Archive for the ‘Poesia’ Category

As placas dos carros [e meu delírio momentâneo]

a agudeza da solidão no túnel rebouças
um carro passa, o homem sorri para mim
LOV na traseira
o amor me ultrapassa
não esqueço o sorriso
mas esqueço a ultrapassada
logo em seguida, LEO me dá uma fechada
abro o vidro e grito qualquer coisa que só faz sentido para mim
{tamanha a velocidade}
stop, não foi a vida.
comecei a ler 3 clássicos:
Miller, Tolstoi e outro que esqueci
mas parei com todos
caminho na rua
tropeço
e LER estala na minha cara de varizes bochechais
o mundo tão high
a gravidade se fazendo óbvia
rápido movimento dos olhos e LOW me reduz
ainda no mundo high,
LEI me assusta.
sou tão tolinha
que o meu poderia ser LET
mas para constrangimento próprio e coletivo, é KYS
eu nunca fui do plural
eu nunca fui de KIS e bau bau
sempre tive LAR e mingau
KEM me procura?
LSD vagando em minha língua de Gene Simons

KAI,
placa%20rio.jpg eu fiz tudo pra você gostar de mim

A morte nas ruas da cidade

A feiosa de cara, morre,
A que mostra a perna, na mesa ao lado, morre,
A colega casada, dois filhos, morre,
A caixa do C&A, morre,
A magricela de preto, nervosa, morre,
A trocadora mulata, toda boa, morre,
A cinquentona da praia, morre,
A adolescente tonta, morre,
A metida de óculos, morre,
A prima mineira, morre,
A médica das crianças, morre
A mulher do amigo, morre,
A peituda da farmácia, morre,
A de cabelo curtinho, morre,
A paraibinha, morre,
A gordinha no elevador, morre,
A desajeitada com bracinho de talidomida, morre,
A gringa sardenta, de pelo ruivinho, morre,
A neguinha suada de peitinho duro, morre,
A vizinha do 402, finalmente, morre.

(escrito em mesa do Petisco da Vila)

Ora, ora, dona Aurora

Querido metroblog:
Sei que ando relapsa com você, prometo melhorar.
Só vim aqui dizer que ontem tive uma experiência antropológica incrível. Vi um mendigo, uma madame, uma mulher pobre com 3 filhos e um senhor de paletó, todos felizes e próximos um do outro.
Onde?
Em frente à C&A tijucana, claro.
Eu também ia parar pra receber um ar que não estivesse acima dos quarenta graus, mas achei melhor ficar de fora, observando os seres estranhos em bonita harmonia, com o tradicional papo de elevador: “Calor, né?” – “Muito abafado, menina”.
O mais feliz parecia ser o mendigo, já que esse usava apenas um short, escondendo seu sexo. A madame tinha um leque e maquiagem borrada – estilo noiva abandonada. A mãe dos 3 filhos estava na dúvida se entrava na loja para olhar uma blusinha por 12,90 ou se mandava a mais velha tomar conta do mais novo, enquanto o do meio, sentado na calçada, quase era pisoteado pelo homem de paletó, que fez cara de tesão, quando sentiu o vento gelado da loja chegar na sua cara.

Outro dia dei risada ao ler uma frase numa agenda velha:
“Nacionalismo é uma doença que se cura viajando”

Quanto mais viajo, mais amo o Rio. De longe, dou valor a seus pequenos tesouros, escondidos ou expostos. É bom estar de volta.

Estou ainda num ritmo baiano, de modo que tomo um susto, quando Nilo, meu dentista, e amigo da família há anos, me pára em frente à C&A e diz: “Ora, ora, dona Aurora….”
Nilo é uma das pessoas mais engraçadas do mundo, e em 7 segundos me põe em dia sobre o mundo: caos carioca, chuvas matadoras, morte do Saddam e do James Brown. Comenta sobre minha nova cor. Mas diz que mesmo bronzeada nunca vou conseguir esconder as olheiras. Eu aponto para o quadro antropológico, Nilo ri e diz que a C&A deixa as pessoas felizes. Nos despedimos. Vou para um lado, ele vai para o outro. Em 2 minutos, ele volta. E diz que eu nasci na época errada. Lembro que ainda preciso arrancar 2 sisos. Digo: “Adeus, Nilo, adeus”.
Volto para casa a pé. Oscilo entre o lado direito e esquerdo da Conde de Bonfim. Sou tão estrangeira dentro da minha própria casa. Vou dormir, ouvindo barulhos de tiros. Voltei para casa. Não ligo o ar, embora a memória da C&A esteja tão fresca em mim. Acordo e percebo que com esse bronzeado, meu corretivo de olheiras não funcionará.

Caixa de saída

Querido B,
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Caixa de entrada

Querida amiga,
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Cine Roxy, uma história de amor.

