Archive for the ‘Natureza’ Category

Cumulus Nosso

cumulus.jpg Cumulus nimbus
Que estais nos Céus,
Santificada seja a vossa sombra.
Venha a nós a Vossa tempestade,
Seja feita a Vossa chuvarada
Assim na Terra como no Céu.
O ar fresco de cada dia nos dai hoje.
Perdoai-nos os nossos desmaios
Assim como nós perdoamos o tempo abafado
E não nos deixeis cair em prostração
Mas livrai-nos do sol.
Amém.

breve tratado sobre o verão:

“porque sempre chega um momento em que até o bom se torna insuportável.”

- Caio Fernando Abreu

Chove, chuva!

wind.jpg

Trinta ou quarenta dias, não importa, pra mim já faz aí uns dois anos que não chove no Rio. A situação é periclitante. Eu moro no último andar do prédio e o sol bate no meu telhado e em toda a lateral do apartamento — que está voltada para o norte, justamente a fachada de maior insolação. Para piorar não tenho ar condicionado, apenas ventiladores de teto e mais um “Arno” com disposivo para repelente de mosquitos… Meu sonho de consumo era um daqueles splits com 300.000 BTUs. O resultado desse calor e da secura do ar é espirro, tosse seca, olhos ardendo e uma prostração digna de Macunaíma.

Mas enquanto eu não ganho na Mega Sena — eu apostei em 02, 21, 27, 29, 37, 59 e deu 08, 09, 39, 44, 49, 58. Quase, não é? Mas ninguém acertou e a grana acumulou para cerca de R$ 11.000.000! — a solução é rezar para que chova. Tenho acompanhado as previsões do tempo — tão aleatórias e erráticas quanto um jogo lotérico — em sites especializados como o do CPTEC e o Windguru, que eu acho ser o mais legal de todos.

Pelas indicações deste último podemos concluir o seguinte: só vai chover no sábado próximo, mesmo assim um pouco, lá pelas seis da tarde; chove mais forte, no domingo, no fim da tarde; a partir do sábado teremos então vários dias de chuva, permanendo uma nebulosidade constante ao longo da semana. Rezemos, pois.

Quando a chuva chegar

Quarenta e cinco dias de sol escaldante, nem um pingo de chuva e temperatura em torno de 40 graus centígrados…

Olha a cobra!

Encontrei agora a Tereza Lessa na esquina da Fonte da Saudade com a Baronesa de Poconé. Além de rua simpática, onde morou o Jô Soares, a Baronesa de Poconé vinha a ser exatamente a Maria de Almeida Bueno do Prado, esposa do Manuel Nunes da Cunha, o Barão de Poconé. Já a Fonte da Saudade é uma fonte que fica ali na rua Fonte da Saudade. Está na entrada daquele prédio quase em frente à igreja Santa Margarida Maria. Tereza foi minha colega em um curso com o Charles W. Watson, o meu amigo escocês que tem atelier ali na rua Mundo Novo, aquela rua que sobe por Botafogo e desce em Laranjeiras — ou vice-versa — mais ou menos onde se concentra o Gigantes da Lira no Carnaval. Não confundir este Charles com o Charles Tex Watson, assassino e ex-membro do grupo de Charles Manson, o que matou a Sharon Tate, ex-mulher do Polanski. A Sharon e o Polanski trabalharam juntos no divertidíssimo A dança dos vampiros. Não viram ainda? Bom, mas como eu dizia, a Tereza me contou naquela esquina que tinha aparecido uma cobra hoje no prédio dela, ali na rua Bogari, sendo Bogari aquele arbusto de flor branca, e que tinha chamado os bombeiros para capturá-la. Não sei se veio o Coronel Marcos Silva. Se veio, a cobra se fudeu. Eu acho que o termo bombeiro define mal, tanto a função de quem luta contra o fogo, quanto a de quem conserta encanamento. Neste último caso prefiro a versão paulista de encanador. Mas, me desculpem, semáforo é a puta que o pariu. E ponta-cabeça é o caralho. Bem, segundo ela, era uma jararaca. O veneno da jararaca é o seguinte: hemorragia, choque, falência renal e morte. Eu disse à ela, que é filha do ex-Reitor da UFRJ, o Carlos Lessa, dono do sebo Al-Fárábi na rua do Rosário e autor do interessantíssimo O Rio de Todos os Brasis, uma densa análise sobre a decadente mas eterna permanência do Rio como símbolo nacional, eu disse a ela, enfim, que certa vez também tinha capturado uma cobra na minha casa na Bogari, no meu caso uma coral, aquela preta, vermelha e branca e, altamente venenosa, assim como a jararaca dela. Na ocasião eu disse teje presa, taquei ela num vidrão de maionese com tampa furada e, depois de dois dias cumprindo pena ali em casa, eu a soltei, por bom comportamento, lá no alto da Casuarina, árvore nativa da Nova Guiné e também rua onde já morou a Xuxa com a sua mãe. Com a mãe dela, quero dizer. Não sei se apareceu cobra na casa da Xuxa. Nem aranha. Macacos aparecem sempre por aqui. Gambás idem. Morcegos também. Formigas? De dez centímetros às vezes. Consegui ainda dizer, antes que ela seguisse para o seu jogging noturno, que as cobras sempre atacam as fontes de calor. Ou seja meus caros, do jeito que o verão está, cuidado que vai chover cobra por aí.

