eu sei que tem gente que gosta de chorinho e de se enfiar em becos de ratos na Lapa, fica a dica.

Serviço:

Chorinho: início as 20:00 h
Cine-Clube: início as 22:00 h
Endereço: Rua Joaquim Silva, 11 (passando a Sala Cecília Meireles, pela rua da Lapa sentido Glória, é a segunda rua a esquerda, entre a Rua da Lapa e a Av. Augusto de Severo)
Telefone: 2222.2359

Por dentro de uma super orquestra de choro

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Imagine ouvir clássicos do Pixinguinha e de outros compositores de choro interpretados simultaneamente por quase 200 instrumentistas ao ar livre. É isso que a Escola Portátil de Música promove todos os sábados , às 12h30, no campus da Uni-Rio na Praia Vermelha, com entrada franca. Só de cavaquinhos são uns vinte, como se pode ver na foto acima. Violonistas eu contei uns cinquenta. E há os trompetistas, os trombonistas, os percussionistas, os flautistas…. Cada bloco de instrumentos tem seu regente próprio. E todos tocam a mesma partitura. É tanta gente em um espaço tão grande que não dá para ouvir bem todos ao mesmo tempo. É preciso caminhar por entre os músicos e se deliciar cada vez com alguns instrumentos diferentes. Ou seja, é como se o espectador fosse um engenheiro de som mixando a música em tempo real para seu próprio deleite.

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