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tem programa pro dia 30?

Pode promover essas coisa? Não deixa de ser um evento, ahm, muitas aspas cultural no Rio, hein. Sem falar que Letícia Novaes, a mulher grande que também escreve aqui, também estará lá. E é isso:

DELEITE

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Foto ilustrativa

O Rio é uma cidade abençoada também para quem gosta de pudim. Em toda birosca que se preze tem. Mais popular que ele só mesmo o arroz de brócolis e o feijão preto, mas aí é outro prato. Esse texto é de sobremesa.

Verdade que nem todo pudim de leite é daqueles tradicionais. Uns levam baunilha, outros inovam na calda. Apenas açúcar, gente! Ah, e desconfie dos que vem com uma ameixa em cima. Geralmente bonitinho, mas ordinário. Pudim que é pudim se basta, não precisa de decoração.

Entre os diversos que provei, até agora, já tenho um preferido. Fica no cruzamento da Real Grandeza com a Voluntários da Pátria, na Choperia Itu. E, sim, a fatia é enorme. A apresentação, na verdade, não é tão bonitinha como a foto. Na vitrine mostra o bicho ainda na fôrma, naquela opulência, quase pulando para fora. Não se intimide, peça um pedaço. Depois dê uma garfada e boa viagem ao reino encantado do huuuuum. Para completar o deleite, preço super camarada.

P.S. Se você tem mais dicas de onde comer um bom pudim de leite, conta aí.

Arco-Íris no Jardim Botânico

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Ensaio para uma volta ou um mini ensaio sobre a loucura

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Fotos: Juliana Moreira

Tou quase um J. Menezes clamando pra não ser eliminada deste espaço. Mas o Rio tem me engolido neste inverno (e sei que você não tem nada a ver com isto, mas que fique aqui registrado o desabafo). Trabalhando até o talo, achando que estou enlouquecendo na correria insólita do mundo corporativo. Mas pensando bem, talvez não seja loucura. Preciso procurar lá pelas quintas do dicionário algum outro termo que traduza melhor esta vida fast-super-acelerada-o-mundo-vai-nos-engolir que vivemos. Ou que vivo. Ainda preciso aprender mais com os budistas, os suecos e as tartarugas.

Mas voltando à loucura: na verdade, dizer que minha vida é loucura é uma atentado à loucura. Loucura ainda carrega qualquer coisa de lírica. E não há nada de lírico numa rotina de prazos absurdos, negociações infindáveis, reuniões intermináveis e nem sempre produtivas (por isto a busca de tantos subterfúgios, por isto querer sempre viver tudo ao mesmo tempo agora para sempre quando voltamos pra casa). A loucura é um refúgio do mundo que não nos compreende. Ou que não queremos compreender porque dói demais.

Copacabana é um lugar repleto de loucuras líricas. Um imenso hospício à beira-mar, salpicado de loucuras literalmente líricas e inspiradoras. Como a do filho de Deus que esconjurava o Diabo, agarrado ao pescoço da estátua de Drummond. Eu vi com estes olhos que a terra há de comer ou que o mar há de salgar. Ele bradava qualquer coisa entre “César Maia toma cuidado!” e “Olha o Satanás!” Falar do demônio é uma forma também de exorcizá-lo. E o coisa-ruim adora que falem dele, nem que nem que seja pra falar mal. E o que César Maia diz disto? E o poeta ali quietinho, mineirinho, com seu coração maior que o mundo, escutando o amigo Raimundo que esbravejava em prosa livre. Uma reza pra Deus e outra pro Cão pra começar o dia e o dia pode acabar bem. Mas isto só o louco iria saber. Eram 7:30 da manhã de segunda-feira e o frio já se anunciava. O louco nem imaginava que por alguns instantes sua loucura foi o meu refúgio.

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A minha loucura lírica (ou barata) do dia: que nos envolvam numa camisa de força transparente, para desfilarmos no Fashion Rio com os mamilos em riste no antártico inverno carioca! E que de cada mamilo pulem rosas pra destruir as balas que continuam a sitiar esta cidade do Alemão ao Leme. Se bem que isto vale mais como frase de efeito que como qualquer outra coisa…

Pescador na Lagoa

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circuito

a minha vida de cinéfila cabe no Estação Paissandu. por sorte toda semana estréia algum filme que está na minha lista de preferências. o lugar é um charme. e agora tem uma promoção de R$6,50 meia entrada aos finais de semana. adoro. salve a vida acadêmica. tem um fumódromo no fundo da sala que acho sensacional. apesar de saber de algumas reclamações a respeito do som. dizem que não chega muito bem para quem fica atrás do aquário. não sei. só acho bonito. não fumo. sou uma pessoa alérgica ao mundo. e minhas paixões por salas de cinema são extremamente volúveis. de repente semana que vem me apaixono por outra.

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semana passada assisti Além do desejo. é tanta solidão no mundo, minha gente.

Colônia dos Pescadores

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Na Lagoa Rodrigo de Freitas

Dança

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No Jardim Botânico

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e dico di sì

E Sexta retrasada, ópera.

Não sei se ainda estão levando (notem o tom plebeu) “As Bodas de Fígaro” no Municipal, mas recomendo o programa. Nem que seja só pela beleza do lugar (ou pelo kitsch do restaurante, que poderia ter saído de um parque temático do Indiana Jones. Se você nunca foi lá, basta imaginar como é estar encerrado numa tumba de faraó gay.), que justificaria uma visita mesmo sem nenhum espetáculo acontecendo.

