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A dura vida do pedestre na Barra

A Barra da Tijuca definitivamente não foi feita para pedestres. Isso não é novidade, mas ainda surpreende quão difícil é se locomover com as próprias pernas pelas principais vias do bairro. Hoje precisei andar cerca de 15 minutos e o trajeto se transformou numa aventura, tamanha era a quantidade de obstáculos. O que dirá um cadeirante.

Ir do Condado de Cascais até o Shopping Downtown, há apenas uma parada de ônibus de distância, parecia infinitamente mais longe. Pistas múltiplas sem passarelas, viaduto sem espaço para pessoas atravessarem, ausência de calçadas ou vias para quem está a pé, enormes bocas-de-lobo pelo percurso, enfim, só caminhando para crer. Fora quando se precisa atravessar a Av. das Américas, carinhosamente apelidada de “via da morte”. Haja corrida para se adequar ao tempo dos sinais. Quando existem, claro.

Os inúmeros acidentes já são motivos suficientes para mostrar que algo deve ser feito. Mas continuando sobre meu trajeto de hoje, nos canteiros por onde estive, só se via aqueles caminhozinhos formados por quem precisa andar pelo local e tem que dar algum jeito de driblar as inadequações, nem que isso implique em riscos. A Prefeitura só deve passar por ali de carro, e muito rápido, para não perceber uma coisa dessa.

Tem coisas que também acontecem em Botafogo

Ontem à tarde saindo de uma gráfica, ali no finalzinho da Rua da Passagem, notei uma caminhonete toda queimada, vidros estraçalhados em volta, ferragem retorcida, parecia até carro do Jó, aí do post abaixo. Estava rodeada de curiosos e trazia ao redor aquelas fitas amarelas da Defesa Civíl. Na hora achei interessante aquele monte de ferro destroçado. Hoje fiquei sabendo que o carro pertencia à professora de catecismo Vitória Marques, que morreu quando seu carro, um Santana Quantum, foi metralhado por assaltantes e explodiu em seguida. Havia um padre com ela, que também foi atingido mas sobreviveu aos tiros. Dona Vitória foi enterrada hoje no São João Batista e seu caixão estava coberto com a bandeira do Botafogo.

Rio(s) de (rima para todos os) Janeiro(s)

Rio de Janeiro, fora do eixo
é tão destro nosso desleixo…
Não está inteiro, não está ao meio
Rio de Janéramos, fevereiro e março…
Primeiro de abril, eleições fechadas, apague o isqueiro
se não for tabaco…

Rio de janeiro, teu aguadeiro
é um atoleiro para os bicheiros
E os banqueiros abrem o berreiro no cativeiro
É cavalheiro o bombardeio do brigadeiro
E o fuzileiro apronta o fogareiro, o sinaleiro para o marinheiro

E o cheiro dos teus bueiros, quase um chiqueiro.
Não está inteiro, teus morros são coveiros,
Falta dinheiro, falta cinzeiro, falta um escudeiro…

Teu estaleiro é um picadeiro sem nenhum roteiro,
É um pipoqueiro, um sorveteiro e um corneteiro
E o mundo inteiro, dentro de um palheiro.
E o salgueiro canta o samba para o formigueiro.
Tuas pessoas são peças soltas no tabuleiro,
Um pardieiro com um letreiro, sem travesseiro
nem paradeiro

Teu carpinteiro, de braços abertos pro desfiladeiro,
Vê tuas meninas com bicho-carpinteiro e teus meninos
caminhando sobre braseiros, são açougueiros…
Rio de janeiro, teu sol nunca ilumina o nevoeiro (Será que sabem o polícia que mata o bandido e o bandido que mata o polícia que os dois torciam para o Flamengo?)
Está vazio o teu saleiro, pague um cruzeiro e vá para outras margens.
Não há água em teus chuveiros que possa lavar essa sujeira.

Salve meu nobre

bac.jpg

E viva a Lisboa de Portugal que nos legou esse sotaque carioca cheio de xizes e de erres e todos os santos e santas e todos esses açougues, padarias e botequins que se chamam rainhas disso e reis daquilo, sobremaneira as dúzias de variantes em torno do bacalhau, seja o Rei do Bacalhau, seja o Bacalhau do Rei, seja ainda este Império do Bacalhau e aquele Bacalhau Imperial, príncipes e princesas do Reinado do Bacalhau e todas essas nobrezas vagabas que se estampam nos letreiros e nos cartazes da cidade, inclusive o da Padaria Santa Marta, na Fonte da Saudade, que anuncia em promoção 88 bolinhos de bacalhau, tudo aos módicos 88 reais e 88 centavos.