Total eclypse of the moon

Amanhã, sábado, a gente vai poder observar um eclipse da Lua. Será total e visível, ao menos em parte, em todos os continentes.

Os antepassados não gostavam muito dos eclipses porque eles representariam momentos em que nosso planeta não dispunha da presença do Sol e da Lua. Como se ficássemos órfãos subitamente. Por outro lado podemos ver no eclipse a metáfora de uma possibilidade de independência e de libertação.

A dica do astrólogo Dimitri Camiloto é observar o que aconteceu com a gente desde o último eclipse — setembro de 2006 — e o momento atual. A fase que teríamos iniciado em setembro acabaria agora. O que vivemos e aprendemos neste período de tempo?

No episódio “O Templo do Sol” o repórter e aventureiro Tintim salvou-se de ser sacrificado pelos Incas, junto com o Capitão Haddock e o impagável Professor Girassol, graças ao fato de que, sabendo de antemão haver um eclipse solar, fingiu clamar ao astro rei, o poderoso Pachacamac, pedindo por sua clemência.

O Brasil, que teve um eclipse da Lua no seu aniversário — 7 de setembro — vem enfrentando graves problemas, notadamente a violência desenfreada e o clima impiedoso.

No mais, o eclipse é sempre um ótimo momento para a reflexão ou para abrir uma garrafa de vinho branco gelado, na praia. Como a Lua Cheia acontece sempre no signo oposto ao que o Sol se encontra, este eclipse envolverá os signos de Peixes e Virgem.

Acredite… se quiser. (com voz de Jack Palance)

O bloco mais rápido do mun………

Como organizador da iniciativa, gostaria de reinvindicar junto à Guinness World a entrada do Bloco do Elevador na próxima edição do Livro dos Recordes, na categoria “O Bloco Mais Rápido de Todos Os Tempos”.

O desfile aconteceu hoje, na volta do almoço, entre o 11º e o 18º andares do prédio onde eu trabalho, breve período em que o elevador ficou ocupado apenas por mim e meus colegas de trabalho, libertando-nos das convenções sociais e permitindo que déssemos nosso grito corporativo de carnaval ao som de “Varre, varre, vassourinha”, executada com o trombone-de-boca por este blogueiro.

O ascensorista também dançou, como as câmeras de segurança podem provar.

Amanhã vou pescar

Nada como um bom dia de pesca pra gente descontrair e, sobretudo, conviver com os amigos e com a natureza. Sempre que posso arrumo um tempinho para pescar. Mas já me fazia falta um convívio deste tipo. A pesca pra mim é mais que um esporte. É a minha forma de contato com o mar e todo o seu feitiço. Não me importo se não fisgar nem um lambari. Aproveito para botar a conversa em dia, tomo uma geladinha, não tem coisa igual.

