É fácil: mude-se para um bairro com bares de merda.
Tomar um negocinho a alguns quarteirões de casa é uma alegria. Mas também não há nada pior que a conveniência do bar de merda só porque ele fica perto de casa. Agora à tarde, uma amiga muito querida me chamou pra ir à Cobal, no Humaitá, onde ela mora. Adoro a amiga, não mandaria explodir o Humaitá, mas detesto a Cobal. É botar o pé lá dentro e eu imediatmente me sinto casado, barrigudo, com filho e mulher me esperando em casa (pra mim a Cobal é uma espécie de Coccoon ao contrário).
A amiga é sábia e no telefonema se botou à disposição para negociarmos outro lugar. Sou péssimo nessas horas, porque a vontade é de gritar: “COPACABANA, MEU ANJO!”
Sim, é igualmente conveniente, porque eu me escondo aqui em Copa, mas acho que no caso o raciocínio é outro: eu moro em Copacabana TAMBÉM porque aqui tem bons bares, a começar pela Adega Pérola, o Supertrunfo da beberagem (nem vou linká-la hoje, é batata: dia desses eu volto ao assunto com dilicadeza num post-exaltação). Digo mais: até o bar ruim é bom em Copacabana.
Mas o Humaitá… O Humaitá é foda. Ipanema também: não há nada que comova, à exceção do Irish Pub (que era bem melhor na Ronald de Carvalho, faça-se justiça) e do Café e Bar Daniel Azulay (esse aí é um segredo, cubro com código, e só poderei revelar com a autorização da famiglia). E o Leblon… Bom, o Leblon é fraco: costumo andar na Dias Ferreira quando tenho saudade de São Paulo, e o Jobi e a Guanabara, porra… O Jobi e a Guanabara têm o bêbado do Leblon, essa farsa da noite carioca (outro que um dia volta num post-destruição).
Não vou passar o pente em todos os bairros, até porque vou acabar parando em Copa. Vou acabar parando na Pérola, mesa 5, embaixo do relógio. Monogâmico.
Rola um boato aí de que eu parei de beber. Não vou negar: faz quase três anos. Mas ainda sou um bêbado, e minha folha de serviços prestados em anos de dedicação exclusiva ao cotovelo molhado me dá uma certa legitimidade na presente análise, até quando eu peço um Guaraná Baré.
E de modos que na hora de escolher o boteco eu faço que nem o gato: só como o que conheço.