Archive for the ‘Uncategorized’ Category

City of Splendour

O filme, realizado em 1936, faz parte da série de documentários ‘Traveltalk’ de Ruth e James Fitzpatrick. Quem conseguir assistí-lo sem cair na tentação e fazer comentário lamentando a deterioração da cidade, etc e tal, entra na minha lista dos não-previsíveis do blog e, mais importante, usufrui de 7 minutos e 54 segundos de esplendorosa youtubespecção.

“HEY GIRL” - Rio Cena Contemporânea.

Quinta-feira, 11 de outubro, teatro Caixa-Cultural Nelson Rodrigues.
Diretor: Romeo Castellucci
(…)
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eu vou estar cagando para tudo isso:

putaria:

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL140022-5601,00.html

golpe:

http://noticias.terra.com.br/popular/interna/0,,OI1955399-EI1141,00.html

nonsense:

http://jbonline.terra.com.br/extra/2007/10/03/e031013642.html

patético:

http://odia.terra.com.br/rio/htm/geral_126718.asp

O novo hit da UERJ - a carta do suicida

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Ro.JPG
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Um salto para a liberdade

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tropa de elite

Um amigo de um primo comprou o “Tropa de Elite” em um camelô, e narrou pra mim o que acontece via mímica. Você não perguntou mas, azar seu, vou te dizer o que achei assim mesmo.

Me pareceu um filme não só acima da mera barrinha de competência técnica (coisa que Cidade de Deus, um filme apenas bobo, macumba de butique for export, já era), mas feito com senso de diversão, a diversão basal, macha, antiintelectual que a vertente verité do filme ou livro policial oferece, que consiste basicamente na possibilidade de acompanhar um oficial da lei ou detetive numa diligência perigosa, com chances de resolução violenta e risco de vida.

Não vi muitos filmes policiais (não vi muitos filmes) - os companheiros de portal com certeza conhecem mais, têm listas mesmo de favoritos (HINT aí, né turma). Destes policiais com uma aproximação mas realista, gosto de “Operação França”, com Gene Hackman fazendo um policial nervosinho (mas ainda não vi “Get Carter”, ou “Bullit”, ou, ou). E agora, pelo jeito, gosto de “Tropa de Elite”, em que Wagner Moura faz um policial mais nervoso ainda.

A idéia original do filme era ser um documentário; segundo nossa tradição de fazê-los bem, o resultado não desaponta. Suponho que seja impossível falar de um filme como este sem tratar de suas bases ou pretensões sociológicas. O filme policial vérité é necessariamente um documento muito próximo da sociologia - um instantâneo de costumes e expressões circunscritas a determinado local e época, mas focando especialmente a área de atrito entre extratos sociais diferentes (a sociedade estabelecida é representada pelas forças de repressão, por exemplo - aliás, desculpem o sotaque ligeiramente francês, é só meio inevitável, dado o assunto. Há mesmo uma cena numa sala de faculdade de Direito em que o careca submisso (refiro-me, é claro, a Foucault) não sai da boca das aluninhas (o livro citado é “Vigiar e Punir”, quelle surprise). E, aliás, cosa mui linda, o filme dá uma caneladinha em certa atmosfera que quem já fez faculdade pública (não me refiro à área de Exatas, claro) reconhecerá de cara. O papagear narcotizado, pré-mastigando a papinha ideológica de um menu com validade vencida de décadas, as respostas já esperadas, senhas para o equivalente da estrelinha dourada na testa dos tempos de jardim de infância (é a “melhor faculdade de Direito do Rio”, no filme - o que não impede que os alunos a frequentem de bermuda e camisa praiana, tá ligado? A cena é clueless como na vida real - e trouxe lembranças a este velho).

Ah, spoilers, é.

Noutra cena, um personagem invade uma passeata pela paz e desce o braço num dos participantes. Ulalá. Talvez seja isto que meus amgos esclarecidos politicamente querem dizer com debate: O playboyzinho maconheiro sacudia muito no chão, é verdade, ao ser chutado de um canto pro outro.

Obviamente o filme dará motivo para todo tipo de discussão sobre esse ramerrame de sempre. Você sabe… aqueles temas do Fantástico lá. Mas o filme apenas documenta a realidade das zonas de conflito no Rio. Não me venham falar de distorções; claro que há distorções, mas elas não tocam no ponto principal, são acessórias (como por exemplo: Se a probidade a toda provas do BOPE é factual; ou se a PM é mesmo tão corrupta assim).Digo que o troço é meramente documental porque a discussão sobre o problema não sobe para esferas mais delicadas, onde as respostas começam a ficar interessantes de verdade:

