
“Balão”, do pintor Fulvio Pennachi (1905-1992): celebração do passado
Na madrugada passada, um incêndio na Ceasa, em Irajá, destruiu cerca de 200 metros quadrados de caixotaria. Ninguém ficou ferido. Os principais suspeitos pelo preju: dois balões que, segundo moradores da região, caíram no local (leia mais aqui)
Taí: não tem diferença entre balão e bala perdida, mas neguinho ainda acha que balão é brincadeira. Por outro lado, essa notícia me fez pensar que, apesar dos pesares (como foi o caso do assassinato do turista português, comentado aqui no blog ontem e hoje), existem algumas coisas que realmente melhoraram nesta cidade, neste país e neste mundo.
Por exemplo: ainda tem gente que solta balão, mas pelo menos isso hoje é condenável pelo senso comum - e um crime, segundo as nossas leis. Há 25 anos, me lembro bem, soltar balão era literalmente brincadeira de criança. Nas festas de São João da minha casa, em Irajá - lembro-me de umas ótimas também no condomínio onde ainda moram os meus padrinhos, em Jacarepaguá - sempre aparecia um tio com estalinhos, bombinhas e… balões japoneses! (quem aí lembra deles?)
Feitos com arame e papel de seda (tenho tatuado na memória o desenho carimbado com tinta vermelha que os adornava), os balões japoneses eram soltos com a ajuda das crianças. Os pequenos seguravam o balão enquanto o tio acendia a bucha cheirando a querosene e pingando fogo. Os balões japoneses eram miúdos, não iam muito longe não, mas tinham o suficiente para fazer uma merda: fogo (outra lembrança: eles prendendo nos galhos das mangueiras da rua e a molecada metendo pedra em cima).
Ou seja, uma brincadeira impensável nos dias de hoje. Eu mesmo nunca convidaria meus filhos e sobrinhos para soltar balões, e nem o meu tio faria isso com os netos dele. Por quê? Porque, na pior das hipóteses, é ilegal e faz parte do bom senso: soltar balão é uma idiotice e quem faz isso é um idiota.
Sinal de que a gente evolui, aos trancos e barrancos, e que ainda é possível ter esperanças em relação ao futuro.
Acho, por exemplo, que a minha geração é menos preconceituosa que a da minha mãe em relação a um monte de coisas, que os meus pais foram menos preconceituosos que os meus avós, e que no futuro - se Deus quiser - vou levar muito pito dos meus filhos: “Pô, velho: se liga, abre essa cabeça!” - ou que diabo vão dizer essas crianças, se é que elas ainda vão falar ou só mandar torpedo.