—Chamaria carta secreta do velho oeste ou crônica de um amor pouco ou meu coração bate à meia-noite ou um cão lambeu meu pé ou um dia esponjoso ou se por demais, foi por de menos ou perfume de senhoras ou unhas vermelhas de Carmem Maura ou suar suar suar ou ritmo rouco ou uma rua à esquerda após o sinal ou patadas escusas por debaixo da mesa ou pálpebras dobradas ou ela não ligou nunca mais ou sim, eu queria tanto ou tentação crocante ou escada rolante de shopping center ou assiste deitado e dorme ou garganta inflamada ou um ipê chora ou o sol brilha laranja na parede ou calma, calma, mas tudo passa tudo passará ou suco de amora gelado ou disco arranhado do Fernando Mendes ou cabelos soltos ou passarinho calado vive em gaiola dourada ou quanta agonia, Azucena! ou frigideira chiando ou ele costuma jogar pôquer ou cavalo-marinho, cobra-do-mar ou alguma coisa assim:
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Laranjada pt.1

Quinta-feira é agitado, nasce do morno da quarta-feira à noite o dia frenesi e, a essa altura, as morenas da Praça Mauá não acertam mais os olhos na linha do horizonte sem deixar cair um deles no fundo do mar. E os bancários, ah, os bancários e os contadores estão chegando para dar um logoff nas operações de subtração e soma. Tiveram um dia de cão. Advogados falam muito alto na Rua México para saber quem vai pagar a conta das estagiárias quando elas deixarem os botecos antes das oito pra pegar o segundo tempo de Direito Civil na faculdade que fica na Praia de Botafogo.

Ninguém ainda me chamou ao telefone pra contar o que fará de divertimento. Já pressinto os papos nos breaks a respeito da obrigação de fazer alguma coisa amanhã para anular os aborrecimentos. A Santa Inquisição, flanco presente em qualquer escritoriozinho de meia idade, quer saber qual tipo de tortura vocês vão preferir no sábado de manhã para compensar o álcool do dia anterior: há os que dão plantão. E é certo que “plantão” é uma atividade que beira a caridade, ou seja, “eu não estou DE plantão, eu OFEREÇO a minha disponibilidade.” Não havendo escolha, é possível que se mereça o dinheiro multiplicado por dois, o que, em qualquer caso, pra passar um sábado (ou até domingo) esquentando a banha numa tarefa 1% desgastante é uma mixaria. Tal putaria me enfeza.

Amanhã é sexta-feira, pavor. Parece que o sol nasce antes e mais disposto a queimar mais. Nos dias de chuva, a água vem pouca, com promessas de sol e tempo bom. O trânsito encalacra: nas arquibancadas dos ônibus, pedaços de pessoas espremidas nas janelas. E o velho bom humor, sumido desde segunda, invade as padarias, as farmácias, os postos de gasolina, as bancas de jornal. As pessoas brilham nas sextas-feiras, elas vão ao trabalho mais dispostas e com mais vontade. Mas trabalham menos. Elas põem a roupa do happy hour e cadê que esse relógio não dá 18h? Quem não espera loucamente o final da semana que levante o braço. Eu não levantei o meu. O que me cansa é a pressão na sexta-feira, que, no meu caso é sempre um dia de descanso. O espírito da sexta-feira não deve ser dado a grandes transtornos; tivemos uma semana tensa, no máximo deve ser oferecido a grandes bebedeiras (o que pode transformar a sexta-feira num grande evento e até numa catástrofe). Em todo o caso, voto para chamar os amigos, calçar um qualquer no pé e conversar ao banho do álcool moderado para esperar o sábado, o dia internacional da recompensa pela semana fia das puta que nos têm dado desde que ficamos grandes e sabidos. Trabalhar é uma merda – Mesmo fazendo o que se gosta, trabalhar vai ser sempre uma merda. Chega uma hora que SOCORRO
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blue.JPG

Não sei se é a primavera
Não sei se foi o sol de hoje
Só sei que todo mundo te olha
quando você sai de azul

Todo O mundo.

Não sei se tenho tantos sorrisos reservas
Só sei que saí de azul
E mesmo com os olhares
Me senti muito, muito blue

Narinha

queria tomar um café
com bananas
em companhia da gioconda
dos subúrbios

lhindonésia

minha parafernália
a minha pilantralha
a minha tropilantra

dia amarelo de verão
céu azul
e meu amor vermelho
por lhindonésia

não vou chateá-la
falando do barquinho
de Ipanema
ou de cinema
novo

morena rosa, boca-de-ouro
mulher amada
maria ninguém
cheirando a abacaxi

encostada ao pau-brasil
me convida para ouvi-la
desafinar uma canção
sobre a tardinha.

Para Nara Leão e Bia Bonduki

Vitamina C (entavos)

Tudo beeeeem lentamente: a velha corcunda encosta na banca de frutas, apanha uma com a mão direita, observa bem, aí abre a mão esquerda, aproxima-a do rosto, confere as moedas suadas que estão nela, olha outra vez a fruta, a placa com o quilo da fruta, confere de novo as moedas, faz um muchocho e come as moedas.

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