O tráfico de drogas é um negócio de US$400 bi por ano, então… não vai parar. Não vai parar nem se Jesus Cristo descesse do céu e pedisse de joelhos. Você precisaria de um argumento muito bom para conseguir isso. Tente aí. Pense *de com força* num argumento para convencer alguém de que investir US$13 bi e ter retorno de US$400 bi livre de impostos não é algo que se deva continuar a fazer enquanto for possível (o que me lembra: Ninguém vai parar de se drogar. Ninguém vai parar de se drogar. Neguinho sempre se drogou, as mumiazinhas do Museu lá todas se drogavam, tudo junkie. Ninguém vai parar de se drogar, malz ae.)

the war on some drugs

Um negócio de US$400 bi por ano não vai parar porque isso geraria um vácuo econômico, e seria estúpido pensar em algo assim. E, se mesmo empresas que valem lá seus digamos 100 milhões já terão seu magote de lobistas, políticos, que dirá um sistema que dispõe de tanta grana. O tráfico de drogas não vai acabar porque está bom do jeito que está. Está ótimo do jeito que está.

A discussão sobre se o filme “se posiciona de maneira correta frente ao problema das drogas” perde o sentido; Se o filme não toca o ponto principal, a raiz a partir do qual o problema floresce e se desdobra, então o que sobra é a documentação do corte (e imediato renascimento) das cabeças da Hidra: Que os caras do BOPE são animais mesmo, quando têm que ser, fazendo coisas que você deve dar muitas graças por não fazerem parte da descrição do seu trabalho. Que os policiais põem a culpa na “burguesia-zona-sul” do Rio, nos consumidores de drogas que financiam o tráfico; Que a tendência é a escalada da violência à medida que a população aumenta e as armas vão subindo de calibre (sabemos de lança-foguetes, carros blindados que são filhotinhos de tanque etc); que os playboys… sei lá, são babacas mesmo, e por aí vai. No final, foi a aproximação mais adequada para o material, que pode se concentrar apenas em mostrar de maneira realista e excitante as incursões dos Caveiras.

Me parece que o protagonista do “Tropa…” é o mesmo ex-integrante do BOPE que deu uma entrevista à Trip há alguns anos. O cara entrou pra polícia por opção livre e própria, por querer fazer algo, chegando a tirar grana do próprio bolso em cursos de aprimoramento etc. Aparentemente ele se desiludiu lá dentro por ver como a banda toca de verdade (o filme mostra isso em vários níveis). Parece que ele optou por sair e trabalhar com segurança privada… e hoje é a favor da descriminação das drogas. O filme não toca nestes pontos e nem precisa. Apresenta a visão da polícia mesmo e pronto - se o sujeito está portando um fuzil todo pimpão na favela, acabou pra ele.

Claro que faço uma distinção entre a fria resolução profissional de executar uma ação para atingir um fim objetivo com o mínimo possível de dano colateral e demonstrações de crueldade e sadismo. Por uma simples noção de elegância, mesmo. E não duvido de que haja profissionais que podem se orgulhar de executar sua profissão dentro dos parâmetros estipulados pela máxima bélica inglesa no séc. XIX: Oferecer violência (“offer violence”, no original - expressão que acho linda) no nível mínimo necessário para atingir determinado fim. Mais do que isso não se pode pedir numa guerra - e é uma guerra. No caso do Rio, todos os clichês se realizam. O negócio de US$400 bi globais não pode ter suas disputas resolvidas legalmente, então todas as queixas se conciliam em violência, frequentemente extrema e imaginativa. É o tipo de métier para lobos, não para assistentes sociais: Só lobos podem caçar lobos.

(O Rio de Janeiro faz a gente pensar nestas merdas. A cidade tem o clima mais boa-gente e relaxado que se pode conceber - e no entanto, pode ficar surreal-do-mal muito rápido, dependendo de onde você estiver (o filme mostra isso numa cena - que achei desnecessária e de mau-gosto. Não concebo assisti-la na tela grande, deve dar uma onda errada fudida). Eu sei que há casos em que a única resolução possível é a violenta. Não vivemos num mundo perfeito apesar de vivermos no melhor dos mundos.)

Enfim, é isso. Bem legal o filme. “Tropa de Elite” passa longe da histrionice carioca exagerada de “Cidade de Deus”. Há talvez uma caricaturização da proverbial boca-suja nativa (só ocasionalmente: Quase todos os palavrões e sujidades proferidas no filme estão impecáveis, eu fiz uma tabelinha). E é bem citável, coisa rara em filme nacional (vá em frente, lembre aí de mais que meia dúzia de linhas de diálogos de filmes nacionais - e variações de “filha-da-puta” ou “puta-que-pariu” não valem). As pessoas lembram dos nomes de vários personagens de “Tropa…”, e professam preferência mesmo por personagens terciários. Lembra como os americanos dominavam a arte do filme de diálogos memoráveis, que os geeks de cinema repetiam depois entre si? Você sabe, um dos sinais de que determinada peça de ficção está funcionando bem, está em sintonia com o público. A comunidade do filme no Orkut já conta com 33.000 jenhos (entre os quais me incluo) que sabem de cor longos trechos de diálogo do filme, exempli gratia:

01 (Wagner Moura, o Cap. Nascimento, confirmando minha tese de que baiano com raiva é o diabo): Caralho que vontade de meter tiro nesses filha da puta…
14 (um sniper): Qual deles, meu capitão, só falar.
01: Nesses filha da puta da PM (A PM carioca não é mostrada muito favoravelmente. Eles são o Sistema estabelecido, subsistindo dos próprios problemas da cidade).
(…)
14: 01, ‘cho que dá pra derrubar dois coelhos com uma porrada só aqui hein…
01 É 100%, 14?
14: Caveira, meu capitão.
01: Então senta o dedo nessa porra.