Latitude 0

A culpa era do calor. A única coisa que realmente fazia sentido. Culpar o clima por suas atitudes intransigentes. Era final de primavera. A mais abafada de todos os tempos. Novembro dos infernos. Nestes dias, ela alegava incoerência mental, dizia que não conseguia se concentrar. Maldito fim de ano. Na tv, já se anunciava o Natal na Leader Magazine.

Virou a noite acordada lucubrando pensamentos nada saudáveis. Mas se estendeu na cama até às 10h.

Pagou umas contas no banco e depois foi almoçar. Achava sempre o cúmulo da solidão sentar sozinha numa mesa de restaurante. Ficava olhando as pessoas e inventando histórias para cada uma delas. Teve vontade de ligar para ele, mas resistiu. Há uma semana não tem notícias. Tinha realmente desistido de estabelecer qualquer tipo de contato. Ele era sempre hostil. E ela se achava patética pela insistência.

Às 13h pegou no trabalho, revisou uns textos, autorizou umas edições e amargou numa reunião tediosa que não sabe ao certo o que foi discutido. O ar condicionado não dava vazão para o calor e ela suava. Tinha na camiseta uma marca molhada no meio dos peitos. Ela não conseguia parar de pensar nele. Era saudade de voz. E não mera distração.

No fim do dia, leu umas notícias na internet e soube de um banhista afogado em Ipanema. Teve sobressaltos e imaginou se não teria sido ele.

Toda drama era pouco. E qualquer motivo seria suficiente para a ligação encubada desde a hora do almoço. Fechou o dia e foi para casa pensando atacar o telefone em primeira instância. A saudade, claro. Ela não dizia em voz alta para não ter que assumir que sentia falta dele, e também, para não lembrar que ele vivia muito bem sem ela. O silêncio dessa semana sem contato era isso, a total falta de interesse dele.

Arriou a bolsa no chão da sala e encarou o telefone. Pensou se aquilo era realmente válido. Mas ela era impulsiva e inconseqüente. Não sabia dosar nunca.

Ligou o rádio e rolava qualquer música numa voz feminina.

Ele atendeu sem nenhuma surpresa, e ela afoita, querendo saber da vida, das coisas todas. Ele estava em Brasília visitando família, amigos (antigos casos – de certo). Foi tão monossilábico e desinteressante que ela respirou fundo aquele desdém a distância. Sabia que aquela ligação não representava nada para ele. Não prolongou o assunto, nem contou do bafo quente que assolava as moleiras no Rio de Janeiro. Mas quis saber do clima daquele lugar antes de desligar. Parecia uma pergunta sem sentido. E a resposta veio breve e sem questionamentos. Seco, ele disse.

Ela desejou que aquela cidade seca fizesse o nariz dele sangrar.

Em Brasília, 19 horas.

Colaborando com a lista da Ilka

Achei a lista da Ilka tão inspiradora que resolvi colaborar, ampliando-a. Seguem então mais 19 dicas de coisas para se fazer durante um engarrafamento de trânsito, além daquelas que a nossa recifense do Blog já publicou.

1) Vista um pijama, escove os dentes e durma.
2) Se você tem corrupião em casa, leve a gaiola e ensine-o a assobiar o Hino Nacional.
3) Masturbe-se!
4) Aproveite a roda do estepe e prepare um churrasco com os ‘colega’.
5) Calcule mentalmente a raiz quadrada de todas as placas de carro que avistar.
6) Conclua, afinal, qual é o sentido da vida.
7) Promova campeonato de cuspe no parabrisa à distância.
8) Escreva uma carta para o Papa Bento XVI.
9) Desmonte todo o carro peça a peça, faça uma montanha com elas e diga que é arte moderna.
10) Bote fogo no que restou dele e diga que é arte contemporânea.
11) Com o celular ligue a cobrar para números ao acaso. Quando atenderem pergunte “com quem quer falar?” ou “quem gostaria?”.
12) Quebre os limpadores de parabrisa de todos os carros cinzas ou prateados, arranhe com chave os brancos e mije no pneu dos pretos.
13) Troque a posição das poltronas do carro: coloque a da direita no lugar da esquerda e vice-versa.
14) Entre em algum ônibus por perto, finja que é delegado de polícia e dê voz de prisão a todos os passageiros.
15) Imaginando que seu avião caiu numa geleira, bole diversas receitas para se preparar com os cadáveres.
16) Ligue para a mulher do seu chefe e diga que a ama.
17) Descubra quantos biscoitos Globo cabem dentro do seu carro.
18) Descole uma grana fazendo malabarismo com o celular, os óculos escuros e a chave do carro.
19) Brinque de ‘ola’ sozinho dentro do carro.

