Dicas Culturais (1)
Nome do estabelecimento: Bar Roque I
Tipo: Pé-sujíssimo
Local: Dias Ferreira, esquina com Bartolomeu Mitre, Leblon
Frequência: A mais eclética e esdrúxula possível
Pontos fracos da casa: A cerveja morna e os saquinhos de azeitona cinza
Pontos altos da casa: Não tem
Tem entretanto um somzão pendurado que toca implacável e furioso funk carioca e tem um gerente português com a famosa camisa de pano azul de gerente português, sessenta anos, óculos pesados e ralos fios de cabelo tingidos, obviamente, de preto atravessando o topo da cabeça, de um lado ao outro, de modo a disfarçar a indisfarçável calvície. Ontem, entre um atendimento e outro, o pancadão rolando, o portuga dava uma dançadinha tipo assim: andava pra frente e ia arrastando os dois pés no chão, enquanto fazia ao mesmo tempo um movimento de vai e vem alternado com os dois braços. Gestos pequenos e contidos, lá vai ele arrastando os pés e cantando: Vou subir no palco ao som do tamborzão, sou cachorrona mesmo e late que eu vou passar.
Não sei quanto a vocês mas pra mim o carnaval é que nem churrascaria rodízio. A gente não dá conta de tanta fartura em tão pouco tempo. Depois, quando acaba, dá uma certa impressão de que devia ter comido mais um espetinho de coração e mais uma chuletinha ou outra. Eu sempre achei que o carnaval devia ser dividido em dois tempos, com um intervalo de dois dias no meio, para que todos possam trocar de roupa. Mas não, é pauleira assim mesmo.