No meu caso, a visita de um amigo de Brasília acabou causando tipo uma invasão jóveim ao Municipal, tipo umas dez cabeças em 2 frisas contíguas, do lado esquerdo do palco. Perto o suficiente pra se apaixonar umas três vezes pelas mezzo sopranos e se quedar com expressão bocó no escuro pensando “Elas existem de verdade, então, não é só no cinema”.

Foi a primeira vez que fui à ópera, ou ao Theatro Municipal. Infelizmente, por termos entrado em cima da hora (esperávamos um amigo que teve um encontro pouco amigável com um espécime da fauna local e acabou perdendo o celular), não pude andar direito pelo lugar, erro que espero consertar em breve.

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Quanto à ópera, bem, eu não sou um conhecedor, embora já tivesse algumas árias das “Bodas..” decoradas dos Youtubes da vida, e das cenas do filme “Amadeus” (”Amadeus”, aliás, acaba sendo uma maneira ruim de entrar em contato com as obras do Mozart, porque as versões que aparecem no filme são tão mas tão boas, Sir Neville Marriner meteu tanto mas tanto a mão, que torna difícil encontrar gravações feitas com tanto gusto e brilho (basta comparar a ária “Martern allen Arten” do “Rapto do Serralho” com outras versões - é páreo bem duro - ou pelo menos assim pareceu para este par de ouvidos de madeira aqui). Mas se dizem que no sexo brasileiro goza quando conta, na arte o bom mesmo deve ser dar pitaco:

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“Essas orelhas de coelhinha da Playboy tão foda, hein, Michelangelo…”

Esta versão é por sorte mais próxima ao molde clássico, como se podia notar no figurino, historicamente fidedigno, e luxuoso sem causar distração, embora com pouca variação de cor. A figurinista (pode ter sido um homem também, não sei, o libreto estava cinco paus) privilegiou tons claros, pastéis e neutros, tornando a apresentação visual dos personagens um tanto indistinta. A cenografia era minimalista talvez um pouco demais pro meu gosto, mas pelo menos não havia acenos anacrônicos ou “intervenções” desnecessárias, remetendo adequadamente ao período em que a história se passa). Alguns toques pessoais da direção foram:

- Um personagem extra no palco: Mozart aparece na peça mas não fala um “a”. Fica apenas de lado no palco, tocando cravo - e uma vez ele sussurra instruções de canto para Marcellina;

- Uma “ola” que o corpo de de balé executou num determinado momento. É sério;

- Uns caras musculosos seminus representando sabe lá Deus o quê fazendo dancinhas desnecessárias no fundo do palco em certos momentos. É sério;

- Na cena em que Cherubino descobre que terá que se alistar, a indumentária militar dos dançarinos é ostensivamente minada de qualquer pretensão a seriedade: Os capacetes são chapéus de jornal dos que as crianças fazem, as armas são mosquetes cenográficos de boca exagerada e cômica.

Não posso oferecer comentários quanto à execução da música por ainda não ter comparado com outras versões - e também por ter sido a primeira vez que ouvi música erudita ao vivo, rs. Um amigo reclamou que o início do primeiro ato pareceu meio apressado, por exemplo. Mas achei os recitativos algo cansativos pro meu gosto, e nesse caso admito uma preferência pelo Singspiel (como no “Rapto…”), com os trechos de diálogo falados como no teatro normal, e não o meio termo entre canto e fala. Outro amigo diz que ópera é artificialismo mesmo, e que trechos falados entremeados à música aproximariam o espetáculo de musicais da Broadway. Ambos os amigos entendem mais de ópera que eu, então não me escutem.

Luiza Francesconi, no papel de Cherubino, foi a mais aplaudida, em parte por causa dos aspectos de “clown” do personagem, em parte pela vivacidade, graça e beleza da atriz (seria esperar demais da minha fé que eu dissesse que suas qualidades técnicas foram devidamente apreciadas por um público que fazia questão de rir por qualquer motivo, interrompendo o fluxo da história). Para uma crítica técnica mais detalhada no que concerne à performance vocal dos atores, recomendo este post, em Inglês. Procure pelo tópico “Problems in the Almaviva household”.

Quanto à música, com certeza Mozart não precisa das minhas palavras de louvor. Me lembro que no “Rapto…”, quando, durante a já citada “Martern allen Arten”, Constance diz ao paxá “E minha morte me libertará no final”, a música que acompanha o trecho é a tradução aural mais perfeita da letra, duas erupções súbitas, agudas, que ascendem como uma alma subitamente liberta do peso da vida, como se lastros invisíveis fossem cortados, se abrindo e subindo com tons alegres como poucas coisas são alegres, de uma leveza e despreocupação do tipo que só a liberdade absoluta concede, como se a morte fosse mesmo uma “awfully big adventure”, como dizia Peter Pan. Os arpeggios que se seguem, desafiantes e imponentes, são a expressão confiante e orgulhosa da irredutibilidade final de quem encontra provisões de coragem para enfrentar a morte dentro de si mesmo - no Amor. Essa é a música inalcançável ao mero talento, inventiva, eloquente, sublime. No final das “Bodas…” eu se arrupiei todo, quando começou o “Ah tutti contenti” (que diabos, baixe, ouça e se arrupeie também). E pra terminar com outra coisa que público carioca curte, segue a letra pra cantar junto no banheiro:

BASILIO, CURZIO, ALMAVIVA,
BARTOLO & ANTONIO:
(Oh cielo, che veggio!
Deliro! Vaneggio!
Che creder non so?)

IL CONTE:
Contessa, perdono!

LA CONTESSA:
Più docile io sono,
e dico di sì.

TUTTI:
Ah, tutti contenti
saremo così.
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