A despeito de todos os problemas da cidade, a Urca ainda é um lugar gostoso e tranquilo pra se passar algumas horas. Seja na Praia Vermelha, seja ali nas muralhas, tomar um chopp no Círculo Militar (forte abraço, Serjinho!!!) e, pescar, sempre que possível.

Vou ensinar um truquinho para os amigos. Foi pescando na muralha da Urca que aprendi. Ali o peixe bom é o peixe espada. Pra preparar a isca (pode usar um camarãozinho) o macete é o seguinte: faz-se o arremesso só com a chumbada, depois pendura-se na linha a bóia com a pernada e isca, por meio de um snap. Como as varas para essa pescaria são longas, e pesca-se do alto da muralha, o conjunto bóia-isca vai descendo pela linha principal até tocar na água. Aí é só abrir mais uma gelada e esperar sentado, porque o bicho, cedo ou tarde, vai fisgar.

Rio abaixo de zero

Em época de comentários sobre aquecimento global em manicure, há gente que acredita que esse tal aquecimento é uma conversa pra boi dormir! Vagando por aí, lá nos meus “links ecológicos”, achei uma reportagem muito interessante, onde podemos ver que alguns cientistas dizem que esse calor todo é sinal de uma próxima era glacial. (?!)
Pois bem. Fico emocionado só de imaginar uma coisa dessas sendo verdade! Imagina um belo domingo de sol e o mar de Copacabana totalmente congelado? E o pessoal nos quiósques? Ninguém ia reclamar da temperatura da nossa querida e acolhedora cerveja.
As garotas de Ipanema não usariam mais biquinis, mas, sim, algumas lindas e - Deus queira - sensuais, quase eróticas, camadas e camadas de casacos.

Há ainda uma outra teoria, que há tempos escutei não me lembro aonde, onde dizia que nosso planeta estaria, aos poucos, mudando seus pólos. Ou seja, o pólo norte estaria migrando, jundo com as andorinhas, para o sul e vice-versa.
Adaptando a citação do nosso grande Antônio Conselheiro, diríamos: “O Rio vai virar Sibéria. A Sibéria vai virar Rio”.

Todo esse cenário, pra mim, seria utópico. Mas como sou bom moço empático, de coração, não desejo que isso aconteça!
Que todos vocês continuem com a cerveja e a praia. Afinal, esse é o espírito carioca.

Antes que me esqueça: continuem também com aquele calor infernal, que surge por baixo da roupa social, em pleno meio-dia - ou dia e meio.

Janis

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A foto, feita ontem com o celular em uma planta na rua Barão da Torre, em Ipanema, não ficou boa, mas isso aí é o exoesqueleto de uma cigarra. Pra quem não conhece o Rio, o canto de uma cigarra no alto de uma amendoeira é a manisfestação mais evidente de que sim, chegamos ao verão.

Como a tia Maria Luiza explicou naquela aula de ciências, e como nos ajuda a lembrar o Manual dos Curiosos, as cigarras são insetos que passam a maior parte da vida embaixo da terra, época em que se chamam ninfas e se alimentam da seiva das árvores. Um ano depois, elas saem pro mundo e vão concluir seu ciclo de vida, fixando-se em algum lugar e abandonando seu exoesqueleto (essa carcaça que lhes envolve o corpo).

Nessa etapa final da vida, que dura poucos dias, os machos cantam para atrair as fêmeas e fecundá-las, dando origem a novos ovos, que darão origem a novas ninfas e etcétera e tal. O órgão que produz o canto característico dos machos localiza-se no abdômem. Às vezes o esforço feito pelos machos é tão grande que eles morrem e caem das árvores em pleno canto, o que criou aquela de que as cigarras estouram quando cantam.

Billie Holliday, Maysa, Cazuza, Kurt Cobain, Jim Morrison e Elis Regina foram algumas das cigarras mais famosas de todos os tempos. Cigarras que não resistiram ao longo e intenso verão da vida.

Essa aí da foto, por causa dos cabelos cor de milho, eu batizei de Janis Joplin.

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