Dicas para não enlouquecer no trânsito do Rio

Em tempo de caos, se você precisa percorrer looooongos trajetos diários na solidão do seu carango, use a criatividade antes de começar a buzinar e xingar todo mundo. Principalmente se já roubaram o som do seu veículo e nem com esse entretenimento você pode contar. Vamos lá, aproveite:

– Tenha o seu momento da beleza – retoque a sobrancelha (o retrovisor é ótimo para isso), tire as cutículas, lixe as unhas, passe cremes faciais etc.

– Faça ginástica laboral – na correria do trabalho, a gente acaba esquecendo. Alongue mãos, braços, pescoço. Evite a LER (Lesão por Esforço Repetitivo).

– Leia – se estiver num lugar claro ou bem iluminado, e seguro, além do jornal, dá até para adiantar aquele livro ou estudar o capítulo da pós (juro que já fiz isso).

– Exercite a observação – quando o trajeto diário vira paisagem, é sempre útil tentar enxergar coisas novas. O que tem na rua? O que você vê no horizonte? E as pessoas que passam?

– Atualize a agenda – aproveite para passar a limpo todos os afazeres da semana e organizar a vida.

– Cante – quem canta…

– Exercite a teatralidade – vale mímica, encenar uma conversa, treinar um esquete. Não se importe com o carro do lado. Solte sua expressão. Mais doido é quem fica buzinando.

– Experimente o cubo mágico – tome desafios como esse. Você terá tempo suficiente para descobrir a lógica da coisa.

– Faça origamis – compre folhas coloridas e bote seu talento manual pra fora.

– Telefone para os amigos – essa dica é ótima para quem tem bons planos de celular. Ligue para aqueles queridos que você não fala há tempos por causa da correria. Além de surpreender, vai ser ótimo botar o papo em dia.

– Faça terapia telepática – adiante o que você vai discutir com o terapeuta. Pense nos problemas que te afligem, mergulhe no “seu eu interior”.

– Filosofe – ótimo momento para isso. Questione sobre todos aqueles assuntos pessoais, transcendentais e fenomenais que não temos resposta. Ninguém vai se importar.

– Pratique meditação.

Ah, para quem conta com o luxo de ter som no carro, também pode aproveitar para fazer um intensivão de um curso de línguas. Leve um CD estilo Speak up e vá treinando o listening e o “repeating”. Com dedicação e ajuda do Rebouças fechado, em poucos dias você terá pulado do intermediário para o avançado.

Se depois de tudo isso você ainda não tiver chegado ao seu destino, abra as janelas e grite! Não adianta, mas alivia.

Os cretinos vêm de Marte*

Mas agora eu também resolvi dar uma queixadinha porque eu sou um rapaz latino-americano que também sabe se lamentar. Raul Seixas

Eu já disse isso aqui uma vez e repito: o Rio é uma mulher linda nas mãos do King-Kong. E realmente é preciso ser psicanalista ou crítico de cinema para compreender as contraditórias relações de amor e ódio entre a cidade e seus habitantes. O fato, meus amigos, é que a natureza maravilhosa da cidade também traz com ela, assim como a Naomi Watts, os seus probleminhas. O Rio é uma Naomi incompreendida, neurótica e mal-amada.
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Entretenimento

Não vou forçar a ler; quem quiser, clica.
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Tim Festival: do preço ao caos

O Tim Festival esse ano no Rio de Janeiro vai ser cheio de fúria. E não estou falando de guitarras ou atrações da pesada, e sim do preço abusivo dos ingressos e do caos em que ele agora está inserido.

Vários amigos que vinham de outros estados para assistir aos shows no Rio, mudaram sua passagem para a Paulicéia e demais cidades que o evento acontece. Lá, diferente daqui, com um único ingresso (R$ 200,00), você confere às principais atrações: Hot Chip, Björk, Killers, Arctic Monkeys, Juliette and the Licks e várias outras. Na cidade maravilhosa você tem que desenbolsar até R$180,00, para apenas duas delas. Um abuso.

Ok, apesar disso, vários palcos estão com ingressos esgotados. Confesso que mesmo revoltada não resisti e adquiri minha entrada para ver a cantora islandesa estilosa, até porque, pago meia, mas deixei de comprar outros palcos, como fiz nos anos anteriores.

Outro problema. O horário de alguns shows de hoje está impossível, ainda mais agora que o Rebouças fechou para balanço. Sexta-feira já se costuma ter trânsito complicado. Se chover, piorou. E sem o túnel, socorro! Como chegar ao show do Antony and the Johnson marcado para às 20h da noite na Marina da Glória se você trabalha e tem Botafogo no meio do caminho? Ficou mais caro ainda, hein? É torcer para que as performances compensem tanto dispêndio.

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