Miolos. Etc.

“goze a fantasia de se sentir embalado pelo mundo” - Raduan Nassar

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Reflexões numa Delegacia Legal

angel.jpgHá cerca de vinte dias perdi minha carteira ali no Leme. Pronto. Lá se foram a Identidade, cartões do banco, CPF, Habilitação, anotações, bilhetes de meu pai, uma imagem de Santo Expedito, algumas unhas e bigodes dos meus dois gatos, alguns caraminguás, papéis velhos que nem sei de que se tratavam e uma poesia anotada à lápis faz tempo, aquela onde Drummond diz que amar o perdido deixa confundido este coração. Pois é. Perdi essa tralha toda aí e embora não amasse o meu CPF fiquei com o coração confundido. Entretanto ontem à tarde, sentado em um banco da Delegacia de Polícia na Hilário de Gouveia, aquela do restaurante A Polonesa e da primeira filial do McDonald’s no Brasil (Uau!), bem, sentado ali no banco da Delegacia da Hilário, aguardava meu nome ser chamado, o que para minha surpresa não demorou muito, pois o cana de terno escuro e sapatinho claro anunciou logo Luiz Paulo, gerando a minha pronta resposta, conjuntamente com o outro Luiz Paulo, que levantou-se há três bancos do meu, naquele mesmo local e hora. Mas será o Benedito? Não, era um outro Luiz Paulo mesmo, apanhado, como eu, por alguma agrura da vida e tentando resolver o problema. Pois bem, voltei ao meu banco, pensei na coincidência etc e tal e, na falta de coisa melhor para fazer, comecei a analisar as pessoas em volta. Tentei imaginar em que infortúnios ou enrascadas cada uma daquelas pessoas estava metida. A mulher ao lado que recebia instruções de um aparente advogado. Teria surrupiado o laptop da firma? E aquela mulata que falava com o policial careca? Sofria assédio sexual do patrão? E os três gringos? Ficaram sem a máquina digital?… Subitamente, no meio desses pensamentos ocorreu-me o primeiro insight: aqui dentro, tudo é caso de polícia. Fato. O primeiro insight precipitou o segundo, um pouco mais preocupante: aqui dentro e lá fora, tudo é caso de polícia. Fato, também. Mas, experimente o suflê de chocolate do Polonesa.

Foto: Angel, do artista britânico Marc Quinn

“tudo está no mesmo lugar, mas as vezes não vejo”

Santa Teresa me abre as portas e eu passo. Os paralelepípedos comem minha sandália velha. E eu deixei por lá a sola do pé direito. Os gringos me olham profundamente. Olho no olho. As outras línguas talvez leiam dor. E todas aquelas cores me dão uma estranha sensação de paz. Mas a vida vem com seus métodos nada gentis, ele* me disse no livro que eu grifei com marcador fluorescente. O bonde, depois de mim, enguiça a cada curva. E demora. Todas as coisas no momento se resumem em esperas. E todas sem previsão. Sem prazo de fim. Então eu monto alguns sorrisos, de repente a leveza se instaura. Mas as correntes das desventuras são seqüenciais. E vem de assombro. Vem vestida com violência e me persegue. Eu fujo, claro. E atravesso ruas sem perceber. Ontem eu caí numa fuga. No meio de uma pista gigante. Tenho cortes, tenho hematomas e me falta parte de uma unha. Voltei para casa sangrando. Antes uma amiga havia dito: “você anda marchando”. Eu estou em guerra. E tudo parece tão metafórico. Mas é real. Deus, me custa dizer, mas é real. Eu caí. E pensei com força: do chão não passo. Alí, deitada na pista, por uns segundos me vi em slow motion, sabendo que as minhas quedas são sempre grandes. Porque eu sou inteira demais. Mas o sol de ontem aqueceu. E teve brisa, teve céu azul. Algumas verdades se pregam na parede. E eu repito como um mantra: que seja doce, que seja doce. Repito sem posse de causa. Repito porque assim o tempo passa e as coisas ganham outras formas. Minha perna dói. Já se sabe, mesmo salvos, não voltamos das guerras.

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(do ateliê de algum artista de Sta. Teresa, ontem a tarde)

* ele: Gustavo Rios, autor de “O amor é uma coisa feia”.

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